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Domingo, 19 de Novembro de 2017

A FLORIPA DE GUGA

MORADOR ILUSTRE DE FLORIANÓPOLIS, GUSTAVO KUERTEN NOS CONDUZ EM UM PASSEIO POR SUAS PRAIAS E RESTAURANTES PREFERIDOS, REVELANDO AS BELEZAS E AS DELÍCIAS DA CAPITAL CATARINENSE.

Se pudesse escolher um local para nascer de novo, Gustavo Kuerten não teria dúvidas: ele voltaria para Florianópolis. Com a experiência de quem já percorreu cada pedacinho da ilha, Guga é um embaixador voluntário das belezas da capital de Santa Catarina – e nos recomenda as melhores atrações. Descobrimos paraísos de água cristalina, paisagens intocadas, comunidades de arquitetura açoriana e o melhor da gastronomia local, especializada em frutos do mar.

“Esta ilha é especial. É mágica. Tanto do lado de beleza como do imaginário, dos contos, das fábulas. Cada cantinho é diferente”, destaca Guga, evocando o folclorista Franklin Cascaes. Há mais de 100 anos o pesquisador da cultura açoriana catalogou uma série de lendas na região. São causos de bruxas e lobisomens que faziam parte do imaginário popular e originaram a expressão Ilha da Magia – apelido que sintetiza com perfeição toda a mística e exuberância de Floripa.

Nossa primeira parada é a Ilha do Campeche, na costa leste. Trata-se de um dos segredos mais bem guardados da capital – tanto que não é todo manezinho que já viu essa água caribenha de perto. O transporte é feito por quatro associações de pescadores e barqueiros, com saídas das praias da Armação, Campeche e Barra da Lagoa. Patrimônio Arqueológico e Paisagístico Nacional, a ilha recebe no máximo 800 visitantes por dia.

O passeio de barco já vale a pena. É possível admirar os contornos de Florianópolis, deixando para trás suas elevações de mata verde, longas faixas de areia e colônias pesqueiras que marcam o sul da ilha. A chegada à Ilha do Campeche é igualmente impactante. Palmeiras Jerivá despontam na vegetação e o mar torna-se cada vez mais límpido. Um náufrago desavisado pensaria que chegou ao Caribe.

“É uma das águas mais claras do Brasil”, exalta Guga. “Já fui várias vezes e dá vontade de voltar sempre. É um passeio super divertido e realmente marcante. Um local que tem que ter aquele asterisco no mapa”, brinca. “Junta essa beleza de Florianópolis, que sempre existiu, com um cuidado atual de preservação da natureza. É sensacional. Uma tarde que passa voando.”

Na ilha, monitores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) orientam os turistas. A visitação é permitida das 9h às 17h e um único restaurante funciona no local. Além dos 400 metros de praia de ondas tranquilas, é possível realizar trilhas subaquáticas. A visibilidade da água chega a 10 metros, revelando um universo multicolorido de peixes e corais.

Mas a Ilha do Campeche vai além do cenário paradisíaco. Ela é um importante sítio arqueológico, com a maior concentração de gravuras rupestres do litoral brasileiro. Ao longo de trilhas monitoradas, deixamos o Caribe e entramos no túnel do tempo. O lado voltado para mar aberto abriga 167 inscrições, como triângulos e círculos marcados em rocha por povos ancestrais.

A origem das gravações é desconhecida. Possivelmente foram feitas pelo Homem do Sambaqui ou pelos Jês Meridionais, povos que habitaram a região há centenas de anos. As Máscaras Gêmeas, inscrição mais famosa, revela na rocha duas faces iguais, lado a lado. Seu significado, no entanto, segue indecifrável. Mistérios da Ilha da Magia.

Toda preocupação ambiental observada na Ilha do Campeche contrasta com o histórico da região. Ali, nas praias da Armação e do Matadeiro, centenas de baleias francas foram caçadas entre 1772 e 1963 para a extração de óleo. A própria Ilha do Campeche era um local estratégico de observação. Mas hoje, como que redimida do passado, a ilha é um exemplo de preservação ambiental. E as baleias podem nadar tranquilas por ali.

ENCANTOS DO LITORAL SUL

Seguimos rumo ao Pântano do Sul. É ali que começa a trilha da Lagoinha do Leste, com uma hora de duração por 2,2 km de vegetação densa. A subida é íngreme, mas a trilha é bem assentada. E o final compensa o esforço. A Praia da Lagoinha do Leste conserva Mata Atlântica nativa, exibindo uma faixa de areia branca rodeada por costões e cortada pela foz de um rio, em um cenário selvagem e exuberante.

Muito procurada por surfistas, que aproveitam a força das ondas vindas do mar aberto, é o local ideal para um contato direto com a natureza. “Já fui diversas vezes lá para surfar. É uma praia mais escondida, precisa de um esforço maior. Mas vale a pena. O visual é fantástico. Uma praia totalmente preservada e virgem. Praia, mata, rio, cachoeira... É fascinante”, descreve Guga.

Se sobrar fôlego, suba por meia hora até o Morro da Coroa, com suas pedras se projetando para o mar. De lá é possível ter uma visão privilegiada deste pedacinho intocado da ilha.

Agora vamos mais ao norte – mas ainda no sul da ilha –, até o Morro das Pedras, que leva este nome, adivinhe, pelas pedras em seu costão sul. “Ali é o solzinho que nasce na cara do gol. Tem uma onda bem especial, com bom vento. É uma parte meio rústica da ilha, com fazendinhas perto da praia”, comenta Guga. “A gente percebe essa força da natureza. Do mar vibrante, da energia que a ilha tem. E o milho e o caldo de cana ali na curva da estrada são sensacionais!”

Subindo uma colina em frente à Casa de Retiro Vila Fátima, convento jesuíta construído em 1956 (com pedras do Morro das Pedras), um mirante exibe vista privilegiada da costa leste de Floripa. De um lado, a Lagoa do Peri, com seus 5 km² de espelhos d’água doce. Do outro, uma longa faixa de areia branca margeada por mata nativa e morros verdes.

DELÍCIAS DA ILHA

Da costa leste, seguimos para a costa oeste, voltada para o continente, onde apenas cinco quilômetros separam um lado do outro. Nosso destino é o Ribeirão da Ilha, comunidade marcante pela arquitetura açoriana preservada, com casinhas coloridas construídas nos séculos 18 e 19. O bairro é um importante polo gastronômico especializado em frutos do mar.

“O Ostradamus é imperdível. A ostra lá é de lamber os beiços, meu pai amado!”, recomenda Guga, no melhor sotaque “manezês”. “Além disso, o ambiente é incrível. Já vale como passeio pelo Ribeirão da Ilha, que é sensacional”. O restaurante do chef Jaime José de Barcelos fica em um imenso casarão açoriano, com um píer adentrando o mar.

A especialidade, é claro, são as ostras de cultivo próprio e em várias opções: natural, ao bafo, gratinada, ou até mesmo em receitas mais elaboradas com gengibre, azeite, mel e conhaque ou queijo brie, manga e maçã. O restaurante também serve outros frutos do mar, como camarões, lulas e polvos, além de peixes, como garoupas e anchovas.

Guga é um entusiasta da gastronomia da ilha. Tanto que virou sócio em dois restaurantes: o Santa Cucina, no Centro, e o Jay Bistro, em Jurerê, ambos em parceria com o chef capixaba Eudes Rampinelli. “Sou até suspeito para falar”, confessa Guga. “O Eudes me atendeu em casa por oito meses após uma cirurgia. Tive esse privilégio. Até brinco que depois que ele abriu os restaurantes eu perdi esta mamata.”

O Santa Cucina fica no andar térreo do Novotel, em localização privilegiada na Beira-Mar Norte. Chama a atenção pelo imenso bar logo na entrada, especializado em drinks (são 12 rótulos de gin), além do alto padrão de atendimento. O foco é a gastronomia italiana moderna e criativa. “Minhas dicas são o carpaccio e o nhoque recheado de ossobuco”, indica Guga.

No Centro, outro destaque é a Rita Maria Lagosteria, em um casarão antigo próximo à Ponte Hercílio Luz (em etapa final de restauração), decorado com redes e arpões. “O chef Narbal [Corrêa] é uma referência. É um mergulhador profissional que conhece tudo do fundo do mar e da culinária”, exalta Guga. Prove a Sinfonia de Frutos do Mar, combinado de ostra, lagosta, vieira, camarão e peixe. Cada um preparado com uma técnica. Um mais saboroso que o outro.

Agora cruzamos a ilha rumo ao norte. Em Jurerê Internacional fica o premiado Jay Bistro, com cozinha contemporânea focada em frutos do mar e ambiente sofisticado. “Sou fã de carteirinha. A dica do polvo e das vieiras é certeira. Para quem gosta de carne, recomendo o ossobuco”, sugere Guga. Ele sabe o que fala. O Polvo Thai vem no ponto exato. Macio, crocante, levemente defumado. Já o Ossobuco, marinado por dois dias e assado por oito horas, desmancha na boca.

TODO AGITO DO NORTE

Famosa por suas mansões e Ferraris na alta temporada, Jurerê Internacional é outro passeio que o tenista recomenda. “Foi o primeiro bairro planejado de Floripa, um exemplo em termos de pensar antes para usufruir depois. E isso aconteceu há mais de 20 anos”, destaca. “Também é um polo de entretenimento gigantesco, que colocou a ilha em outro patamar.”

Apesar do glamour de suas mansões, Jurerê Internacional é democrática. Acolhe visitantes ilustres que chegam de helicóptero, jovens em busca de diversão nas baladas e beach clubs locais, além de famílias interessadas na praia de águas calmas, rasas e temperatura agradável.

A última parada no roteiro do guia Guga é no extremo norte, a 35 km do Centro. A vista do alto, antes de chegarmos à Praia Brava, já encanta. “É uma praia especial. O tamanho, os dois costões muito fechados, a areia bem branquinha e as ondas poderosas”, descreve Guga, que frequenta o local desde pequeno, quando a estrada ainda era de terra.

Hoje, a Brava oferece boa infraestrutura, além de ser palco de diversas festas. São quase 2 km de areia fina, banhadas por ondas agitadas, ideais para o surfe. “É um local onde sempre me senti muito bem. É encantador. E faz parte da minha história. Eu quase me afoguei lá. Mas nem por isso deixei de gostar e de voltar. Lá aprendi a respeitar a força da natureza.”

Manezinho com orgulho, Guga faz questão de ressaltar seus conterrâneos. “O povo daqui recebe muito bem. Tem uma gentileza muito desenvolvida. É fácil de acolher, de se relacionar. Cultiva um estilo de vida de volta ao simples”, define. “O mané é mais desapegado das coisas. É mais abraçado na vida, nos sentimentos, nas pessoas. É muito genuíno nessa ideia do que realmente vale a pena.” Guga escolheu mesmo o lugar certo para nascer.

FOTOS · PHOTOS FLAVIO TERRA E MAKITO/SANTUR

Felipe Seffrin
Felipe Seffrin
Colaborador

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