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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

MAURICIO DE SOUSA, CRIADOR DA TURMA DA MÔNICA, FALA SOBRE O LANÇAMENTO DE SUA BIOGRAFIA, A ABERTURA DE SEU ESTÚDIO PARA VISITAÇÃO E A PRODUÇÃO DE FILMES FEITOS AO VIVO.

Prestes a completar 82 anos, Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, continua cheio de projetos e sonhos. Só para este ano são três – e dos grandes. Além de lançar uma biografia pela Editora Sextante, o cartunista vai abrir seu novo estúdio para visitação e coordena a produção de filmes feitos ao vivo. Como se não bastasse, ele mantém a produção já estabelecida dos quadrinhos, que representam 83% das vendas nas bancas brasileiras, com quase três milhões de gibis por mês.

Foi assim, neste ritmo cheio de novidades, que o ano começou na Mauricio de Sousa Produções. No dia 30 de janeiro, a empresa se mudou para uma nova sede em São Paulo, um espaço de 3.200 m2 totalmente tematizado. A partir do segundo semestre, o local deve passar a receber visitantes, e a ideia é que eles possam acompanhar todos os processos de criação.

Já a biografia começou a ser produzida no ano passado, em um trabalho extenso de pesquisa para compilar toda a história do cartunista. E, para o ano que vem, Mauricio pretende lançar um filme gravado ao vivo, que já está em andamento em parceria com as produtoras Quinta Digital e Latina Estudio. Baseado na graphic novel “Laços”, a turminha bola um plano infalível para encontrar Floquinho, cachorro de estimação de Cebolinha. Sobre todas essas novidades e, é claro, sua carreira, Mauricio de Sousa fala a seguir.

De onde veio a ideia de contar a sua história agora?
Quando se tem uma carreira muito longa, a gente fica pensando: "Para quem eu deixo umas pistas sobre como é que foi a coisa?". Vivi isso há alguns anos, quando amigos jornalistas ameaçaram escrever minha biografia mesmo à revelia. Aí eu senti o perigo. Se mais de um jornalista fosse trabalhar nisso, cada um iria fazer uma coisa diferente e nunca ninguém iria saber como foi de fato a minha história. Então comecei a escrever umas crônicas para um jornal de Mogi das Cruzes com pequenos casos do meu início de carreira, da minha infância, da profissão. Mas passou um tempo, escrevi umas 300 crônicas, e felizmente meus amigos desistiram da ideia. Eles me deixaram uma bela coleção de crônicas que me fizeram ter vontade de partir para um projeto mais substancioso, até ambicioso, que seria uma biografia.

Como foi esse processo de relembrar e tratar a própria história?
Toda noite de segunda-feira eu me sentava com o jornalista Luís Colombini, que era um repórter investigativo, e contava casos para ele. Tentamos fazer uma coisa meio cronológica, e assim começou a nascer a biografia. Gostei do jeito que ele trabalhou, porque quando eu tinha alguma falha de memória, ele saía a campo e pesquisava para mim. Isso ajudava a completar aquilo que eu não lembrava.

Deve ter sido emocionante relembrar e ver tudo no papel.
Realmente, foi viver de novo alguns momentos que estavam perdidos no passado e principalmente na carreira, que é bem longa. Mais de 50 anos de memórias e mais de 80 de idade, então tem muita coisa para lembrar. Tanto que depois eu me lembrei de um monte de coisa que não coloquei. Devia ter combinado com a editora para fazer uma trilogia para conseguir inserir tudo (risos).

Você não para de criar, sejam desenhos, gibis, filmes, livros... De onde tira tanta inspiração?
O dia tem 24 horas. Sobra um tempinho para sonhar, inventar coisas e olhar o futuro ou o desconhecido como algo cheio de oportunidades. Ou olhar o passado e ver que foi legal, mas podia ser melhor, e concluir que então dá para viver uma vida melhor agora. Quando estamos pensando na vida, passa um montão de coisas pela cabeça. Com isso a gente se alimenta para sonhar um pouco mais e tentar realizar os sonhos.

Você decidiu recentemente abrir o novo estúdio para visitação. O que espera que as pessoas vejam e sintam ao entrar no universo da Mauricio de Sousa Produções?
A ideia é universalizar o conhecimento do nosso estúdio, mas principalmente desmistificar o local como uma área onde se faz coisa que ninguém sabe como. Quero que o pessoal veja, sinta e entenda o nosso trabalho, porque com isso eles vão se aproximar ainda mais da Turma da Mônica e da gente. Além disso, vão ver que quem faz tudo é gente como eles, como a gente, e que é possível que quem quer que tenha jeito para a coisa e talento sonhe em trabalhar aqui. Nossa porta está aberta para novos artistas.

Marília Marasciulo
Marília Marasciulo
Colaboradora
Marília Marasciulo é formada pela UFSC, com passagem pela redação do Estadão. Recentemente, trocou a ponte aérea de Florianópolis-São Paulo por Los Angeles.

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