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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

UM SONHO EM WASHINGTON

FAZ 54 ANOS QUE MARTIN LUTHER KING JR. DISCURSOU PARA A MULTIDÃO DE 250 MIL PESSOAS QUE LOTOU O GRAMADO DO NATIONAL MALL, EM WASHINGTON D.C. O DESTINO, QUE AINDA PASSA LONGE DOS PREFERIDOS ENTRE BRASILEIROS, GUARDA MEMÓRIAS DA LUTA CONTRA A SEGREGAÇÃO RACIAL, O QUE NOS DÁ MAIS UM MOTIVO PARA VISITAR A CIDADE FAMOSA POR SEUS RESTAURANTES PREMIADOS COM ESTRELAS MICHELIN, MUSEUS INCRÍVEIS E PARQUES À BEIRA-RIO.

O racismo ainda está conosco. Mas preparar nossas crianças para o que elas irão encontrar depende de nós e, com esperança, iremos superar”, disse Rosa Parks, costureira negra que ficou famosa ao não ceder seu lugar no ônibus a um branco – e ser presa por isso, em 1955. Hoje sua frase ocupa a parede do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, inaugurado há apenas um ano, se juntando a tantos outros depoimentos, fotos e objetos que nos guiam por uma viagem entre os anos 1400 até os dias de hoje.

As galerias subterrâneas e propositalmente escuras resgatam as viagens traumáticas pelo Oceano Atlântico, que, por séculos, transformaram negros africanos em escravos americanos. No final dos anos 1700, o comércio de mão de obra escrava já era mais lucrativo do que o de ouro e pedras preciosas.

No dia em que visitei o museu, negros eram maioria lá dentro – 48% dos cidadãos de Washington são afro-americanos, número alto quando comparado aos 13% da população dos Estados Unidos.
E cenas como a de um pai negro explicando para a filha o que significa escravidão davam vida às quase 40 mil peças expostas nos cinco andares do museu. Ao subir para os pisos superiores, a iluminação natural incide sobre a história vivida depois da abolição da escravidão, lei que entrou em vigor em 1863 pelas mãos do então presidente Abraham Lincoln.

A suposta liberdade, a luta das mulheres, o direito ao voto e as conquistas de negros nas arenas culturais, esportivas e políticas preenchem os espaços, enaltecendo as grandes revoluções causadas por nomes como Ray Charles e Barack Obama. Já no último andar, uma sala de contemplação exibe uma cascata rodeada por frases fortes: “Nós estamos determinados... a trabalhar e lutar até que a justiça corra como as águas e seja a virtude de uma corrente poderosa”, disse Luther King Jr. no Alabama, em 1955.

Desde a inauguração, em setembro de 2016, quase três milhões de visitantes já passaram pelo edifício projetado pelo arquiteto David Adjaye. Localizado a poucos quarteirões da Casa Branca, o museu ocupou o último terreno vazio do National Mall, faixa de três quilômetros que concentra vários dos chamados “3 Ms” de Washington – monumentos, memoriais e museus –, incluindo os três campeões de público: Lincoln Memorial, Museu Nacional de História Natural e Museu do Ar e Espaço.

ATOS DE PAZ

Do alto das escadarias do Lincoln Memorial, o pacifista Martin Luther King Jr. discursou em defesa da igualdade racial nos Estados Unidos. Era uma tarde quente de agosto de 1963 – e negros ainda não participavam dos mesmos espaços que os brancos, nem viviam sob as mesmas leis. A frase “Eu tenho um sonho...” (do inglês “I have a dream”), repetida tantas vezes no trecho improvisado de sua fala, ganhou registro no piso do memorial de arquitetura grega.

É desse ponto que se tem a melhor vista do obelisco considerado Monumento de Washington, refletido na enorme piscina retangular. “Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter”, disse Luther King naquele dia,  mudando o percurso da história. Os anos seguintes trouxeram a Lei dos Direitos Civis, o assassinato do presidente John F. Kennedy, a conquista dos negros ao voto eleitoral e o assassinato do próprio Luther King. A imagem do líder da luta pelos direitos civis voltou a ocupar o National Mall em 2011, com a inauguração do Memorial Martin Luther King Jr., de frente para a bacia do Rio Potomac e entre cerejeiras floridas na primavera.

Mais afastado do National Mall, o chamado corredor da “U Street” – a Rua U, em bom português – também protagonizou o movimento dos anos 1960. Logo após o assassinato de Luther King, em 1968, manifestações incendiárias explodiram por várias cidades do país. Em Washington, o bairro Shaw viveu dias de caos. “É difícil falar sobre esses momentos históricos”, comenta Nizam Ali, caçula dos fundadores do Ben’s Chili Bowl, durante a nossa conversa no clássico restaurante que ficou aberto durante as manifestações, servindo comida para protestantes dos dois lados.

A casa é famosa até hoje pelo “half-smoke” – prato típico de Washington que mistura cachorro-quente de salsicha defumada feita de carne bovina e suína com mostarda, cebola e molho picante. Nas paredes do corredor em frente ao balcão e no salão dos fundos, fotografias revelam algumas das celebridades que já comeram o “dogão”: Bill Cosby, Bono e Barack Obama. Nizam lembra que Luther King, claro, também provou e aprovou o half-smoke. E fala com orgulho do endereço da comunidade negra dos tempos de uma Washington dividida por cor: “É a história de sobrevivência de uma família e de uma região”.

Apenas um beco estreito e grafitado separa o Ben’s Chili Bowl do lendário Lincoln Theatre, aberto em 1922, fechado após as manifestações e reaberto em 1994. O edifício foi palco de concertos de grandes músicos, como Ella Fitzgerald, Nat King Cole e Louis Armstrong. Ali pertinho, na  continuação da U Street, outra meca artística entra no roteiro: o Howard Theatre, reaberto apenas em 2012. A fachada dos dois teatros lembra a vibe dos anos 1960 da região conhecida como a “Black Broadway”.

Hoje, o histórico bairro Shaw reúne vários bares com mesas ao ar livre entre prédios baixos com fachada de tijolinhos à vista – e uma constante música de fundo vindo de algum lugar. Tem cerveja artesanal produzida na Shaw Brew Pub, separada do Howard Theatre por outro beco estreito, e exibição de filmes em salas intimistas no Atlantic Plumbing Cinema, onde o grande destaque é o bar bem equipado do lado de fora. Também é por ali que circula uma das maiores comunidades da Etiópia fora da África e onde fica o restaurante Chercher, imperdível para provar a injera, típico acompanhamento etíope que parece um crepe.

Muita coisa mudou nos últimos 50 anos. A capital dos Estados Unidos está cada vez mais dinâmica e cultural, mas sem se esquecer do passado, presente nos vários museus da cidade. Um dos mais interessantes é o Newseum, que traz a perspectiva da imprensa para os diferentes fatos passados e presentes. “Contamos a história da liberdade ao longo dos séculos”, comenta Jeff Herbst, presidente do Newseum até o final de agosto, afirmando que apenas 12% da população do mundo vive em países com liberdade de imprensa. Com uma vista inesquecível para o Capitólio, o museu também acende a luta de minorias, sejam elas mulheres, estrangeiros, negros ou homossexuais. E mostra que ainda há muitas causas para sonhar.

ONDE COMER

JALEO
O premiado chef José Andrés está por trás da cozinha espanhola do Jaleo, aberto em 1993. Indicado na categoria Bib Gourmand do Guia Michelin – aquela que aponta bons restaurantes com menu até US$ 40 –, a casa de decoração colorida tem bom atendimento e menu executivo de almoço, com entrada, duas tapas e sobremesa. Se quiser gastar mais, José Andrés também comanda o Minibar, onde um prato não sai por menos de US$ 200.
480 7th St NW
www.jaleo.com

DAS
Um dos restaurantes de comida etíope mais famosos de Washington fica no burburinho de Georgetown. Carnes temperadas, vegetais e guisados são acompanhados pela injera – tudo servido no meio da mesa e sem talheres. Há várias opções vegetarianas no menu, além de cervejas típicas do país africano.
1201 28th St NW
www.dasethiopian.com

PINEAPPLE AND PEARLS
O elegante restaurante do chef Aaron Silverman conquistou duas estrelas Michelin. O menu fixo oferece 11 passos por US$ 280, o que já inclui bebidas alcoólicas, gorjeta e taxas. É só reservar e aproveitar as invenções impecáveis do chef local, que foge de obviedades, como caviar, foie gras ou trufas. Com uma experiência que surpreende do início ao fim, a casa abre apenas de terças a sextas-feiras – e em alguns sábados ocasionais.
715 8th St SE
www.pineappleandpearls.com

Camila Balthazar
Camila Balthazar
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