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Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

CONTRASTES ALAGOANOS

O SEGUNDO MENOR ESTADO BRASILEIRO CONTA COM UMA VARIEDADE IMPRESSIONANTE DE CENÁRIOS, QUE SE ALTERNAM ENTRE OS TRÊS BIOMAS PRESENTES NO TERRITÓRIO ALAGOANO: CAATINGA, CERRADO E MATA ATLÂNTICA. OS CONTRASTES ESTÃO PRESENTES POR TODOS OS LADOS – DO SERTÃO AO LITORAL, DAS CIDADES HISTÓRICAS AOS VILAREJOS, DAS LAGOAS ÀS DUNAS –, ATRAINDO TODO PERFIL DE VIAJANTE

É engraçado pensar que Graciliano Ramos se inspirou no estado alagoano para escrever “Vida Secas” – uma de suas obras mais renomadas – quando a primeira paisagem que vemos ao desembarcar é preenchida pelos tons verdes e azuis do mar. A água cristalina lembra uma piscina e percorre 250 quilômetros, banhando as praias que compõem o litoral de Alagoas.

Coqueiros altos e um sol que brilha durante os 365 dias do ano são mais alguns ingredientes que nos levam à comparação fácil com o Caribe. Mas esse é apenas um dos atrativos do destino, que ainda conta com a segunda maior barreira de corais do mundo, 240 quilômetros do majestoso Rio São Francisco, cidades tombadas como Patrimônio Histórico e aventuras pelas dunas e pelo mar espalhadas a curtas distâncias. Não à toa, escritores, como Jorge de Lima, e músicos, como Djavan, também encontraram inspiração de sobra nesse pequeno paraíso.

PARAÍSO DAS ÁGUAS
Nossa porta de entrada foi Maceió, capital e destino mais procurado do estado. Diferentemente de outras cidades litorâneas, não é necessário se afastar do centro para encontrar praias incríveis. A orla de 40 quilômetros ganhou o título de uma das mais bonitas do Nordeste e exibe aquele tom azul-caribe que impressiona até mesmo os moradores mais antigos.

As três principais praias, Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara, têm uma estrutura mais elaborada de hotéis e restaurantes e acabam recebendo um número grande de visitantes. Jangadas de todas as cores ficam enfileiradas às margens da água e saem a passeios para piscinas naturais que se formam a apenas dois quilômetros da costa. Quem tem bom preparo físico pode chegar lá nadando ou remando sobre uma prancha, mas ir de jangada, um dosmaiores símbolos de Maceió, é a opção mais rápida e charmosa.

O espaçoso calçadão conta com diversos quiosques, desde os mais simples até os mais badalados. O Lopana (www.lopana.com.br ) e o Kanoa ( www.facebook.com/kanoabeach) são os mais frequentados pela galera à procura de agito, especialmente à noite. A região onde ficam as duas barracas de praia foi batizada de “Faixa de Gaza”, fazendo uma brincadeira à possível “briga” pelo maior número de fregueses – apesar de as duas estarem sempre lotadas.

Também acompanhando a orla ficam as famosas tapioqueiras, clássica receita nordestina que ganhou o país nos últimos anos, além de tendas para alugar cadeiras, guarda-sóis, espreguiçadeiras, pranchas e outros acessórios de praia. Todos os estabelecimentos dividem espaço com uma boa ciclovia, onde as pessoas pedalam e correm curtindo a paisagem – tão difícil de ser ignorada.

As praias urbanas não deixam a desejar, mas também há opções afastadas da capital que exibem cartões-postais imperdíveis. A 33 quilômetros aosul, no município de Barra de São Miguel, a Praia do Gunga é um bom exemplo, encantando pela abundância de coqueiros e pelo encontro das águas esverdeadas do mar com a Lagoa do Retiro. O local rouba a cena pela concentração de gente animada e inúmeras barraquinhas de praia com som alto e deliciosas opções para comer e beber.

No sentido contrário do Gunga e também com a vibe oposta, a Praia de Ipioca oferece um pouco mais de sossego, a 20 quilômetros ao norte de Maceió. Considerada uma das mais bonitas do estado, sua areia branquinha, praticamente deserta, combina com águas calmas. Ali só tem uma barraca de praia – na verdade um clube de praia –, chamada de Hibiscus, com uma estrutura elaborada de restaurante, mesas, piscinas, espreguiçadeiras e música ao vivo. O estabelecimento recebe um número limitado de pessoas e cobra um valor médio de 50 reais de entrada (www.hibiscusbeachclub.com.br).

Por estar em uma região central, Maceió é um bom lugar para começar a explorar outros destinos, tanto para o norte quanto para o sul, que exibem paisagens diversificadas. Acompanhando as praias banhadas pelo Oceano Atlântico e abençoadas com os mais incríveis arrecifes, chegamos à segunda região mais querida de Alagoas: a Costa dos Corais.

ROTA NORTE
Os 130 quilômetros dessa região abrangem as cidades de Paripueira, Barra de Santo Antônio, Passo de Camaragibe, São Miguel dos Milagres, Porto de Pedras, Japaratinga, Porto Calvo e Maragogi. Como o nome já sugere, aqui está a maior concentração de corais e piscinas naturais do estado, protegidos por uma Área de Preservação Ambiental. A segunda maior reserva do mundo, que perde em extensão apenas para a barreira da Austrália, pôde ser observada assim que chegamos ao município de Paripueira, a menos de dois quilômetros da costa.

Quando a maré está baixa, é possível vê-la de longe, com os pés na areia ou do alto de um mirante. O estereótipo alagoano de água morna translúcida, areias ora douradas ora brancas e uma sequência de coqueiros que deixam a paisagem ainda mais encantadora continua presente por todas as regiões ao norte. As ondas tranquilas acompanham o ritmo dos destinos, que atraem turistas à procura de calmaria e sossego.

Por esse motivo, não são os super-resorts que fazem sucesso por ali, mas as pousadinhas mais rústicas. Em São Miguel dos Milagres, município que ficou mais conhecido de uns tempos para cá pela enorme festa de Réveillon, há um grande número de hotéis e restaurantes nesse estilo, principalmente pelas praias do Toque, Porto da Rua e a homônima São Miguel dos Milagres. É a apenas 10 quilômetros desta última que a pousada Reserva do Patacho oferece chalés bem confortáveis e charmosos. De frente para a Praia do Patacho, no município de Porto de Pedras, os hóspedes aproveitam a piscina, as redes de descanso, o restaurante, a praia quase deserta e a tranquilidade da natureza (www.pousadareservadopatacho.com.br).

Apesar de as praias serem o grande forte, lagoas e rios também são parte importante da experiência em Alagoas. Ainda no município Porto de Pedras, o Rio Tatuamunha revela cenários cinematográficos entre mangues e água translúcida. Um passeio interessante para fazer por ali é proposto pela Associação Peixe- Boi, que oferece tours guiados para encontrar os mamíferos no eu habitat natural. A atividade está cada vez mais rara, pois a espécie foi classificada como "em perigo crítico", ameaçada de extinção no Brasil. Mas as jangadas levam no máximo sete pessoas por vez e há um número limitado de visitantes por dia, evitando qualquer tipo de agressão ao meio ambiente ou estresse aos animais (www.associacaopeixeboi.com.br).

Os guias conhecem bem a região, os animais e até sabem o nome de cada um deles, trazendo curiosidades e informações durante o passeio de mais ou menos uma hora. Logo no início do trajeto, passamos por cativeiros onde ficam peixes-boi filhotes e os adultos que precisam ser reintroduzidos à natureza. Encontrá-los, portanto, não é tão difícil. Mas esses animaizinhos não são nada tímidos: em épocas de acasalamento, se exibem passando de um lado para o outro e até mesmo batem nas jangadas, em gestos que parecem querer chamar atenção.

Continuando o roteiro rumo ao extremo norte, chegamos a Maragogi, apelidada de Caribe Brasileiro. A região é o paraíso de mergulhadores, com um dos ecossistemas mais importantes do Brasil. O maior atrativo está nas chamadas galés – nome dado a partir de antigas embarcações naufragadas –, que são as piscinas naturais mais ricas em fauna e flora do estado. O passeio começa a bordo de catamarãs ou lanchas e leva em torno de 15 minutos para percorrer os seis quilômetros que distam da costa.

A viagem em si já é uma atração, com a paisagem preenchida por tons variados de azul e manchas escuras a distância, que vão ficando mais aparentes sobre a água conforme a maré baixa. O mergulho pode ser feito de snorkel ou de cilindro e revela um arco- íris de cores debaixo d'água, seja pelos inúmeros peixes, desde os pequenininhos até os grandões, que parecem não se importar com o nosso movimento, ou pelos corais de vários formatos.

A atividade só pode ser feita durante a maré baixa e em horários específicos, portanto é bom checar a previsão das marés antes. Se não der para mergulhar, o destino ainda guarda outros encantos, como o passeio de buggy, que desvenda inúmeras praias, onde você pode tomar sol, praticar stand up paddle, nadar na água quentinha ou apenas apreciar os cenários que ficam cada vez mais bonitos.

ROTA SUL
As cidades que ficam para baixo de Maceió – Pilar, Marechal Deodoro, Barra de São Miguel, Roteiro, Jequiá da Praia, Coruripe, Feliz Deserto, Penedo e Piaçabuçu – trazem cenários preenchidos por arquitetura dos séculos 17 e 18, dunas e uma mistura de mar, lagoas e rios. Apelidada de Lagoas e Mares do Sul, começamos a explorar a região por Marechal Deodoro.

A primeira capital de Alagoas, tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), apresenta um clima bucólico, com pouquíssimas pessoas passeando entre as ruas de paralelepípedo e casinhas coloridas do século 18. Lá encontramos construções históricas, como a casa de Marechal Deodoro, primeiro presidente do Brasil, o Museu de Arte Sacra de Alagoas e diversas igrejas barrocas. A Lagoa de Manguaba margeia a cidade e acompanha o ritmo tranquilo que encontramos por ali e que se estende por nove quilômetros até chegar à Praia do Francês.

Famosa por hospedar golfinhos, principalmente durante o verão, a praia tem uma barreira de corais que acalma a água, fazendo do destino um ótimo lugar para famílias com crianças. Mas, quando o recife termina, o mar aberto cria ondas ideais para surfistas, que também apreciam a calmaria de poucos frequentadores.

Penedo é outra cidade importante para a história do Brasil, pois foi onde os holandeses invadiram o país, em 1637, e se mantiveram por um ano. O centro conta com edifícios históricos, também tombados pelo IPHAN, como casarões com arquitetura dos séculos 17 e 18 e a Igreja Santa Maria dos Anjos, o maior marco turístico da cidade. As margens já não têm mais o azul do Oceano Atlântico, mas, sim, o tom mais escuro do Rio São Francisco.

AVENTURA PELO SÃO FRANCISCO
O maior rio totalmente brasileiro tem 240 quilômetros de extensão e já foi cenário de diversos filmes e novelas, como "Deus é brasileiro" e "Velho Chico". A cerca de 30 quilômetros de Penedo, a Praia do Peba, no município de Piaçabuçu, é o melhor lugar para desvendar um pouco mais da região e do Chico, como o caudaloso rio é carinhosamente chamado.

De lá, a empresa Farol da Foz oferece um passeio de buggy que passa por paisagens totalmente diferentes das vistas até agora pelo estado. A bordo de um carrinho amarelo e personalizado para caber mais pessoas, chamado de superbuggy, sentamos na parte de cima, de onde conseguimos apreciar todo o caminho de duas horas e meia. A primeira etapa do percurso é preenchida por restinga e um imenso coqueiral, famoso por ter a segunda maior concentração de árvores por quilômetro quadrado no mundo.

Quando os coqueiros finalmente saem do campo de visão, é a vez de dunas douradas comporem o horizonte. A aventura fica ainda mais divertida ao subir e descer as enormes montanhas de areia e fazer pausas para praticar esquibunda, escorregando pelas dunas sentado, deitado ou de pé em pranchas de madeira. A água do mar nos acompanha sempre à esquerda até chegarmos ao final das dunas, onde encontramos a foz do Rio São Francisco. O encontro do mar com o rio pede um mergulho refrescante antes de terminarmos nossa viagem por esse pequeno estado de tantos contrastes.

ONDE FICAR

POUSADA RANGAI
Charmosos bangalôs ficam a pouquíssimos metros da praia e de frente para a enorme piscina com hidromassagem. O estabelecimento também conta com wi-fi gratuito e restaurante.
AL-101, Maragogi
www.rangaipousada.com/maragogi

HOTEL PONTA VERDE
O hotel pé na areia de uma das praias mais bonitas de Alagoas, a Praia do Francês, fica a 18 quilômetros de Maceió e conta com piscina na cobertura, bar, restaurante e quartos confortáveis com wi-fi gratuito.
R. das Algas, 300 - Praia do Francês, Marechal Deodoro
www.hotelpontaverde.com.br

JATIÚCA HOTEL & RESORT
O luxuoso hotel oferece uma estrutura impressionante, com piscinas, academia com vista para o mar, spa e 171 acomodações, todas com wi-fi gratuito. Também tem dois restaurantes e dois bares, com destaque para o Wanchako, de culinária peruana.
Av. Álvaro Otacílio, 5500 - Jatiúca, Maceió
www.hoteljatiuca.com.br

ONDE COMER

CANTO DO BOCA
O delicioso restaurante fica às margens do Rio São Francisco, oferecendo paisagens incríveis e estrutura simples, com mesas e cadeiras de madeira. Os frutos do mar são os carros-chefes da casa, sendo imperdível o Parmegiana de Camarão (R$ 60), com arroz e purê de batata.
Rodovia AL 101 Sul – Piaçabuçu
facebook.com/cantodoboca

RESTAURANTE SUR
O estabelecimento comandado pelos chefs Felipe Lacet e Sérgio Jucá mescla comidas contemporâneas com receitas tradicionais nordestinas. O menu degustação, que conta com três entradas, prato principal e sobremesa(R$90),éamelhoropção.
Rua Prof Maria Esther da Costa Barros, 306 – Jatiúca – Maceió
facebook.com/surartegastronomica

DIVINA GULA
 
Em um terreno de 1620 metros quadrados, a casa apresenta ambientes diferentes, alguns externos e outros internos, cercados por janelões e com música ambiente. Entre os pratos da culinária tradicional mineira, a Carne de Sol desfiada com Tutu e o Filé Bom de Babá são deliciosos.
Rua Engenheiro Paulo B. Nogueira, 85 – Jatiúca - Maceió
www.divinagula.com.br

FOTOS · PHOTOS FLAVIO TERRA

Guiomar Barbuto
Guiomar Barbuto
Jornalista

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