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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

PASSEIOS DE AVENTURA E CONTEMPLAÇÃO, TEMPLOS RELIGIOSOS, COMPRAS, GASTRONOMIA FARTA E A PROXIMIDADE COM ARGENTINA E PARAGUAI ATRAEM 1,5 MILHÃO DE VISITANTES POR ANO A FOZ DO IGUAÇU

Uma mistura de idiomas no embarque rumo a Foz do Iguaçu, no oeste paranaense, já dá uma noção de como será essa “babel” de línguas, culturas e costumes em frente às cataratas. Antes de pegar o avião, um japonês se aproxima de uma brasileira, gesticula para ver o bilhete dela e entende apenas o número do voo. Fica feliz em saber que está no lugar certo. Atrás dos dois, há vários grupos de italianos, americanos e latinos, todos ansiosos para ir ou retornar à sétima maior cidade do estado, na Tríplice Fronteira.

O arborizado município de 264 mil habitantes recebe, em média, 1,5 milhão de visitantes por ano. “Em 2015, porém, batemos nosso próprio recorde, com 1,64 milhão de pessoas de 170 países. Veio gente até do Quirguistão e do Tajiquistão”, destaca Bruno Marques, presidente do Grupo Cataratas, que administra o turismo no Parque Nacional do Iguaçu, criado em 1939, e no Marco das Três Fronteiras, recém-inaugurado após uma reforma de um ano e meio, a um custo de R$ 30 milhões.

“Cerca de 60% do público que vai a Foz é formado por brasileiros, principalmente do Paraná e do Sudeste, 30% são argentinos e 10% vêm do restante do mundo”, aponta Marques. Americanos, europeus e orientais lideram este último grupo. Entre os destinos nacionais preferidos dos turistas, a cidade só perde para o Rio de Janeiro. Desde mochileiros até reis são atraídos pela beleza das 275 quedas d’água, pela Mata Atlântica preservada e por dezenas de passeios ao ar livre e também indoor. A média de permanência é de até três dias, mas o ideal é passar pelo menos cinco noites para conhecer e contemplar tudo com calma.

A trilha pelas cataratas, consideradas uma das Sete Novas Maravilhas da Natureza, é o passeio principal do roteiro por Foz. São 1.200 metros de descidas e caminhada por passarelas até chegar bem perto das cachoeiras. Lá embaixo, na Garganta do Diabo – a queda com maior fluxo –, o barulho, a força e a energia da água impressionam, e respingos gelados vindos de todas as direções estão incluídos no pacote. Arcos-íris que se formam ao redor são a cereja do bolo.

Do total de quedas, 75% estão do lado argentino, no Parque Nacional Iguazú. Daquele lado da fronteira, o contato com a natureza é mais próximo, mas a vista que se tem do Brasil é mais arrebatadora. Quem mora aqui no país paga R$ 37 para entrar no parque – que em 1986 recebeu o título de Patrimônio Natural da Humanidade –; integrantes do Mercosul desembolsam R$ 50 e demais nacionalidades, R$ 63. O Grupo Cataratas já estuda a construção de passarelas acessíveis para quem tem mobilidade reduzida e, a partir de abril, quer abrir ao público em geral o Passeio da Lua Cheia, que percorre as quedas à noite.

Na porção brasileira, o parque – administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – tem 185 mil hectares, mas a área de visitação se restringe a 5 mil. Tamanho suficiente para abrigar desde pequenos insetos até mamíferos como quatis (que tentam roubar comida dos humanos o tempo todo), pumas e onças-pintadas. O Projeto Carnívoros do Iguaçu contou, em 2014, 20 onças vivendo soltas por lá, mas diz que, segundo o censo do ano passado, ainda em processamento, esse número aumentou. Sinal de que o ecossistema local está bem equilibrado, pois os grandes felinos se encontram no topo da cadeia alimentar.

DE ALMA LAVADA

Outra forma de experienciar as cataratas é pelo passeio Macuco Safari, existente há 30 anos em Foz e cujo nome homenageia uma ave da região que põe ovos azuis. Primeiro, os visitantes percorrem dois quilômetros dentro de um jipe elétrico, no meio da mata, e depois mais 600 metros em outro veículo ou a pé. Aí é hora de guardar em um armário os calçados e demais pertences que não são à prova d’água e entrar no bote inflável, que comporta até 25 pessoas.

O Macuco oferece as opções seca e molhada, mas o trajeto pelo Rio Iguaçu é o mesmo. Quem escolhe a segunda, com mais emoção, para quase embaixo do Salto Três Mosqueteiros. O volume e a pressão da água são tão grandes que fica difícil manter os olhos abertos próximo de quedas com até 80 metros de altura.

Enxergar, porém, nem é necessário nessa hora: basta aproveitar a sensação de um banho revigorante em um dia de verão. Ao todo, o passeio (R$ 215,40 por pessoa) leva cerca de uma hora e meia, sendo 30 minutos percorridos no barco.

Os mais destemidos podem, ainda, fazer rafting pelo rio ou cachoeirismo (rapel na cachoeira). Sob outro ponto de vista, lá do alto, saem voos de helicóptero da empresa Helisul. Tem-se, assim, uma vista única e panorâmica das cataratas, com uma dose de adrenalina. De cima, dá para ter a real dimensão dessas rochas, que se formaram há cerca de 150 milhões de anos. Os passeios duram 10 minutos (R$ 430 por pessoa) ou 35 (R$ 4.460 para quatro), e cada aeronave comporta até sete passageiros.

O contato com a natureza também pode ocorrer bem mais de perto, dentro dos 16,5 hectares do Parque das Aves (R$ 40 a entrada). Em um percurso de duas horas, feito com tranquilidade, é possível ficar frente a frente com mais de mil animais de 143 espécies (120 de aves e 23 de répteis e macacos, entre outros). Metade dos bichos foi resgatada do tráfico, por meio de parcerias com o Ibama e a Polícia Ambiental, e alguns chegaram ao local através de intercâmbio com outros zoológicos.

A boa notícia é que mais de 40% das aves que vivem no lugar, como flamingos e tucanos, já nasceram lá. O espaço – onde no passado funcionou uma pedreira – também abriga espécies em risco, como o cardeal-amarelo, a arara-azul-de-lear e o mutum-de- alagoas. Quem tiver medo de passar tão perto dos animais, muitos sem nenhum tipo de grade que os separe do público, pode fazer o trajeto por fora, em outra trilha.

A POTÊNCIA DE UMA GIGANTE

Conhecer Foz do Iguaçu requer também uma ida à hidrelétrica Itaipu Binacional, a maior geradora de energia elétrica do mundo, responsável por 17% do que é consumido no Brasil e cerca de 80% da luz usada no Paraguai. De capacete na cabeça, os turistas têm um dia de engenheiro na visita panorâmica (que percorre, de ônibus, a área externa da usina, incluindo o Mirante Central, com vista para o Rio Paraná, a barragem de quase 200 metros de altura e o vertedouro) ou no circuito especial (que chega até a sala de controle, toda digitalizada, e desce para ver uma das turbinas funcionando). O primeiro passeio, mais simples, sai por R$ 31 e o segundo, R$ 74.

Dá para sentir a vibração da água nas paredes, no chão e até no teto das salas de Itaipu, que no fim do ano passado desbancou a hidrelétrica Três Gargantas, na China, com a geração recorde de 103 milhões de megawatts-hora, por meio de suas 20 turbinas. É impossível não se sentir minúsculo em meio a construções e números tão gigantes. Para se ter uma ideia das dimensões, a usina inundou, em 1982, uma área quase do tamanho da cidade de São Paulo.

Entre os passeios disponíveis em Itaipu, estão saltos duplos de paraquedas, test drive de carros elétricos, observação astronômica, visita ao Refúgio Biológico Bela Vista e ao Ecomuseu, acompanhamento da iluminação noturna da barragem e volta ao lago em um catamarã. Este último, chamado Porto Kattamaram (R$ 80), é ideal para terminar um longo dia de calor e correria. Em poltronas confortáveis, dá para relaxar, tomar um drink, pedir um petisco e, após as 19h, tirar fotos incríveis do pôr do sol, que pinta o céu com tons de rosa e lilás.

Outra ótima opção para o fim de tarde em Foz é uma visita ao Marco das Três Fronteiras (R$ 18), que teve sua primeira parte inaugurada no fim de 2015 e a segunda, em dezembro do ano passado. O complexo abrange um memorial em homenagem ao primeiro explorador branco (o espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca) que descobriu as cataratas, por acaso, em 1541; um restaurante, um parque infantil, uma vila cenográfica das missões jesuíticas, uma loja de souvenirs e um show de dança em volta da fonte de luz, onde fica o obelisco.

Esse é o lugar exato da foz do Rio Iguaçu, que ali se encontra com o Rio Paraná. Desse ponto, podem-se ver as terras paraguaias à direita e as argentinas à esquerda. Cada país da Tríplice Fronteira tem seu próprio marco, e o nosso é de 1903, onze anos antes da fundação de Foz, quando a região era apenas uma zona militar. A visitação do complexo vai das 14h às 23h.

Ao cair da noite, as luzes do Marco se acendem e, a partir das 20h30, começam as apresentações ao ar livre de danças típicas, como tango. Uma hora depois, é a vez de um show de bailarinos que contam a lenda das cataratas segundo as crenças indígenas. No interior do espaço, para completar o cenário de volta ao passado, estão expostos bonecos usados no filme "A Missão" (1986), com Robert De Niro e Jeremy Irons. O longa foi gravado em Foz e Puerto Iguazú, cidade onde estão as cataratas argentinas.

COMPRAS ENTRE HERMANOS

Ao cruzar a Ponte da Fraternidade, rumo a Puerto Iguazú, ou a Ponte da Amizade, a caminho de Ciudad del Este, no Paraguai, entende-se um pouco melhor a complexidade da região, que tem três municípios unidos pela geografia, mas com idiomas, moedas e culturas completamente diferentes. Para atravessar os dois países, é preciso estar sempre com a carteira de identidade ou o passaporte em mãos.

Na tentativa de se livrar da imagem de muambeiro e terra sem lei, o Paraguai tem investido pesado no comércio de luxo nos últimos anos. O novo Shopping Paris concentra uma loja da Apple, um museu 3D e um parque de neve com pista de patinação. Já a SAX Department Store reúne, em seus 12 andares, grifes internacionais como Armani, Diesel, Salvatore Ferragamo, Ferrari e Fendi. Além de roupas, sapatos e objetos de decoração, o local vende, nos pisos inferiores, desde cosméticos e malas até narguilés.

Já na Argentina, as atrações são os vinhos, doces de leite e alfajores, a preços bem mais em conta que no Brasil. Os fãs de perfumes, maquiagem, bebidas, doces e outros artigos importados fazem a festa no Duty Free Shop Puerto Iguazu. Para chegar até ele vindo de Foz, não é preciso passar pela aduana. Os preços são cobrados em dólar, mas também são aceitos reais e cartão  de crédito. Além dos produtos, a Argentina tem levado jovens brasileiros a cruzar a fronteira por conta de várias casas noturnas, como Cuba Libre e Brook Iguazu.

CIRCUITO RELIGIOSO

Das mais de 80 etnias que vivem em Foz do Iguaçu, a principal é a comunidade sírio-libanesa. Proporcionalmente (sem considerar o número absoluto de São Paulo), a cidade reúne a maior colônia árabe do país, com cerca de 30 mil integrantes. E lá também fica a maior mesquita fora do mundo árabe, inaugurada há 34 anos. O templo islâmico permanece aberto 24 horas aos fiéis, mas para o público em geral os horários são restritos: das 9h às 11h30 de segunda a sábado e das 14h às 17h30 de segunda a sexta.

Na entrada da Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, um televisor mostra em tempo real o que acontece em Meca, na Arábia Saudita. Segundo o guia Ahmad Oyoub, o lugar recebe até 700 pessoas por dia, entre fiéis e visitantes. Homens e mulheres podem frequentar o mesmo espaço, mas cada um tem seu lugar e função. Tanto as religiosas quanto as turistas do sexo feminino precisam entrar na mesquita de hijab, o véu muçulmano – disponível na porta, para quem não tiver.

Foz também abriga o templo budista Chen Tien, que começou a ser construído há 20 anos pelo mestre chinês Kuang-Chin. Situado em uma região alta da cidade, o pátio reúne mais de cem estátuas de Budas (como Amitabha e Maitreya) e outras figuras importantes dessa filosofia. É um local que transmite muita paz, ideal para respirar fundo, recarregar as energias e tirar belas fotos. E já se preparar para a próxima aventura, porque os dias são longos, mas passam rápido.

ONDE FICAR

Belmond Hotel Das Cataratas:  Único hotel construído dentro do Parque Nacional do Iguaçu, há quase 60 anos, o complexo de 15 mil metros quadrados abriga 193 apartamentos de luxo e dois pavimentos em estilo colonial português. O projeto é do designer francês Michel Jouannet, que também coordenou a reforma do Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Hóspedes têm acesso exclusivo (antes da abertura) às cataratas e ao Parque das Aves, além de estarem sempre diante da vista arrebatadora das cataratas. Tem piscina aquecida, spa, academia, dois restaurantes, piano-bar, caixa eletrônico e loja da H.Stern. O café da manhã é farto, regado a espumante da Casa Valduga, e no banheiro dos quartos há produtos da Granado e da Phebo. Diárias a partir de R$ 920 mais taxas.
Rodovia BR-469, km 32
Parque Nacional do Iguaçu
www.belmond.com

Bourbon Cataratas Convention & Spa Resort: Erguido em uma área de 165 mil metros quadrados, o resort tem 311 acomodações e, na área externa, árvores centenárias de grande porte. Sua lista de opções de lazer inclui academia, casa na árvore, horta orgânica, minizoológico, piscinas, quadras, sauna, sala de jogos, Espaço Turma da Mônica, minishopping e passeios radicais, como escalada e tirolesa. Diárias a partir de R$ 271.
Av. das Cataratas, 2.345, km 2,5
www.bourbon.com.br

Wish Resort Golf Convention: Bandeira cinco estrelas da rede GJP Hotels & Resorts, o novo empreendimento possui casas que parecem condomínios americanos. Tem mais de 200 hectares de área e campo de golfe com 18 buracos. Fica a apenas 10 minutos de carro do aeroporto e, entre suas atrações, estão duas piscinas, jacuzzis, sauna, pista de cooper, salão de beleza, trilhas, três restaurantes e uma agência exclusiva, a Bliss. Diárias a partir de R$ 440.
Av. das Cataratas, 6.845
www.wishgolfresort.com.br

Wyndham Golden Foz Suíte: Situado no centro de Foz, conquistou o Certificado de Excelência 2016 do site TripAdvisor. Com arquitetura contemporânea, preserva elementos da cultura brasileira na decoração. Os hóspedes têm à disposição piscina climatizada, spa, centro de beleza com sauna e salão, restaurante com cozinha internacional e uma agência que oferece vários passeios. Diárias a partir de R$ 258 + 5% de ISS.
Rua Rui Barbosa, 394 – Centro
www.nobilehoteis.com.br

ONDE COMER

Rafais Churrascaria: Adorada por estrangeiros, a casa apresenta há 36 anos um jantar- show (R$ 109) com 45 bailarinos de seis países, que sobem em dois palcos ao longo da noite. Essa mistura de culturas em um só espetáculo rendeu, no ano passado, um título do Guinness ao local. No bufê, há comida brasileira, churrasco, ceviche e sopa paraguaia.
Avenida das Cataratas, 1.749
Vila Yolanda – Foz do Iguaçu
www.rafainchurrascaria.com.br

Porto Canoas: É o único restaurante dentro do Parque Nacional do Iguaçu, com ambiente externo que oferece vista para as cataratas. Serve bufê de comida brasileira, com 17 tipos de saladas, dez pratos quentes, três tipos de carnes e várias sobremesas (R$ 59,90 por pessoa). Abre diariamente, das 12h às 16h.
BR-469, km 30
Parque Nacional do Iguaçu – Foz do Iguaçu
www.cataratasdoiguacu.com.br

Cabeza De Vaca: Inspirado no explorador espanhol que descreveu as cataratas pela primeira vez, o restaurante tem bufê de comida brasileira (R$ 78,70 por pessoa) todos os dias, das 16h às 23h. Destaque para o bacalhau à portuguesa. Há aperitivos e lanches à la carte. Da área externa, é possível ver os rios Iguaçu e Paraná.
Rua Marco das Três Fronteiras
s/n – Jardim Três Fronteiras – Foz do Iguaçu
www.marcodastresfronteiras.com.br

AQVA: Intimista e com excelente custo-benefício, é um dos destaques da gastronomia no lado argentino. As empanadas de carne (R$ 6,50 cada) são saborosas, as saladas (R$ 25) vêm bem servidas e o bife de chorizo com risoto de cebola (R$ 63) faz a viagem até lá valer a pena. O inusitado refrigerante de pomelo é umaboapedidaparaquemcurtenovidades.
Av. Córdoba, esquina com Carlos Thays
Puerto Iguazú – Argentina
www.aqvarestaurant.com

POR. LUNA D'ALAMA
FOTOS. FLAVIO TERRA

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