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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017

FATOS REAIS, POR FAVOR

Antes do surgimento das mídias sociais, um indivíduo comum que desejasse expressar sua opinião tinha opções limitadas em termos de alcance, além de estas serem bastante onerosas. Porém, agora existem inúmeras plataformas de comunicação, entre as quais blogs, WhatsApp, Twitter, Facebook e transmissões ao vivo via Periscope.

Os veículos tradicionais dividem a audiência com uma massa gigante de conteúdos gerados “sabe-se lá por quem”, “sabe-se lá onde” e, o mais preocupante, “com qual objetivo”. Essa facilidade de disseminar conteúdos cria um imenso volume de desinformação. E, por informação, entendemos fontes confiáveis, dados e fatos checados e certa dose de isenção. Sim, todos têm direito à sua própria opinião, mas não aos seus próprios fatos.

A eleição presidencial americana, que em nada difere dos nossos embates políticos, foi o exemplo máximo do quão longe a desinformação pode chegar. O volume gerado de fatos distorcidos ou simplesmente falsos com o objetivo de influenciar e manipular a opinião pública superou o conteúdo verdadeiro que circulou nas mídias sociais.

Deacordocomumareportagemdojornal americano “The Washington Post”, Facebook e Google lideram o ranking dos canais que mais tiveram notícias falsas entre seus tópicos de maior acesso (os famosos trending topics, em inglês). O fato é bastante sério, se considerarmos que o Facebook é a principal fonte de notícias de aproximadamente metade dos americanos. É provável que esse número não seja muito diferente por aqui.

As notícias falsas espalhadas geraram tanta polêmica que Facebook e Google anunciaram que vão sinalizar notícias falsas ou distorcidas e impedir que elas se tornem trending topics. A checagem dos dados será feita por meio de parcerias com instituições e organizações, como ABC News, Associated Press, FactCheck.org, Snopes, Climate Feedback e “The Washington Post”. No entanto, tais notícias não serão apagadas.

Essa atitude não eliminará por completo reportagens falsas ou deturpadas, mas deve evitar teorias da conspiração e tentativas de instaurar o pânico na população. Acredito ser de todos nós a responsabilidade de não compartilhar informações suspeitas, mesmo quando o conteúdo reforça o nosso ponto de vista. Junto com tanta liberdade, também deve vir mais responsabilidade.

Silvia Camargho
Silvia Camargho
Colunista
Profissional de marketing e comunicação, apaixonada pelas transformações de um mundo cada vez mais digital. silvia.camargho@hotmail.com

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