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Quinta-feira, 24 de Maio de 2018

DA VIDA EM VITÓRIA PARA UMA CARREIRA GLOBAL

O DIRETOR-GERAL DO AIRBNB NO BRASIL TEM ALGUMAS REGRAS BÁSICAS SOBRE COMO LIDERAR EQUIPES: “VOCÊ NÃO PODE TER EGO, NEM MEDO DE DIZER ‘NÃO SEI’. TAMBÉM PRECISA SER PARCEIRO. AFINAL, TODO MUNDO TEM METAS PARA BATER. ALÉM DISSO, TEM QUE ACREDITAR NAS PESSOAS E SER MUITO TRANSPARENTE.” O CAPIXABA APRENDEU A LIDERAR NA PRÁTICA, GANHANDO EXPERIÊNCIA COM DIFERENTES CULTURAS, DO BRASIL A BANGLADESH. SEM PLANEJAR O FUTURO, ELE COMEÇOU A CARREIRA NO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES, PASSANDO POR IBM E ERICSSON. FOI EXPATRIADO PARA OS ESTADOS UNIDOS, MIGROU PARA AS EMPRESAS DE INTERNET, ASSUMIU A DIREÇÃO-GERAL DO FACEBOOK E ESTÁ DESDE 2015 À FRENTE DA PLATAFORMA DE RESERVA DE HOSPEDAGENS E EXPERIÊNCIAS.

Uma casa dos anos 1930 em estilo art déco na ladeira do bairro Santa Teresa, no Rio de Janeiro,inspira o mobiliário de uma das salas de reuniões do escritório do Airbnb, em São Paulo. A parede de tijolinho à vista, o tapete com bolas coloridas, o sofá em tom creme e a poltrona confortável em frente. Do lado de fora, uma foto da sala real da casa da Anna, anfitriã da plataforma de reserva de hospedagens e experiências, fundada em 2008. “Essa foi uma das maneiras que encontramos de fazer as pessoas se sentirem em casa aqui”, conta Leonardo Tristão, atual diretor-geral do Airbnb no Brasil. Há outros cômodos assim pelo escritório.

É nessa sala de estar com atmosfera carioca, transportada para o bairro paulistano Vila Madalena, que o executivo se senta no sofá e começa a lembrar da infância em Vitória. O mar desbravado com a prancha de surfe, as viagens de ônibus com amigos pelas redondezas, o videogame despedaçado em fios, peças eletrônicas e curiosidade, as conversas de outros países interceptadas pelas ondas curtas do rádio. “Sempre fui uma pessoa sem medo do desconhecido”, diz Tristão, refletindo também sobre seu papel de irmão mais velho.“Carrego até hoje isso de ser um enabler para equipes que lidero”, usando o termo inglês para se referir à característica de abrir caminhos e permitir que as coisas aconteçam.

Se a sua primeira visão de mundo foi Vitória, ele logo ampliou seu olhar para o Brasil e para o mundo. “Esse foi meu primeiro sonho”, diz. “Sempre gostei de ter uma conexão com o macro. Mas eu não sabia muito bem o que isso significava, onde eu iria parar.” Para o capixaba, esse sentimento norteou a escolha da faculdade: engenharia elétrica, mas com ênfase em telecomunicações. “É totalmente abstrato, amplo”, observa Tristão, lembrando também que as decisões eram tomadas no escuro naquela época. “Não tinha internet. Lembro que conversei com algumas pessoas do círculo de amizades do meu pai e li o Guia do Estudante.”

Mesmo aprovado na Universidade Federal do Espírito Santo, ele preferiu estudar na pequena cidade mineira de Santa Rita do Sapucaí, conhecida como “vale da eletrônica”. “Tem um instituto de tecnologia muito importante lá, o Inatel.

É um Vale do Silício brasileiro, com a melhor faculdade de telecomunicações do Brasil”, diz Tristão, que encarou as dezesseis horas de ônibus entre o litoral de Vitória e as montanhas de Minas Gerais. “Veio aquele desejo inicial de sair, de conquistar o mundo.”

A vida de trabalho começou com o estágio de férias na Telest, empresa responsável pela telefonia no Espírito Santo. No último ano da faculdade, o estudante entrou para a já extinta TVA, operadora de televisão por assinatura do Grupo Abril, sediada em São Paulo. Com aulas de quinta-feira a sábado, para facilitar a vida de estágio, Tristão ficava na capital paulista de segunda a quarta-feira. “Foi ótimo porque comecei a ter contato com o mundo corporativo de São Paulo”, lembra. “Aprendi muito colocando a mão na massa, indo pra campo com os técnicos.” E também porque ele descobriu o que não gostava da profissão.

“O estágio me ajudou a descobrir que eu não queria trabalhar na área técnica”, diz. De férias em Vitória, pensando em como direcionar a carreira, ele recebeu um contato da faculdade com uma oportunidade na IBM, em Campinas. “Peguei um ônibus, fiz a entrevista e a primeira dinâmica de grupo da vida”, conta. “Sem pretensão nenhuma.” Ao descobrir que havia sido selecionado, o recém-formado em engenharia pegou o carro do pai, saiu de Vitória às quatro e meia da manhã e dirigiu até Campinas, indo direto para a IBM. “Isso foi em 1995”, lembra. “Não tinha nada a ver com engenharia. Era uma área responsável por lançar os produtos no mercado brasileiro.” Depois do expediente do primeiro dia, ele foi atrás de um lugar para dormir aquela primeira noite.

“Minha vida teve muitas histórias de ir rumo ao desconhecido”, observa. “Claro que você sempre faz uma pesquisa antes. Tem uma intuição. Mas nunca tive problema de lidar com o novo.” Sem nunca saber qual seria o próximo passo, tampouco imaginando que um dia seria presidente de uma empresa, ele começou a entregar bons resultados e a mostrar que conseguia transitar bem entre a estratégia e a execução. Durante as conversas com a matriz em San José, na Califórnia, porém, ele percebeu que precisava conquistar fluência no inglês e entender melhor a cultura do Vale do Silício. Tristão deixou a IBM apenas seis meses depois do primeiro dia – e foi morar em Santa Bárbara, à beira do Oceano Pacífico californiano.

O plano inicial de ficar quatro meses virou seis e, por fim, se transformou em dez. “Fiz algumas matérias na Santa Barbara City College: administração de empresas, marketing, redação em inglês”, diz. Nas horas vagas, ele entregava pizza com um carro antigo que comprou com a ajuda do pai. Ao voltar para o Brasil, foi chamado para o cargo de engenheiro de planejamento de rede de celular da Ericsson, em São Paulo. “Era um time um pouco mais técnico, então minha bagagem de engenharia ajudava”, diz. “Mas depois de seis meses já me deram um projeto para liderar, que era um serviço para vender para as principais operadoras da América Latina. Foi minha primeira transição efetiva para a área de negócios e vendas.”

Trabalhando bastante com uma unidade de negócios da Ericsson em San Diego, nos Estados Unidos, fruto da aquisição da área de wireless da Qualcomm, em 1999, Tristão recebeu o convite para morar fora. O destino seria San Diego, de onde ele assumiria essa divisão para o Brasil e para América Latina “Eu tinha três anos de empresa”, lembra. “Chegamos lá, minha esposa e meu filho Luca, na época com 2 anos, e ‘bum!’.

A bolha da internet estourou.” O índice Nasdaq começou a despencar e a euforia da valorização das empresas “ponto com” ficou para trás. “Peguei um momento complicado de crise. Saí da minha zona de conforto e tive bastante experiência no México, Chile, Peru e Brasil.” Mas ainda dava para ir muito mais longe.

Após três anos nessa posição, Tristão foi convidado a atender o mercado do sudoeste asiático. “Deixa eu olhar no mapa para ver quais países têm lá...”, brinca o executivo, lembrando do que passou pela sua cabeça antes de aceitar o desafio. “Foi um ponto de reflexão importante na minha carreira. Na América Latina, eu falava espanhol e viajava para países vizinhos do Brasil. Fui para o outro lado do mundo.” Em países com economias menos desenvolvidas do que o Brasil, como Bangladesh e Indonésia, ele aprendeu a negociar com diferentes culturas e a inovar diante de cenários desafiadores.“Foi aí que aprendi que eu gostava de fazer um empreendedorismo corporativo”, lembra. “Sair da caixa, redefinir o modelo de negócio e a proposta comercial."

De repente, Tristão percebeu que não era normal se acostumar à ponte aérea entre Estados Unidos e Singapura, com um voo de 16 horas de duração. Agora já eram dois filhos – e estava cada vez mais difícil equilibrar sua atenção à família, ao trabalho e a ele mesmo. “Além disso, sempre acreditei no potencial do Brasil”, diz. “Naquela época, 2005, estava acontecendo um momento de reestruturação das telecomunicações aqui. Vi isso como uma oportunidade e voltei.” A porta de entrada foi a Huawei, multinacional chinesa que havia recém-expandido no mercado asiático e estava crescendo no Brasil. “Recebi o convite para liderar a estratégia 3G para América Latina”, conta. “Mas logo soube que o Google estava montando um escritório no Brasil e precisava de alguém para cuidar da área de desenvolvimento de negócios e parcerias.”

Foram apenas oito semanas na Huawei. O capixaba chegou ao Google quando ainda eram apenas 11 funcionários em um escritório da Regus, em São Paulo, uma espécie de coworking que aluga salas corporativas. “Fiz essa transição do mundo de telecom para o mundo de internet muito facilmente”, diz. “Participei da construção do negócio do Google no país. E isso virou a paixão da minha vida, da minha carreira.” Durante os cinco anos de Google, Tristão destaca dois momentos importantes: a consolidação das parcerias estratégicas e a transição para a diretoria de publicidade. “Eu não conhecia nada desse mundo. Nunca tinha entrado numa agência de publicidade na vida.” A curiosidade de sempre, somada ao fato de que 99% da receita do Google vinha de publicidade, o levaram a migrar de área.

Quando Tristão saiu da empresa, em 2011, já eram 400 funcionários. Era hora de recomeçar a construir um novo negócio no Brasil, dessa vez em uma operação com apenas três funcionários. O executivo assumiu uma diretoria no Facebook, na época em que o Orkut ainda era a rede social mais usada entre os brasileiros. “Acreditei muito no propósito do Facebook de conectar as pessoas e, através dessa conexão, fazer um mundo melhor”, diz. Seis meses depois, ele foi promovido ao cargo de diretor-geral para o Brasil. “O Facebook passou o Orkut no final de 2012, para você ver como foi explosiva a transição.”

“Fiz toda a estruturação do Brasil, incluindo a contratação de pessoas, que é a parte que eu mais gosto”, diz. “Se você acertar nos talentos, depois consegue motivá-los e fazer com que se desenvolvam ao máximo”, comenta Tristão, destacando que essa é a parte mais importante em qualquer empresa. O Facebook no Brasil cresceu – e o executivo quis dar novos saltos. Em julho de 2015, ele assumiu a direção-geral do Airbnb no Brasil. Mais uma vez, apostou no propósito da empresa. “Temos a missão de empoderar o indivíduo, que pode mudar o estilo de vida e a relação com o trabalho, seja sendo um anfitrião de casas ou de experiências ou de novas linhas de negócios que eventualmente possamos desenvolver.” A porta para novos produtos e serviços parece estar aberta, mantendo atiçada a curiosidade do capixaba.

ALGUMAS INSPIRAÇÕES DO EXECUTIVO

Livro · “O Lado Difícil das Situações Difíceis”, Ben Horowitz
Banda · Midnight Oil
Cinema · “Star Wars”
Cidade · Maresias, no litoral norte de São Paulo
Pessoa · Minha família

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