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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

MATEUS SOLANO, ENTRE RISOS E ASSUNTOS SÉRIOS

NO AR COMO PROTAGONISTA DA NOVELA DAS 7, “PEGA PEGA”, MATEUS SOLANO DEMOROU A ENGRENAR NA CARREIRA E ATUOU DURANTE QUASE UMA DÉCADA ATÉ CONSEGUIR VIVER DA SUA ARTE. MAS JÁ FAZ TEMPO QUE ELE COMEMORA AS CONQUISTAS COM O BOM HUMOR QUE SEMPRE O ACOMPANHOU – E AGORA APROVEITA A FAMA PARA REFLETIR SOBRE ASSUNTOS COMO MEIO AMBIENTE, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO.

Bem-humorado, até mesmo gaiato, Mateus Solano brinca com todos à sua volta. Curtindo o grande momento na carreira e na vida pessoal, ele encara sua alegria com gratidão, quase devoção. “Isso é meu. Sempre foi”, diz Mateus, durante nossa conversa no hotel boutique Le Chateaux Joa, no Rio de Janeiro, um casarão que já foi cenário de muitas novelas da Globo. “Vejo muita gente reclamando de tudo, mas não tenho motivo se eu faço o que gosto. Humor ajuda em todos os sentidos. Abre portas.”

Ele fala com a experiência de quem não teve uma trajetória profissional fácil. Até conquistar o posto de um dos mais cobiçados atores globais – está no ar como protagonista da novela das 7, “Pega Pega” –, Mateus viveu momentos difíceis, de angústia. Nascido em Brasília e filho de um diplomata, o ator morou nos Estados Unidos e em Portugal, até fixar residência no Rio após a separação dos pais, aos 4 anos.

Da época, ri com a lembrança da primeira vez em que subiu ao palco: fez o papel de um abajur. Outro marco da infância foi usar barba de algodão para interpretar João de Deus, na peça “O Cavalinho Azul”, clássico de Maria Clara Machado, fundadora da escola de teatro Tablado. Por volta dos 15 anos e estudando artes cênicas, decidiu sobre o que queria ser: ator. E garante que jamais pensou em seguir outra profissão.

Mas foi a partir desse momento que suas certezas e bom humor foram postos à prova. “Contei muito com o apoio da família. Sem isso, certamente estaria em outro lugar. Tive foco, mas também a oportunidade de morar na casa da minha mãe até os 26 anos. Muitas vezes pagava para trabalhar. É o que acontece no teatro, infelizmente”, conta Mateus, refletindo sobre a visão do trabalho em nossa sociedade. “Muitas vezes associamos a uma coisa ruim, cansativa, séria. Só que, na verdade, deveria ser aquilo para o que você foi feito, algo prazeroso, sua vocação”, diz.

As dificuldades financeiras não abalaram a convicção, mas trouxeram à tona outras questões. “Havia o nervoso e a angústia de não saber quando isso daria algum retorno financeiro, quando poderia viver do meu trabalho. Desistir da carreira, nunca pensei. Cogitei abrir o leque”, lembra Mateus. “Planejei dar aula em escola de teatro ou fazer dublagem, até que me chamaram para uma campanha publicitária da Oi e depois surgiu a Globo”, comenta ele, garantindo nunca ter perdido o bom humor, mesmo em tempos de incerteza.

PAIXÃO PELA NATUREZA

A vida em família consolidou outros valores fundamentais. Um dos principais é o apego e a paixão pela natureza. Enquanto posava para as fotos, Mateus não deixava de admirar as montanhas e o mar da paisagem carioca. E é com brilho nos olhos que conta sobre as aventuras que desfrutou na cidade. “Não consigo ver um morro sem me imaginar lá em cima”,garante o ator, elegendo sua recordação favorita.

Com o amigo Marcelo Adnet, hoje ator, comediante e apresentador, fazia um programa que durava o dia inteiro. Do bairro do Humaitá, eles subiam a pé por trilhas até a estátua do Cristo Redentor. Na volta, contornavam a Lagoa Rodrigo de Freitas para dar um mergulho no mar de Ipanema. “Era um percurso de mais de dez quilômetros, mas não faço isso há mais de dez anos”, conta Mateus, rindo de si mesmo.

Nos últimos meses, ele vem tentando driblar a falta de tempo e retomar o espírito aventureiro: praticou stand up paddle e saltou de asa-delta. E também se conecta com a natureza adotando projetos sustentáveis. Usa energia solar em casa e anda pela cidade com um carro elétrico. “Ainda são coisas muito caras e inacessíveis para a maioria da população. Quero investir meu tempo e minha credibilidade para tratar de sustentabilidade, algo que está ao alcance de todo mundo através da mudança de pequenos hábitos, como não deixar a luz ligada ou evitar o desperdício de água”, observa.

EDUCAÇÃO FOCADA EM CULTURA

A educação e a cultura também são valiosas heranças. Dos pais, tem a lembrança de frequentar cinemas, teatros e concertos. “Durante minha formação, cultura nunca foi um adorno, um penduricalho. Sempre teve espaço. Era algo natural”, recorda. Quando se apaixonava por algo, mergulhava a fundo. Entre suas inspirações, cita Luis Fernando Verissimo, Fernando Sabino, João Bosco e Gilberto Gil.

A escolha do colégio foi outro acerto em sua educação. Ele estudou na Escola Parque, de pedagogia construtivista, inspirada nas teorias de Jean Piaget. “Era, digamos, ‘prafrentex’, de aprender de coração, não de cabeça”, explica. Apesar da paixão pela metodologia, Mateus admite que não foi aluno brilhante. “Passava de ano raspando, sempre fui muito avoado, disperso, adorava viajar com a minha cabeça. O estudo sempre foi uma luta”, conta o ator, sem esconder um orgulho: nunca repetiu de ano.

Casado há nove anos com a atriz Paula Braun, Mateus diz que procura repetir com os dois filhos, Flora, 6 anos, e Benjamim, 2, tudo o que considerou acertado em sua trajetória. Ele incentiva o contato com a natureza, a cultura e pretende propiciar uma educação mais liberal. Mas acredita que o desenvolvimento da tecnologia deixou a tarefa de educar mais complicada. “Hoje é difícil uma criança ouvir uma história inteira sem parar, concentrada naquilo. Então é tudo diferente: linguagem, expectativas, velocidade, desconcentração. Mas eu e Paula estimulamos programas culturais e questionamentos. Não queremos que eles recebam tudo mastigado. Isso seria muito fácil e cada vez mais perigoso”, avalia.

A tecnologia também é um tema presente em sua vida profissional, por conta do grande sucesso da comédia “Selfie”, peça de teatro em turnê há mais de três anos, na qual contracena com o amigo Miguel Thiré. Com direção de Marcos Caruso e texto de Daniela Ocampo, a montagem já esteve no Rio e em São Paulo. Agora eles planejam viajar por outras cidades brasileiras e fazer uma temporada em Portugal. “É um projeto que me agrada muito, popular. Fala de tecnologia de uma forma que só o teatro pode, usando a imaginação do espectador. Faz pensar sobre essa loucura que a gente está vivendo”, comenta.

Mas ele toma cuidado para falar sobre o tema. Reitera que “Selfie” não é crítica, mas, sim, uma reflexão, e que a tecnologia também tem suas vantagens. O ator admite não ser um “tecnológico maníaco”, apesar de manter perfil no Facebook, Twitter e Instagram. “Gosto muito mais de ler um livro e olhar a paisagem do que me enfurnar em rede social. Mas, como ator e formador de opinião, sei que as pessoas querem saber o que faço e o que gosto. Procuro mostrar quem eu sou de verdade. Só acho muito estranho, principalmente entre meus colegas que já têm a vida tão devassada, ficar exibindo intimidade demais e postando vídeos de tudo”, diz.

VIDA DE PERSONAGENS

A postura crítica em relação ao glamour da profissão já foi maior. Desde seu primeiro papel de peso na Globo, em 2009, quando viveu o compositor Ronaldo Bôscoli na série “Maysa – Quando Fala o Coração”, Mateus emendou tipos marcantes, como os gêmeos Miguel e Jorge, de “Vivera Vida”, Mundinho Falcão, em “Gabriela”, e o Rubião, em “Liberdade, Liberdade”.

Fã de personagens conflituosos, cheios de nuances e que trazem desafios, ele até tentou rejeitar o rótulo de galã. “Achava que estavam me botando em um lugar, em uma caixinha, não entendia bem e não gostava. Depois vi que era só uma forma de falar, um jeito da imprensa definir um ator de certa idade e que interpreta um mocinho”, explica. “Quando fui viver o Félix, me perguntaram: ‘depois de vários galãs, vai fazer um gay?’ Respondi: ‘ué, gay não pode ser galã?’ Era mais um pré-conceito. Talvez por isso me incomodasse no início. Mas sei que hoje a emissora aposta na minha versatilidade. Então fui relaxando”, diz.

A consciência de que o personagem que viveu em 2013 em “Amor à Vida” virou o maior marco de sua carreira é encarada com simpatia. “Claro que o público fica querendo ver o Félix em tudo o que faço porque tem saudade. Ele está no coração das pessoas. Sinto muito orgulho de ter carimbado minha aceitação como ator com um personagem tão importante não só para mim, ou para quem assistiu, mas para aquele momento, com as discussões que ele suscitou de intolerância”, justifica.

O clímax da trama foi quando Félix e o personagem de Thiago Fragoso protagonizaram o primeiro beijo gay em uma produção global. “Foi uma conquista da novela e do público, que pediu a celebração do amor, que é o beijo”, aponta. Hoje, Mateus não esconde certo temor em relação a retrocessos que vêm acontecendo pelo mundo, principalmente no campo político e na questão cultural, para ele relegada a um plano muito inferior. Mas isso não ofusca a busca por permanecer contribuindo para uma sociedade mais justa e sem preconceitos.

“Félix ajudou a humanizar, mostrou um gay com mais facetas do que só histeria e pinta”, comenta ele, reiterando que, ao menos nesse campo, continuamos a avançar. E cita como exemplo seu atual trabalho, “Pega Pega”. “A novela tem uma drag queen que, por não aguentar mais as cantadas de Pedrinho, o personagem do Marcos Caruso, se revela: ‘para de me paquerar! Não sou a Rúbia, sou o Flávio’. A resposta de Pedrinho é ótima: ‘achei que você tivesse mais cara de Edgar’”, conta Mateus, sem perder o humor até para celebrar conquistas sociais e de comportamento.

POR · CLAUDIO UCHOA
FOTOS · RICARDO PENNA
MAKE · VIVI GONZO
STYLIST · ALE DUPRAT

Claudio Uchoa
Claudio Uchoa
Colaborador
Claudio Uchoa é jornalista pela ECO-UFRJ. Trabalhou no Jornal do Brasil e no jornal O Globo, além de ter sido repórter especial do Jornal O Dia e editor e diretor da sucursal carioca da revista Caras.

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