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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

A GENTE SÓ QUER PAES

Foi com um sorriso largo e muita animação que Juliana Paes desceu a escada de sua casa, em um condomínio na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, para receber nossa equipe em uma segunda-feira à tarde. Enquanto isso, o filho mais velho dela, Pedro, de 6 anos, brincava com um sabre de luz da saga “Star Wars” e com cartas do Pokémon. Falante e decidida, a atriz escolheu rá- pido três dos looks pré-selecionados pelos stylists para o ensaio desta edição e, uma hora depois, já de shorts e camiseta, sentou-se no sofá da sala para um bate-papo descontraído.

No início de abril, Juliana estreou sua segunda protagonista em uma trama de Gloria Perez, na faixa das nove. Após o sucesso absoluto de Maya em “Caminho das Índias”, que conquistou o Emmy de melhor novela em 2009, agora ela dá vida a Bibi em “A Força do Querer”. Os capítulos que já foram ao ar abordam questões que vão de sereísmo a transexualidade. “Reclamam que a Gloria escreve umas coisas bem loucas, mas a realidade é tão doida quanto a cção, ou mais”, diz.

A personagem de Juliana é livremente inspirada na história real de Fabiana Escobar, que cou conhecida como “Baronesa do Pó” após se casar com um dos maiores traficantes da favela da Rocinha e entrar para o mundo do crime. “Li o livro dela, ‘Perigosa’, e achei o máximo. Foi um supermaterial de pesquisa. Nos falamos via FaceTime, mas ainda não houve umencontro olho no olho. Espero que aconteça em breve”, torce a atriz, que se considera uma pessoa transparente e de bem com a vida, até nos momentos difíceis.

As gravações de “A Força do Querer” começaram no m de 2016, apenas seis meses após Juliana dar adeus à sua vilã em “Totalmente Demais”, e devem durar quase um ano. Bibi, que ao entrar para o trá co recebe a alcunha de “Perigosa”, é uma das oito protagonistas da novela. “São vários centros pulsantes que vão convergir em um grande historião. A Bibi é falastrona, pensa rápido e tem um jeito engraçado, como eu. Ela vem debater se os ns justi cam os meios, porque todas as ilicitudes dela ocorrem em nome do amor e da família. É uma mulher apaixonada, visceral, que dá força para o homem”, explica Juliana. Pela terceira vez, ela faz par romântico com Rodrigo Lombardi, no papel de Caio – mas se casa com o tra cante Rubinho (Emilio Dantas).

Se na TV a atriz interpreta uma criminosa, na vida real ela ajuda a combater um crime denunciado a cada 7 minutos no país: a violência contra a mulher. “Sou embaixadora da ONU para esse assunto desdeo ano passado. Defendo os direitos das mulheres e a igualdade de oportunidades, e coloco minhas redes sociais (o Instagram com 8,6 milhões de seguidores e o Facebook com 5,7 milhões de curtidas) à disposição para dar visibilidade a várias campanhas”, conta.

Juliana considera-se uma feminista não radical e acredita que muitas barreiras – como o patriarcado em diversas famílias – já foram derrubadas, enquanto outras – como a equiparação de salários – ainda não. “A gente tem muito mais para batalhar. É comum precisarmos provar, insistir (que merecemos ganhar o mesmo que os homens), a exemplo do que aconteceu com a atriz Robin Wright em relação ao Kevin Spacey na série ‘House of Cards’”, destaca.

Apesar de lutar por direitos iguais, a atriz de 38 anos aponta características que distinguem as mulheres dos homens. “A mulher é embaixadora do afeto, de um olhar mais complacente e vivo para perceber as sutilezas. A gente é capaz de ver através de vários prismas ao mesmo tempo, é uma habilidade múltipla. E isso tem que entrar no lugar do comando, do trabalho. Devemos sentar na cadeira de che a, sim, de salto alto, batom e sutiã. E viva a diferença entre os gêneros”, diz Juliana, que virou alvo de discussões recentes por conta de sua visão sobre os “excessos” do feminismo.


MÃEZONA EM DOSE DUPLA

A vontade de ser mãe já existia na atriz muitos anos antes do nascimento de Pedro, mas ela esperou o quanto pôde para se dedicar à carreira. “Nessa roda-viva de novelas, a gente acaba emendando um trabalho no outro. Quando terminou ‘Caminho das Índias’, em que tive muita exposição, inclusive na publicidade, vi que era uma boa hora para descansar a imagem e ter meus lhos”, lembra. Dois anos e meio após a vinda do primogênito, chegou o caçula, Antônio, que faz 4 anos em julho.

“Não pretendo engravidar de novo, estou legal assim. E sempre soube que teria lhos homens. O Antônio tem os meus olhos, já o Pedro lembra mais o meu marido (o empresário Carlos Eduardo Baptista, com quem Juliana está casada há quase nove anos). Os meninos são easygoing (tranquilos), mas têm gênios muito diferentes. Cada um puxou algo do meu temperamento”, avalia ela, que se de ne como uma “ariana de posicionamentos fortes e opinião sobre tudo”. “Acho que, quanto mais a gente fala, mais se entende. Quando você se posiciona de maneira clara, sem agredir ninguém, dá chance de o outro também se posicionar”, defende.

A atriz a rma que sempre tenta separar bem a cção da realidade, mas recorda que, quando viveu a matriarca Zana na minissérie “Dois Irmãos”, veiculada pela Globo em janeiro, o paralelo com as crianças em casa foi inevitável. “Era uma temática que eu estava vivendo. Quando comecei a preparação, em 2015, o Antônio ainda era bem pequeno, mas eu já passava por algumas questões sobre como lidar com um e com outro”, conta Juliana, que se considera uma pessoa de natureza criativa noturna, mas tenta se adaptar à rotina diurna dos pequenos.

Ela garante, porém, que nunca foi uma mãe apegada, como a dos personagens gêmeos Omar e Yaqub. Pelo contrário: “Crio meus lhos bem soltos, para o mundo. Mas há disciplina nos horários. Eles vão para a cama às 20h30”. Filha de uma professora primária e de um militar, e a mais velha de quatro irmãos, a atriz revela que também foi educada dessa forma. “Era um solto com controle. Na adolescência, eu ia dormir na casa de uma amiga, abria a janela e lá estava o carro do meu pai. Quando comecei a frequentar matinês, ia para a varanda e percebia meu pai do outro lado da rua, procurando com quem eu estava. Praticamente um espião”, brinca.

A rigidez em casa se estendia aos estudos, mas Juliana a rma que sempre foi boa aluna. “Sou formada em publicidade pela ESPM, era bolsista, então minhas notas precisavam ser todas acima de 7,5. Eu também trabalhava para pagar os outros 50% da faculdade”, lembra. Nas férias, há quase 20 anos, ela apareceu pela primeira vez na TV, como gurante de “Malhação”. “Fazia isso para pagar o curso. Quando entrei na novela (‘Laços de Família’, em 2000, no papel da empregada Ritinha), tive ajuda dos professores”, diz.

Sempre confiante e sem medo de errar, desde a escola era Juliana quem puxava o coro e levantava a galera. “Tenho essa coisa de tomar a frente, de agregar as pessoas e mediar con itos. Sempre fui assim”, aponta a atriz, que adora viajar com a família. Nascida em Rio Bonito, Juliana cresceu entre Niterói e São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. “A gente sempre foi muito nômade, mudei tanto que perdi as contas”, a rma. Hoje seus pais são separados, mas a família ainda é bem próxima. “Eles chegam sem avisar, não tem cerimônia. Nem para ir embora”, ri.


EXERCÍCIOS SEM NEURA

Para de nir o corpo, Juliana faz treinos diários de 45 minutos, geralmente pela manhã. “Gosto de exercícios curtos e intensos. Isso funciona para mim, co acelerada o dia todo”, conta. A atriz também costuma variar os estilos para não enjoar. “É chato fazer sempre a mesma coisa na academia, saber exatamente como vai ser. Tenho dois coaches e peço para eles mudarem os estímulos”, acrescenta ela, que pratica muay thai, dança e treina na areia do condomínio, mas também faz meditação para relaxar.

Sobre alimentação, Juliana jura que come de tudo e não sabe o que é dieta. “Vou fazendo compensações, sem neurose. Quando estou a m, com um objetivo a mais para uma sessão de fotos ou porque relaxei no m de semana, intensi co os treinos”, a rma a atriz, que deu uma “engordadinha” no ano passado para interpretar no cinema a protagonista de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, cuja estreia está prevista para o segundo semestre, com direção de Pedro Vasconcelos.

Depois de “Gabriela”, que foi ao ar em 2012 na faixa das onze, Juliana volta a interpretar uma personagem de Jorge Amado já vivida por Sonia Braga, em 1976 – desta vez, ao lado de Marcelo Faria e Leandro Hassum. “A Sonia é maravilhosa, minha musa inspiradora. Não houve uma cena de ‘Gabriela’ em que eu não pensasse nela. Claro que eu z a minha personagem, é meu corpo, minha voz, meu olhar. E são outros tempos”, destaca. “As pessoas perguntam se vou fazer todos os personagens que foram da Sonia. Se me oferecerem, aceito de bom grado. Dizem que temos uma personalidade e um colorido parecidos”, completa.

O Filme foi rodado no Rio de Janeiro e em Salvador, em meados de 2016. Juliana já havia sido chamada para ser Dona Flor no teatro, em 2008, ao lado de Marcelo e sob a mesma direção, mas não pôde aceitar o convite por causa das novelas. O papel acabou ficando com Carol Castro e Fernanda Vasconcellos. “Estava escrito que eu tinha que ser a Flor em algum momento, e foi no cinema. Há toda uma geração que não conhece essa história, e transformar literatura em audiovisual é muito prazeroso, principalmente Jorge Amado, que é um xodó para mim”, ressalta Juliana, que já se prepara para rodar outro longa após “A Força do Querer”, mas ainda não dá detalhes do novo projeto.

“Hoje me jogo de peito aberto. A maturidade que adquiri me permite isso, sem ficar com tanto medo das críticas. Elas não mexem mais comigo a ponto de eu mudar meu comportamento, trabalho ou a forma de encarar um personagem. Meu senso crítico me ajuda a ltrar e a não aceitar ser a bola da vez de todo mundo que tem um blog e quer falar alguma coisa”, naliza a artista, que tem aprendido a encontrar o equilíbrio e a viver em paz em uma rotina que exige o máximo dela.

POR . LUNA D’ALAMA
FOTOS . SERGIO BAIA
STYLIST . ALÊ DUPRAT E RODRIGO GRUNFELD
BEAUTY . ALE DE SOUZA

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