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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

A MAIOR E MAIS CONHECIDA PORÇÃO DE TERRA DO ARQUIPÉLAGO DE ANGRA DOS REIS (RJ) TEM ÁGUAS TRANSPARENTES E QUENTINHAS, TRILHAS, CACHOEIRAS E SINAL RUIM DE CELULAR, PARA DESCONECTAR MESMO

É comum ouvir histórias de amor eterno na maior ilha de Angra dos Reis, no sul do Rio de Janeiro. São pessoas que deixaram tudo para trás em suas cidades de origem em troca de uma

vida mais simples e tranquila. O carioca Walmir Fernandes dos Santos, de 54 anos, ilustra esse enredo. Após visitar Ilha Grande pela primeira vez, aos 18, apaixonou-se e desistiu da carreira militar. “Chutei o balde. Vim construir minha pousada e aprender a mergulhar”, conta Walmir, mais conhecido como Pillel – apelido dado pelos amigos que achavam que ele estava ficando “pinel” ao sair da capital.

A paisagem quase intocada da região de Mata Atlântica, com seus coqueiros e castanheiras, é um dos motivos para a ilha de 7 mil moradores atrair cerca de 450 mil visitantes por ano, entre brasileiros, argentinos, franceses, australianos e várias outras nacionalidades. Com toda essa mistura étnica e cultural, é comum ver as pessoas se esforçando para falar em diferentes idiomas.

Disposição e espírito de aventura são bem-vindos na Ilha Grande, mas existem opções bem democráticas para conhecer todos os cantos dela. Como o tráfego de veículos é proibido, pode- se percorrer várias praias de barco ou a pé, por trilhas que levam de 40 minutos (como a que chega até a pequena praia do Abraãozinho, passando pela da Crena) a 12 horas (até a do Aventureiro). Os fãs de maratonas concluem a volta à ilha a pé em cinco dias.

Águas claríssimas, de tom azul-esverdeado e temperatura agradável estão espalhadas por toda a região, mas os recantos do sul são os mais preservados. Lá ficam três das quatro unidades de conservação local: a Reserva Biológica da Praia do Sul, o Parque Estadual Marinho do Aventureiro e o Parque Estadual da Ilha Grande, cujo acesso é permitido apenas a pessoas autorizadas. Para evitar superlotações e problemas de exploração, o governo estadual estuda cobrar uma taxa diária aos visitantes da ilha, a exemplo do que já ocorre em Fernando de Noronha.

PARA SE AVENTURAR

De trilha até a Vila de Dois Rios – onde já funcionaram um instituto penal e, anteriormente, fazendas de café e açúcar, com escravos trazidos da África –, são cerca de 9 quilômetros caminhando desde o Abraão, em um percurso intenso de 2h30. A praia tem um quilômetro de extensão, um rio em cada ponta – daí o nome – e pouco mais de cem moradores, a maioria funcionários da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que tomam conta da área. Não há como voltar de lancha nem dormir por lá, razão pela qual os turistas devem reunir forças para retornar antes do pôr do sol.

Ainda no sul da Ilha Grande, destacam-se as praias de Lopes Mendes, Caxadaço, Parnaioca e Aventureiro. Lopes Mendes foi eleita, em 2013, a sétima melhor do mundo em um concurso do site TripAdvisor. Selvagem e deserta, não tem nenhum tipo de comércio ou banheiro. A faixa de areia clara se estende por 2,4 quilômetros e as ondas são fortes, ideais para surfistas, o que destoa das "piscinas" de água salgada do norte da ilha.

O acesso a Lopes Mendes pode ser por barco ou trilha de 10 quilômetros, percorridos em cerca de duas horas. No trajeto a pé, que tem nível médio de dificuldade, os caminhantes passam ainda pelas praias Grande, da Aroeira e de Palmas, onde se recomenda um mergulho refrescante antes de seguir viagem.

Na praia do Caxadaço, uma baía de apenas 15 metros de extensão entre Lopes Mendes e Dois Rios, o destaque é uma pedra de cerca de 5 metros de altura, de onde saltam os mais destemidos em direção ao mar. O jeito mais fácil de conhecer o local é de lancha, por meio do passeio de volta à ilha oferecido pelas agências no Abraão.

A rota também inclui a preciosa Parnaioca, uma praia de um quilômetro de extensão e mar agitado, com o Rio Parnaioca na extrema esquerda – para quem desembarca. O rio, aliás, renderia um capítulo à parte, com suas águas geladíssimas e de tom amarelado, que escorrem de cachoeiras lá do alto da montanha e convidam a um banho na lagoa que se forma nessa região afastada e sem rede elétrica.

Mas a menina dos olhos da Ilha Grande é a paradisíaca praia do Aventureiro, com seu famoso coqueiro, cujo tronco forma uma curva de noventa graus, onde turistas se aglomeram para tirar a melhor selfie. Ao fundo do cartão-postal, formam-se piscinas naturais. A vila reúne quase cem moradores fixos (a maioria, pescadores), e o acesso só é liberado a alguns barcos, pois o percurso é feito em mar aberto.

Para quem for por trilha até o Aventureiro, há campings oficiais e aluguel de quartos em casas de moradores. É mais uma região sem sinal de celular e onde energia elétrica é considerada artigo de luxo – assim como em toda a Ilha Grande –, com geradores que funcionam normalmente até as 22 horas. No Abraão, a luz é constante, mas costuma haver oscilações na alta temporada.

ENFEITIÇADOS

A variedade de passeios na Ilha Grande é enorme e inclui trilhas até cachoeiras, como a da Feiticeira. Leva cerca de 1h30 andando por uma estrada íngreme, cercada de bambuzais, borboletas e sons de vários bichos. Logo no início da caminhada, pode-se ver o que sobrou do imponente aqueduto que abastecia o hospital de isolamento Lazareto, desativado em 1913 e destruído nos anos 1960.

Algumas paradas ao longo do trajeto fazem-se necessárias, para tomar água, comer algo e recuperar o fôlego. Quase no fim, há uma bifurcação: se virar à esquerda, você para na cachoeira; se optar pela direita, vai direto para a praia da Feiticeira. Os incansáveis partem rumo à queda d’água de 15 metros.

O trecho final em direção à cachoeira parece o mais difícil, com muitas subidas e batimentos acelerados. Mas o esforço compensa: a Feiticeira proporciona um banho gelado e energizante. Refletidos nas pedras e nas piscinas de água doce que se formam, arco-íris quase nos fazem acreditar que o pote de ouro está ali mesmo.

O percurso ainda pode continuar até a praia, em uma série de descidas que exige atenção. Chegando lá, uma água de coco e um banho de mar ajudam os caminhantes a se hidratar e refrescar. Se você tiver pique, volte pela trilha; senão, pague R$ 20 por uma lancha que atraca, em dez minutos, no cais do Abraão.

O CARIBE É AQUI

O passeio pelo norte da Ilha Grande, feito no trajeto chamado de “meia volta”, abrange a Lagoa Azul e a Lagoa Verde, dois lugares cinematográficos de água transparente, ideais para a prática de snorkeling. A maioria das agências oferece equipamento de mergulho, com o qual é possível ver peixes coloridos, cardumes prateados, corais, ouriços e outros seres marinhos.

Para além dessas terras, ficam as “ilhas paradisíacas” de Angra, em alto-mar. Uma programação de um dia inteiro percorre as exuberantes Botinas e Cataguases e a praia do Dentista. Mais uma parada para ficar frente a frente com peixinhos, relaxar, tirar fotos de causar inveja nas redes sociais e presenciar um “engarrafamento” de iates e lanchas no verão.

Do fundo do mar ou do alto do céu, a vista em Ilha Grande é sempre incrível. Um dos pontos mais elevados da região é o Pico do Papagaio, rocha que lembra o formato dessa ave e tem quase mil metros de altitude. Do topo dela, até o qual se chega por uma trilha de cerca de quatro horas (a saída é às 2 horas da manhã e a chegada, a tempo de ver o nascer do sol), tem-se uma visão panorâmica de toda a ilha e também de Angra dos Reis – com tempo aberto, observa-se até mesmo a Pedra da Gávea, na zona sul do Rio de Janeiro.

O QUE FICOU NA HISTÓRIA

No período do Descobrimento, habitavam a região índios tamoios e tupinambás, que batizaram o local de Ipaum Guaçu (literalmente, Ilha Grande). Séculos depois, entre 1886 e 1994, as mesmas terras abrigaram dois presídios: o Lazareto, um centro de quarentena para imigrantes com doenças contagiosas, como a cólera, e o Instituto Penal Cândido Mendes, para quem havia cometido crimes comuns ou políticos. Foi só após a destruição das cadeias que o turismo deslanchou.

Nesse passado nada paradisíaco, as grades da Ilha Grande encarceraram presos da Segunda Guerra Mundial e personalidades, como os escritores Nelson Rodrigues e Graciliano Ramos, o político Fernando Gabeira e a drag queen Madame Satã, que morreu e está sepultada no Abraão. Atualmente, porém, esses registros históricos estão presentes apenas nas ruínas dos prédios e em um museu na praia de Dois Rios, onde há fotos e objetos usados pelos detentos.

COMO CHEGAR

DE CARRO OU ÔNIBUS até Angra dos Reis, Mangaratiba ou o distrito de Conceição de Jacareí. Desses três locais, saem barcas e lanchas diárias para Ilha Grande.

De avião até o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Lá, agências oferecem transfer porta a porta, que busca no aeroporto ou na zona sul e deixa em Conceição de Jacareí, de onde saem as embarcações para a ilha.
Servicos/telefones-uteis
www.ilhagrande.com.br

DICAS PRÁTICAS

- Programe-se para chegar a Angra ouConceição de Jacareí antes das 18h,quando saem os últimos barcos paraa Ilha Grande;

- A barca da concessionária CCR leva1h20 na travessia. Os flex boatsfazem o percurso em meia hora;

- Prefira a baixa temporada, de março a novembro. Os preços estão mais baixos e a ilha, mais vazia;

- Leve dinheiro, pois não há bancosnem caixas eletrônicos na ilha.Apesar de a maioria dos lugares aceitar cartões, há quedas de energia (que desligam as maquininhas) e descontos para quem paga em dinheiro;

- Inclua em seu kit básico: protetorsolar, repelente, óculos de sol,chapéu ou boné, roupa de banho,canga e lanterna (para as trilhas equedas de energia);

- Leve água e lanche para os passeios,pois as paradas para almoço àsvezes ocorrem só após as 16h;

- Reduza seu lixo e recolha tudo dastrilhas e praias. A ilha não tem aterrosanitário nem tratamento de esgoto.Todo o lixo é recolhido e levadodiariamente para Angra;

- Não espere trabalhar ou ficar super conectado: o wi-fi no Abraãofunciona mal, mesmo nas pousadasde alto padrão.

PASSEIOS

LANCHAS ILHA GRANDE (LIG)
A agência faz passeios de meia-volta à ilha, volta inteira e ilhas paradisíacas de Angra, entre outros. Cada lancha comporta até 15 pessoas. Também organiza roteiros personalizados, com paradas exclusivas, para grupos fechados.
Rua Alice Cury (Rua da Igreja), 94
Vila do Abraão (24) 99836-5302
www.lanchasilhagrande.com.br
www.facebook.com/lanchaslig
Instagram: @lanchasilhagrande

ONDE FICAR

POUSADA D’PILLEL
Foi construída ao longo de quatro anos e hoje concentra 11 suítes, oito delas com varanda e rede para descansar. O jardim onde se toma café tem um toque indonésio, e a decoração foi trazida de lá. Reúne casais e estrangeiros que gostam de curtir também o local onde estão hospedados e não só os passeios.
Rua do Bicão, 51
Vila do Abraão
www.ilhagrandedpillel.com.br

ARATINGA INN
Vencedor do Prêmio de Excelência do TripAdvisor por cinco vezes (2011- 2015), esse hotel-boutique é um recanto de paz e tranquilidade, cercado de natureza. Há suítes a partir de R$ 400 na alta temporada e de R$ 380 na baixa (julho e agosto). Ficará fechado entre maio e junho.
Rua das Flores, 232
Vila do Abraão
www.aratingailhagrande.com.br

POUSADA TAGOMAGO
Batizada com o mesmo nome de uma ilha particular na costa de Ibiza, na Espanha, a pousada fica em uma parte mais alta do Abraão, já no canto da praia. Seus cômodos em madeira são bem arejados e confortáveis, com vista panorâmica da enseada. Fica a 10 minutos de caminhada do centro da vila e a 50 metros de restaurantes à beira-mar.
Rua da Praia, 121
Vila do Abraão
www.ilhagrandetagomago.com

ONDE COMER

LUA E MAR
De frente para a praia do Abraão, o charmoso bar-restaurante é ideal para curtir um fim de tarde com o pé na areia ou um jantar à luz de velas. As caipirinhas de frutas são uma ótima pedida, por R$ 15. Os pratos favoritos dos clientes são o peixe com banana e camarão (R$ 165, para dois), a moqueca mista (R$ 175) e o filé de badejo com molho de maracujá (R$ 160).
Rua daPraia,279
Vila do Abraão
(24)3361-5113

DOM MARIO
Cercado por árvores e plantas, oferece um ambiente mais intimista, longe do agito da praia. Seu carro-chefe é o filé mignon ao molho de gorgonzola (R$ 155, para dois), mas o camarão ao molho basílica com batata sauté (R$ 155) e o camarão ao alho (R$ 92, foto) também têm bastante saída. Entre os drinks, destaque para a caipirinha de maracujá com manjericão (R$ 14).
Travessa Bouganville, s/n
Vila do Abraão
(24) 3361-5349

POR. LUNA D'ALAMA
FOTOS, ALEXANDRE NASCIMENTO, LUNA D'ALAMA E JOTA BARROS

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