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Quinta-feira, 29 de Junho de 2017

PELOS VULCÕES E PRAIAS DA NICARÁGUA

ARQUIPÉLAGOS DE ORIGEM VULCÂNICA, PRAIAS BANHADAS PELO OCEANO PACÍFICO E PELO MAR DO CARIBE, CHARMOSAS CIDADES COLONIAIS, NATUREZA (QUASE) INTOCADA E VULCÕES GRANDIOSOS COMPÕEM O CENÁRIO DESTE PAÍS, QUE RESERVA MUITAS AVENTURAS. EM UMA ÁREA TERRITORIAL MENOR QUE O ESTADO DO AMAPÁ, A NICARÁGUA APRESENTA ATRATIVOS ÚNICOS NO MUNDO, COMO O “VOLCANO BOARDING”, UMA ESPÉCIE DE SURFE PELAS AREIAS NEGRAS DO VULCÃO CERRO NEGRO.

Há lugares que sequer existem na nossa imaginação. E há experiências que só fazem sentido se vividas pessoalmente. Essa foi a sensação após vencermos o desafio de chegar ao topo do vulcão ativo Cerro Negro, a 728 metros de altitude, e voltar à sua base deslizando pela areia quente sobre uma prancha de madeira, em um ângulo de 45 graus. O único vulcão do mundo em que a atividade chamada volcano boarding é permitida reserva momentos de euforia e cansaço, além das cenas mais inesquecíveis da viagem.

A trilha de um quilômetro e meio até o cume se reveza entre rochas negras de todos os tamanhos e areia vulcânica. Enquanto subíamos, o vento se tornava mais frequente, aliviando o calor e levantando a poeira preta do chão. A única direção possível, para cima e contornando o vulcão, tem inclinação íngreme e exige das pernas e da concentração para não pisar em pedra solta.

Pausas para pequenos goles de água, que começaram gelados e foram subindo a temperatura rapidamente, eram feitas para manter a hidratação. A cada passo, a subida nos fazia respirar fundo para buscar fôlego, enquanto paisagens diferentes de tudo o que já havíamos visto iam preenchendo o horizonte.

O cenário mudava a cada etapa do percurso. No final da primeira subida mais difícil, fomos recebidos com um horizonte verde, colorindo a visão que antes era formada apenas pelas rochas pretas. Dali também avistamos montanhas à distância, duas crateras ao pé de Cerro Negro e o outro lado do vulcão, que até então se escondia de nós. Cores claras se misturavam às mais escuras, fruto da crosta de lava de diferentes idades, e tingiam a superfície por onde seguiríamos caminhando.

No meio do percurso, gritos de vitória chamaram nossa atenção, nos fazendo olhar lá para cima. As silhuetas de oito pessoas com pranchas de madeira posicionadas horizontalmente entre suas mochilas e suas costas alcançavam o topo do vulcão e pulavam de alegria. Nosso ritmo acelerou, contaminados pela vontade de também chegar ao cume do Cerro Negro.

Mais um gole de água – agora já bem quente – e finalmente alcançamos o alto da montanha de lava, de onde pudemos admirar a inacreditável paisagem com vista 360 graus. Grandes manchas pretas circulavam a base do vulcão e seguiam o curso que o magma tomou nas últimas erupções, como um enorme rio negro. Mais crateras, com tons que vão de marrom claro a preto, ficavam à extrema direita, contrastando com a vegetação e as montanhas verdes ao fundo. Em alguns pontos, uma fumaça quente saía do chão. À distância, vulcões alinhados no horizonte soltavam a mesma fumaça cinzenta, que se confundia com nuvens.

Vestimos as roupas, as luvas e os óculos de proteção para deslizar o vulcão sobre as pranchas de madeira. Muito frio na barriga e poucas instruções: sentar no alto da prancha, segurar a corda e posicionar os pés na areia. O primeiro impulso requer coragem, mas logo aprendemos a controlar a velocidade com os pés. A partir daí, apenas torcemos para que a descida nunca chegasse ao fim.


TERRA DE LAGOS E VULCÕES

Além do Cerro Negro, localizado na cidade histórica de León, a Nicarágua tem mais 14 vulcões, dentre os quais sete estão ativos. É possível chegar ao topo de todos, cada um com grau de dificuldade e características diferentes. Um dos mais fascinantes é o Masaya, a 110 quilômetros ao sul do Cerro Negro e a apenas 20 quilômetros da capital Manágua. Apelidado de "boca do inferno", esse passeio é mais rápido, pois é possível chegar ao cume com um carro convencional.

Lá de cima, sua hipnotizante abertura impressiona, de onde conseguimos ver a lava laranja neon borbulhando e uma enorme quantidade de cinzas vulcânicas subindo ao céu. Seu apelido, unido a esse cenário impressionante, acabou convencendo os nativos da região de que o local era realmente a porta de entrada para o inferno – e uma cruz foi erguida nas proximidades. Só é permitido observar o vulcão por cinco minutos, por conta do enxofre que faz mal à saúde, mas o curto tempo garante fotos que deixam qualquer mãe com o coração na boca.

CIDADES COLONIAIS

A colonização espanhola deixou muitas marcas no país. Depois de anos de instabilidade política e econômica, a Nicarágua apresenta um panorama de crescimento e calmaria, o que incentivou bastante o turismo na região. Essa tranquilidade é bem representada em Granada e León, duas cidades que foram capitais do país antes de Manágua.

Com casas coloridas, chão de paralelepípedo e diversas igrejas, as pessoas de lá são simpáticas e calorosas. É comum ver moradores sentados nas varandas conversando com seus vizinhos sem pressa, enquanto carruagens, que fazem tours principalmente em Granada, ônibus amarelos importados dos Estados Unidos, chamados de chicken bus, e moto-taxis (famosos tuk-tuks) passeiam pelas ruas.

Outro que merece destaque é o Mombacho, localizado às margens do Lago Nicarágua, um dos maiores lagos da América Central. São dois quilômetros e meio de caminhada para chegar ao topo do vulcão e ter uma vista arrebatadora da cidade colonial de Granada e das suas isletas, grupo de 365 pequenas ilhas formadas há mais de 20 mil anos, após uma das erupções do vulcão. Centenas de pedaços vulcânicos foram lançados ao lago, formando o arquipélago conhecido como Isletas de Granada.

As ilhotas ficam próximas umas das outras, mas variam no tamanho e no tipo de habitação. Em uma delas, por exemplo, tem uma casa de veraneio com design ultramoderno. Em outra, uma casinha simples, com roupas secando no varal e um barquinho de madeira com redes para pesca. Há aquelas desertas, habitadas apenas por aves ou por macacos nada tímidos. Para ver as ilhas de perto, um passeio de barco sai de Granada e também possibilita contemplar melhor o Lago Nicarágua e o vulcão Mombacho, que parece estar sempre de olho nas suas obras-primas.

Para ter a experiência de dormir em uma delas, o Jicaro Island Ecolodge (www.jicarolodge.com) é um hotel incrivelmente charmoso, perfeito para viver a atmosfera do ambiente. Situado a 15 minutos de barco de Granada, o empreendimento sustentável conta com nove chalés de madeira, chamados de casitas. O banheiro e a sala de estar ficam no andar de baixo, junto à varanda, onde podemos deitar em redes e ouvir os passarinhos cantando, além de flagrarmos tartarugas sobre vitórias-régias. No andar de cima, uma confortável cama de casal fica de frente para janelões com paisagem para o lago, iluminado ora pela lua, ora pelo sol.

SURFE NA NICARÁGUA

O país situado no coração da América Central faz fronteira com a Costa Rica ao sul e com Honduras e El Salvador ao norte. A fama de ser um dos melhores lugares do mundo para surfar vem da costa oeste, banhada pelo Oceano Pacífico, e da leste, pelo Mar do Caribe.Com belas praias, clima quente e vento constante e terral durante 330 dias do ano, a região está entre as preferidas dos esportistas.

Na costa leste, San Juan del Sur tem as ondas mais procuradas, entre suas praias Colorado, Hermosa e Tola, localizadas a pouquíssimos quilômetros da Costa Rica, onde o esporte também é famoso. O astral da cidade é jovem, com festas que dão vida às noites e até mesmo às tardes de domingo, com a famosa "Sunday Funday". A farra funciona como um pool crawl, fazendo um tour pelas piscinas de diversos hotéis e hostels, com bebida, música e gente de todos os lugares. Junto a isso, os preços mais em conta e a variedade de restaurantes contribuem para que o local atraia um grande público, principalmente de mochileiros.

Surfistas profissionais fazem a festa, mas amadores – e até quem nunca encostou em uma prancha – também têm sua vez. Há muitas empresas que oferecem aulas particulares para todos os níveis, desde iniciantes até os mais avançados. Uma delas é a Tropic Surf, situada na praia Manzanillo, exclusiva para hóspedes do resort Mukul Beach, Golf & Spa ( www.mukulresort.com ). A primeira aula tem duração de uma hora e começa na areia, com o instrutor dando uma breve explicação sobre o esporte e ensinando como ficar em pé na prancha. Após praticar algumas vezes, é hora de entrar no mar e reproduzir os movimentos em ondas de verdade. A prancha é daquelas mais compridas e você entra no canto mais calmo, facilitando o momento de surfar a primeira onda.

A experiência é proporcionada pelo resort, considerado o mais luxuoso da Nicarágua. A enorme propriedade de mais de seis milhões de metros quadrados fica a 138 quilômetros do Aeroporto Internacional Augusto César Sandino, na cidade de Rivas, e conta com seis quilômetros de praia particular, campos de golfe, restaurante, bar, seis centros de spa, piscina e lobby decorado com um lustre espetacular. As suítes são separadas em duas categorias: Beach Villas e Bohios. A primeira acomoda muito bem famílias grandes, com cozinha, sala de estar, piscina e sauna privativa. A segunda é composta por 23 casinhas de madeira, posicionadas em cima de uma colina de frente para a praia Manzanillo, cuja vista pode ser apreciada da varanda e de dentro da piscina privativa.

AGENDE-SE

Dinheiro: Córdoba é a moeda oficial, mas o dólar também é aceito. Portanto, não se preocupe em trocar seu dinheiro em casas de câmbio – só fique atento quanto ao troco, que pode vir na moeda local.

Idioma: Os nicaraguenses falam um espanhol mais rápido, que por vezes dificulta a compreensão. A segunda língua é inglês.

ONDE COMER

El Zaguán
No centro da cidade de Granada, a steakhouse conta com um vasto cardápio de carnes e algumas opções de saladas e sopas. O filé mignon ao molho de cogumelos, servido com arroz, salada, pão e bananas grelhadas, é uma boa pedida.

El Timón
Em frente à baía de San Juan del Sur, o restaurante tem vista para a escultura do Cristo de la Misericordia. Frutos do mar são a especialidade, mas o cardápio também tem carnes e opções vegetarianas. A lagosta é bem servida e muito saborosa.
www.eltimonsanjuandelsur.com

Al Carbon
Localizada em León, a casa dispõe de uma boa variedade de pratos, com opções de carnes, saladas e frutos do mar. Com produtos fresquinhos, o camarão ao alho, acompanhado de arroz e batatas fritas, faz sucesso pela farta e deliciosa porção.

POR. GUIOMAR BARBUTO
FOTOS. C.KOGA

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