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Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

DE BÚZIOS PARA O MUNDO

A PENÍNSULA DE BÚZIOS TEM MAIS DE 20 PRAIAS, COM MAR GELADO DE UM LADO E MORNO DO OUTRO. O SOL APARECE QUASE O ANO INTEIRO NO DESTINO QUE ATRAI MUITOS ESTRANGEIROS ENTRE SEUS 30 MIL HABITANTES – ORA APAIXONADOS PELO CLIMA PRAIANO DE INTERIOR, ORA SAUDOSISTAS DOS TEMPOS DE BRIGITTE BARDOT.

O balneário que ficou famoso após a curta temporada de Brigitte Bardot nos anos 1960 mudou muito desde seus anos dourados, época em que Búzios ainda era uma vila de pescadores pouco conhecida. A passagem da atriz francesa divulgou a beleza das praias para o mundo, despertando a curiosidade de estrangeiros e brasileiros por essa península localizada a 175 quilômetros do Rio de Janeiro. Desde então, muitos se mudaram para lá, transformando a vida pacata à beira- mar em destino de boas pousadas e restaurantes com chefs que surpreendem com alta gastronomia.

Uma primeira caminhada pela orla revela várias esculturas públicas de bronze feitas por Christina Motta, artista que faz parte da história da cidade tanto quanto Brigitte. Em 1991, a escultora vendeu sua casa em Londres e decidiu curtir uma temporada na coleção de praias quase intocadas. “Nesse mundo tão louco de hoje em dia, acho simpático morar em um lugar pequeno. Se por um lado Búzios está melhor por ter mais estrutura, por outro eu gostava da coisa rústica”, comenta Christina, moradora de Búzios há 25 anos e autora da escultura cartão-postal de Brigitte sentada em um banco na Orla Bardot.

Feliz por viver em uma cidade onde ainda existe a vendinha que anota suas compras em uma caderneta de papel, Christina fincou raízes na colina da Praia de Manguinhos. Do alto, a artista plástica contempla a vista da orla que, segundo ela, é um atrativo que ninguém pode alterar: o marzão azul, as rochas, as árvores e o sol que faz a água brilhar. Contemplar do alto é a preferência de muitos moradores buzianos, que assistem à paisagem mudar como em um vídeo em câmera rápida.

Incrustrado no Morro do Humaitá que beira a Orla Bardot, o hotel boutique Casas Brancas tem o privilégio de estar no meio do burburinho, mas na parte alta da encosta, onde é só sossego e vistas arrebatadoras. Um dos donos do negócio familiar que começou como casa de veraneio é o argentino Santiago Bebianno, que faz parte dos 20% da população de estrangeiros que um dia encontraram o balneário no mapa. Ele e a irmã herdaram o bom gosto da mãe, Amália, e o casarão de arquitetura grega, além da paixão por viajar e garimpar peças únicas pelo mundo.

Da varanda do restaurante 74, que tem um deck sobre a praia da Armação, Santiago aponta para o enorme quadro com a foto da atriz francesa Brigitte Bardot, pendurado na entrada do espaço comandado pelo chef Gustavo Rinkevich, especializado em culinária basca. “Comprei em Paris e deixei na casa de uma amiga por um tempo até conseguir importar”, lembra ele, citando também as luminárias de Marrocos e tantas outras peças que vieram de outros continentes.

As 32 suítes contam com decoração única e esbanjam conforto e mimos, que vão de banheira na varanda a chuveiro com vista para a praia. O café da manhã tem buffet farto e saboroso com uma das mesas dedicada a sucos, tapiocas, grãos e sobremesas mais saudáveis. Cada momento no restaurante de alta gastronomia aberto ao público, e também nas espreguiçadeiras de costas para a piscina e de frente para o mar, é embalado pela trilha sonora com versões de clássicos, como “Feeling Good”, da Nina Simone, e “Come Together”, dos Beatles. Aliás, reza a lenda que John Lennon propôs um encontro com Brigitte Bardot durante sua turnê em Paris, mas ela estava curtindo as férias em Búzios.

PENÍNSULA PARADISÍACA
Da estrada no alto da montanha, as praias Azeda e Azedinha parecem intocadas com as cores fortes do verde da mata, azul do mar e branco da areia. Atrás de selfies e fotografias que garantem muitas curtidas, uma escadaria de madeira reciclada contorna as pedras da encosta que rodeia a orla. A descida íngreme conduz a uma praia menos poética. Ruínas de uma casa abandonada emolduram a pequena faixa de areia ocupada por cadeiras e guarda-sóis coloridos de propriedade dos bares.

A vista do mar é deslumbrante, mas o mergulho pode ter mais sossego a bordo da traineira batizada de “Be Happy Boat”, do barqueiro Pierre. Ele é buziano, mas filho de pai suíço e mãe inglesa, que também vieram para o balneário atrás de sombra e água fresca – essa dupla que move montanhas. Com serviço de bordo que inclui espumante, caipirinha, frutas e snacks, o comandante da pequena embarcação de madeira pintada de azul e branco liga o radinho com clássicos do samba. O vento do alto mar traz o inexplorado, as encostas, as grutas entre enormes rochas e os cantos de areia ainda virgem.

Pierre explica que muitos nomes das praias de Búzios derivam da extinta pesca baleeira. Armação, Ossos e Azeda têm a ver com a armação baleeira, os ossos da baleia e o azedume que se acumulava na água após a morte do animal. Mesmo com praias lotadas em fins de semana e feriados, cenas de filme ainda são realidade no litoral. “Já acordei no barco atracado na Praia dos Ossos e dei de cara com uns 80 golfinhos. O legal de Búzios é que tem bastante opção de praia e você pode escolher uma diferente todo dia. Geribá é linda de manhã cedo, antes de encher. Zé Gonçalves é boa para surfar – não tanto quanto Geribá – e fica no meio da mata de uma APA (Área de Preservação Ambiental)”, descreve.

Já Mônica Villela, jornalista carioca frequentadora de Búzios há 20 anos, gosta da beleza da Praia Ferradurinha, do outro lado da península. “E se a ideia for ficar no meio do nada, também tem a Tucuns, mais afastada e ainda selvagem”, indica. Entre tantas praias que se distinguem pela força ou ausência de ondas, pela temperatura da água ou vegetação ao redor, a Praia Brava rouba a cena quando o assunto é alta gastronomia e pé na areia. Instalado no gramadão que cerca a praia, o Rocka Beach Lounge tem ambiente rústico com serviço de primeira, além de cardápio de culinária mediterrânea, também assinado pelo chef Gustavo Rinkevich.

CENTRINHOS COM VISTA
O calçadão da Orla Bardot, que beira a Praia da Armação, praticamente desemboca na famosa Rua das Pedras. O caminho é como uma passarela entre bares, cafés e galerias de arte, incluindo a casa onde morou a sempre presente Brigitte Bardot no verão de 1964 e hoje abriga um restaurante e uma pousada. Grandes marcas, como Havaianas e Chilli Beans, também enfileiram-se ao lado de lojas de lembrancinhas, que vão de camisetas a canecas, encontradas à exaustão em qualquer parte do mundo.

Mas também há espaço para peças únicas de artistas e estilistas locais, como é o caso da Âmbar de Búzios, localizada na Travessa dos Arcos, uma viela da Rua das Pedras. A loja de esquina tem dois andares com peças de decoração selecionadas por Luiz Randon em diferentes cidades, inclusive na comunidade local. Bem em frente ficam mais três esculturas de bronze de Christina Motta: uma menina pegando água no chafariz, um garoto buscando uma pipa no alto do poste e um gato no telhado. São detalhes quase escondidos que mostram porque Búzios pede uma caminhada sem pressa, revelando obras de arte a céu aberto.

Em outro cruzamento da Rua das Pedras fica a Travessa dos Pescadores, endereço do Gran Cine Bardot, do proprietário argentino Mario Rios. Com o charme dos cinemas de rua de antigamente, o espaço tem café e livraria logo na entrada, além de uma sala com pouco mais de 100 poltronas exibindo filmes lançados há pouco tempo, mas que quase não entram em cartaz nas grandes redes de cinema. Em novembro, Mario organiza o badalado Festival de Cinema de Búzios, ocupando também a Praça Santos Dumont com um telão ao ar livre.

Enquanto alguns lugares preservam o charme retrô, outros foram incorporados à paisagem há menos tempo. Criado ao redor do Cais de Manguinhos em 2006, o complexo do Porto da Barra reúne galerias de arte, lojas de roupas, bares, restaurantes e até uma peixaria da colônia de pescadores em uma extensa área verde que preserva um mangue cheio de caranguejos. Mesas ao ar livre rodeadas por árvores típicas da região, como amendoeiras e aroeiras, têm vista imperdível para o píer que adentra o mar e atrai barquinhos. “É uma cena bem buziana”, diz Mônica Villela, fã do balneário dourado que se reinventa década após década.

Camila Balthazar
Camila Balthazar
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