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Domingo, 19 de Novembro de 2017

NADIR MORENO A FAMA DE QUEM CONECTA O MUNDO

QUANDO CRIANÇA, A ATUAL PRESIDENTE DA UPS NO BRASIL, NADIR MORENO, QUERIA SER FAMOSA. ELA CONQUISTARIA OS HOLOFOTES CANTANDO, JOGANDO VÔLEI PROFISSIONAL OU ATUANDO NA TELEVISÃO. A VIDA TOMOU OUTRO RUMO E O SONHO FOI SUBSTITUÍDO POR UM EMPREGO COM CARTEIRA ASSINADA AOS 14 ANOS, EM UM RESTAURANTE VEGETARIANO NA PRAÇA DA REPÚBLICA, NO CENTRO DE SÃO PAULO. MAIS DE 30 ANOS DEPOIS E FORMADA EM LETRAS E DIREITO, ELA É A EXECUTIVA NÚMERO 1 NA OPERAÇÃO BRASILEIRA DE UMA DAS MAIORES EMPRESAS DE LOGÍSTICA DO MUNDO, SENDO REFERÊNCIA DE LIDERANÇA DENTRO E FORA DA UPS. SUA AGENDA É TÃO CONCORRIDA QUANTO A DE CELEBRIDADES – E SUA EMPOLGAÇÃO DURANTE A CONVERSA DEIXA CLARO QUE ELA ESTÁ EXATAMENTE ONDE DEVERIA ESTAR.

Nadir Moreno quase não dormiu na véspera da partida de vôlei da escola que contaria com um olheiro na arquibancada. “A professora nos preparou muito para esse jogo. Entrei em quadra com uma determinação gigantesca”, conta a filha de agricultores do interior do Paraná, que se mudou para São Paulo com a família de sete irmãos aos 7 anos. Já com 14 anos e praticando o esporte há dois anos, ela sabia que jogava bem na posição de levantadora e tinha chances de ser escolhida pelo observador.

Quando o placar indicou o fim do jogo, o olheiro apontou para Nadir e disse que queria conversar. “Vou ser escolhida”, pensou. “Ele me chamou e disse que eu tinha jogado muito bem, mas que era pequena e sabia que eu não cresceria o suficiente para seguir a carreira. E eu nem sabia que parava de crescer com 14 anos!”, lembra a atual presidente da UPS no Brasil, até hoje com 1,57m de altura. “Chorei um mês e culpei minha mãe, que era baixinha”, diz a executiva, rindo.

Nadir Moreno também cantava na igreja e participava do grupo de teatro da escola, mas o vôlei era sua aposta profissional mais concreta. O ano letivo logo chegou ao fim e a comemoração da turma pela conclusão do ensino fundamental acontecia em um restaurante vegetariano da Praça da República, no centro de São Paulo, quando ela recebeu a proposta do primeiro emprego. O gerente foi até a mesa dos estudantes e perguntou se Nadir tinha interesse em uma vaga de recepcionista. “Comecei naquele dia. Liguei para a minha mãe de um orelhão e avisei que ficaria ali trabalhando”, afirma.

Dali em diante, Nadir não parou mais, conciliando o trabalho durante o dia e os estudos à noite, agora em escola particular, bancados pelo próprio salário. Foram dois anos e pouco no restaurante, até aparecer uma oportunidade como recepcionista em uma ótica. “Eu era muito curiosa e queria ajudar todo mundo. Achava que esperar o telefone tocar não era suficiente”, expõe a paranaense, passando pelos setores financeiro e comercial da ótica. Em paralelo, já na faculdade, o momento de receber o diploma de Letras se aproximava e ela começou a buscar uma carreira que oferecesse estabilidade.

“Na época, estabilidade era sinônimo de trabalho em multinacional. Hoje não é justo falar isso”, comenta. Era 1992 e fazia três anos que a UPS, empresa de logística fundada nos Estados Unidos, havia chegado ao Brasil. Nadir participou do processo seletivo para a vaga de assistente de atendimento ao cliente e ganhou o cargo, após concorrer com mais de 50 candidatos. “De repente, minha faculdade não servia para nada. Era uma empresa de comércio exterior”, relata a nona colaboradora a ser admitida na operação brasileira.

A política de portas abertas do presidente da época a motivou a buscar uma orientação sobre seu futuro. “Ele falou que eu deveria fazer faculdade de direito, o que me daria uma ‘visão macro’ dos aspectos de administração. Fiquei na dúvida, mas segui o conselho e foi a melhor coisa que fiz na vida”, observa a executiva, sendo promovida a coordenadora de importação e exportação e transferida para o armazém do aeroporto de Guarulhos, quando o aeroporto de Viracopos, em Campinas – hoje o maior terminal de cargas do Brasil –, ainda nem sonhava com esse título.

Daí em diante, seu comprometimento com o trabalho não parou mais de abrir portas. “Acho que algumas pessoas até me achavam intrometida!”, brinca Nadir, explicando sobre seu perfil de resolver qualquer assunto que “caia na mesa”, fosse responsabilidade dela ou não. “É um cliente que está esperando um pacote ou uma resposta. Sempre tive essa característica de não ser ‘batata quente’, jogar a responsabilidade para o outro e pronto. Sou parceira, trabalho em equipe”, descreve a executiva, acrescentando também ser questionadora e não ter problema em perguntar sobre o que não entende.

Do armazém de Guarulhos, ela migrou para o departamento pessoal, ficando responsável por normas regulamentadoras, folha de pagamento, compras e questões trabalhistas. “Fiz tudo o que você pode imaginar! Esses cinco anos no financeiro me trouxeram um background de suma importância. É ali que você aprende a fórmula de ganhar dinheiro, produtividade e eficiência”, analisa a executiva, subindo mais um degrau e assumindo a supervisão da área jurídica e de recursos humanos. “A UPS realmente desenha um plano de carreira. Nessa época, fui identificada como candidata de alto potencial e eles começaram a investir ainda mais.”

O sucesso dos programas corporativos implementados por ela no Brasil motivou sua transferência para um projeto especial na sede da UPS, em Miami, nos Estados Unidos. “Eles gostaram do que estava sendo feito aqui e pediram para replicar em toda a América Latina. Fiquei um ano lá”, conta Nadir, que recusou o convite de estender sua carreira na Flórida e voltou para o Brasil para ficar perto da família. “Foi a melhor decisão. Perdi minha mãe oito meses depois”, lembra. Mesmo contrariando os planos traçados pela empresa, ela foi promovida ao cargo de gerente jurídica e de recursos humanos para América do Sul, em 2003.

Esse foi o caminho percorrido por Nadir até o momento de ser convidada a participar do processo seletivo interno para presidência da UPS no Brasil, em 2007, junto com outros 15 candidatos. “Me enviaram para o México durante três meses para conhecer uma operação que é muito maior do que a brasileira e tem mais tempo de existência. Depois recebi treinamento de três semanas no Canadá”, aponta. Ao final desse período, veio a notícia de que ela havia sido escolhida. “No primeiro segundo, fiquei superfeliz. Depois pensei: ‘e agora?’”, ri a atual presidente da operação brasileira, percebendo que precisaria deixar sua zona de conforto.

“Minha vida mudou radicalmente. Foi um MBA na prática. Cada ano eu pensava que o próximo seria mais tranquilo, mas sempre vinham novos desafios, oportunidades, metas e produtos. Até hoje não consegui relaxar e dizer: ‘agora estou tranquila!’”, declara. Com quase mil colaboradores no Brasil, além de dois mil terceiros e provedores de serviço, Nadir começa a vislumbrar o fim da crise que mais impactou sua operação ao longo da última década. “Foram dois anos bem desafiadores, mas estamos sentindo a retomada pouco a pouco”, ressalta a executiva, acrescentando que toda crise gera consequências, seja onde for, uma vez que a empresa movimenta pacotes do mundo inteiro.

Um exemplo lembrado por Nadir até hoje foi o dramático episódio da queda das Torres Gêmeas, no dia 11 de setembro de 2001, quando ocupava o cargo de supervisora jurídica e de recursos humanos. Devido ao envio de cartas contendo a bactéria letal antrax, o volume de documentos transportados caiu drasticamente. “Recebi a responsabilidade de reduzir o quadro de funcionários em 25%. Foi uma missão muito ruim, mas estabelecemos critérios justos e cuidadosos de performance e de análise da situação familiar de cada pessoa. Depois pediram para eu repetir o processo em todos os países da América Latina”, afirma.

Outra história marcante aconteceu na Argentina, ao assumir a área de recursos humanos do país vizinho. “Precisei negociar com o sindicato dos caminhoneiros, que é a entidade representante da nossa operação”, conta. A resposta que ela ouviu de todos, em um sábado, era uma afronta: “o que essa mulher brasileira estava fazendo aqui?”. “Até futebol entrou na discussão. Foi bastante desafiador, mas no fim foi positivo”, relembra Nadir, afirmando nunca ter sentido discriminação de gênero dentro da UPS.

Ela participa do Grupo Mulheres do Brasil, criado por Luiza Helena Trajano, fundadora da rede de lojas de varejo Magazine Luiza, além de ser vice-presidente do LIDE Mulher. “Acredita que já me perguntaram se eu havia sido escolhida presidente da UPS para cumprir a cota de gênero? Sei que no Brasil ainda existe certa diferenciação de salário entre homens e mulheres, mas meu papel como representante de uma empresa centenária é dar suporte à causa e mostrar que a UPS é um bom exemplo”, afirma. Desde 2006, a empresa tem um programa chamado “Women’s Leadership & Development” (Liderança e Desenvolvimento de Mulheres, em português), focado em incluir ainda mais as mulheres na empresa.

Se depender de Nadir, o exemplo está dado e se estende para tudo o que faz na empresa. Durante esta conversa em uma sexta- feira pós-feriado, quando muitas empresas emendaram, a presidente estava no escritório trabalhando em vários projetos. “Lidere pelo exemplo. Esses momentos são os mais importantes. Não é estar aqui segunda ou terça-feira às 10h que faz a diferença”, diz. Enquanto isso, toda a família curtia a viagem para a chácara, enquanto mandava fotos para fazê-la ficar com mais vontade de estar junto. “Eles estão com a vida ganha!”, ri Nadir, priorizando sua fórmula de inspirar os colaboradores. “Afinal, o resultado da empresa depende de fato de quem executa. Depois de quem lidera, dá suporte e acredita”, assegura.

Camila Balthazar
Camila Balthazar
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