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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

Há mais de 30 anos, quando decidimos trocar a terra firme pela liberdade do mar, muitos me questionaram e até me olharam de modo estranho. Afinal, como uma mãe poderia criar (e educar) três filhos pequenos dentro de um veleiro? Aqueles que me achavam ousada sequer imaginavam a ousadia (ou coragem?) da minha mãe! Tenho plena consciência de que sou quem eu sou graças a ela. E, no mês das mães, reservo esse espaço para contar, resumidamente, a história de minha mãe, Elly.

Minha mãe foi... ou melhor... é uma mulher incrível. E era muito avançada para a época. Meu pai morreu quando eu tinha quatro anos. Meus irmãos tinham entre dois e 14 anos. Com amor e sabedoria, ela criou seis filhos biológicos e mais três de coração, tornando nossa casa em Ipanema, no Rio de Janeiro, uma verdadeira república de muita alegria.

Imaginem que, em 1950, ela não sabia nada de negócios, nunca tinha trabalhado fora, não tinha conta em banco e, de repente, se tornou chefe da família. De herança, contávamos com uma papelaria e uma loja de brinquedos, e ela logo se tornou uma microempresária de sucesso (nos tempos atuais, seria classificada como empreendedora).

Minha mãe expandiu a loja e todos os filhos trabalharam lá à medida em que cresciam – hoje, ela seria presa por isso! Meus irmãos ficavam no caixa ou cuidavam das entregas em domicílio, enquanto eu embrulhava as compras para presentes, organizava as prateleiras e me dedicava a outras tarefas na loja. No segundo andar, havia uma mesa para estudar as disciplinas da escola.

Estudar era nossa prioridade. Ela era uma mãe muito amorosa, mas que também sabia nos colocar de castigo. Até hoje não me esqueci da festa de aniversário que não pude ir por ter matado aula para ir ao cinema com as amigas. Nós estudamos nas melhores escolas do Rio e nos formamos no ensino superior. Só mais tarde descobri quantos sacrifícios ela precisou fazer para garantir nossa educação.

Quando eu estava com 7 anos, ela colocou minha irmã e eu na aula de inglês e no colégio francês. Seu lema era “quem não falar, pelo menos, um segundo idioma, não tem futuro”. Nos incentivava a estudar e a trabalhar para nos tornarmos mulheres independentes financeiramente.

Em 1960, ao visitar os Estados Unidos, ela decidiu se mudar para lá com minha irmã e eu. Meus irmãos já estavam na universidade, no Brasil, e não quiseram ir. Então, aos 45 anos, minha mãe deixou tudo para trás e foi embora para a América conosco. Essa foi a melhor lição de desapego que tive. Imaginem sair de Ipanema para morar em Nova York! Lá, ela trabalhava de dia e estudava à noite. Continuava sendo um exemplo, mesmo com todas as dificuldades da vida: perda do marido e de três filhos que morreram pequenos.

Ela adorava viajar e me dava a maior força em todas as "loucuras" de viagens que fiz na vida. Saudades enormes de você! Feliz Dia das Mães, onde você estiver! E um carinho a cada mãe, que, do seu jeitinho particular, faz de maio um mês especial para comemorar ao lado dos filhos, sejam eles biológicos ou de coração. Porque mãe vai muito além de determinadas convenções.

POR. FOTOS. HELOÍSA SCHURMANN

Heloísa Schurmann
Heloísa Schurmann
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