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Quinta-feira, 29 de Junho de 2017

O IMENSO ESTADO DO MATO GROSSO CONTA COM TRÊS DOS SETE BIOMAS DO PAÍS, SENDO UM BOM EXEMPLO DA VARIEDADE DE PAISAGENS QUE O BRASIL APRESENTA. EM NOSSA VIAGEM, EXPLORAMOS A CHAPADA DOS GUIMARÃES E SUA VIZINHA NOBRES, DUAS REGIÕES COM CENÁRIOS SINGULARES E NATUREZA ABUNDANTE.

Desembarcamos em Cuiabá e seguimos por 65 quilômetros pela MT-251, subindo e fazendo curvas leves, até chegar lá em cima, no alto do platô onde fica a Chapada dos Guimarães. A vista é espetacular, com a planície pantaneira e seus infinitos tons de verde. Quase 19 mil pessoas vivem na pequena e charmosa cidade, que tem o turismo como sua principal fonte de renda.

Diferentes lendas tentam explicar as paisagens de outro mundo, que vão de trilhas e cachoeiras com águas cristalinas a grutas e cavernas de arenito, incluindo a maior do Brasil. Mas, deixando os mitos de lado, o destino realmente emana uma energia forte dos cinematográficos paredões de arenito vermelho-alaranjado. A imponência da natureza faz com que qualquer um se sinta pequeno, e fica fácil entender a vontade dos moradores de justificar tamanha beleza de forma sobrenatural.

Essa é uma viagem que exige bom condicionamento físico para percorrer quilômetros de trilhas, além de jogo de cintura para encarar o clima imprevisível. É assim que as descobertas ganham mais valor, pois vêm acompanhadas daquela sensação boa de conquista. Protetor solar, repelente, água e comidas leves são itens importantes para ter sempre à mão, garantindo caminhadas tranquilas e seguras.

PAISAGEM DE CARTÃO-POSTAL

Começamos nossa viagem visitando o maior cartão-postal do destino, a Cachoeira Véu de Noiva. Sem custo para entrar ou necessidade de guia – uma raridade entre as atrações locais –, estacionamos o carro na sede do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e andamos 550 metros por um deck de madeira até chegar ao mirante. A magnífica queda d'água de 86 metros contrasta com os tons das rochas e da vegetação ao redor, deixando a cor da água “branca como véu” ainda mais forte.

Dá vontade de dar um mergulho e sentir a força da água de perto, mas não é permitido nadar na cachoeira ou acessá-la por baixo, devido ao risco de desmoronamento. O melhor horário para fazer esse passeio é no fim da tarde, quando as cores laranja, rosa, amarelo e roxo pintam o céu, até o sol se pôr lentamente no horizonte preenchido por cânions. Ao som ininterrupto da água, araras vermelhas sobrevoam o vale. Outro espetáculo logo entra em cena: o nascer da lua, contemplado nitidamente em noites de céu limpo.

Inaugurado em 1989, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães preserva cavernas, cachoeiras, morros e mirantes em uma área de mais de 300 mil metros quadrados. Alguns estão fechados por causa da preocupação com o ecossistema; outros, com exceção da Cachoeira Véu de Noiva, podem ser visitados com a presença de um dos mais de 130 guias credenciados, como a condutora Camilla Amorim, que acompanhou nossa aventura. A lista de profissionais pode ser encontrada no site Ecobooking (www.ecobooking.info).

Paredões rochosos de até 350 metros de altura preenchem a visão de diversos mirantes encontrados pela trilha rumo à Cidade de Pedra, passeio tranquilo de apenas 300 metros feito na presença de um guia. O formato dos cânions e das escarpas, que há milhões de anos estavam submersas no oceano, lembra o skyline de uma cidade. Nem a foto mais incrível consegue transmitir a emoção de estar em mirantes à beira do precipício, de frente para a imensidão de tons verdes e marrom-avermelhados.

ENERGIA RENOVADA

Também pertencente ao Parque Nacional, o Circuito das Cachoeiras conta com seis quedas d'água e duas piscinas naturais em um percurso total de seis quilômetros de ida e volta. A caminhada entre descidas e subidas íngremes quase desanima, até nos depararmos com a primeira cachoeira. Dali em diante, a vontade de dar mergulhos refrescantes nas próximas quedas vence qualquer cansaço.

A Cachoeira das Andorinhas ganha a cena com seus 18 metros de altura e paredões que abrigam ninhos desses pássaros, que se exibem voando de um lado para o outro. A água gelada cai bem depois de alguns quilômetros debaixo do sol. Quando a luz incide sobre a água, o cenário, já digno de superlativos, conta com a aparição especial de arcos-íris.

A 46 quilômetros da Chapada dos Guimarães, nosso último passeio no munícipio começou de manhãzinha na Fazenda Água Fria, já fora dos limites do parque e com paisagens completamente diferentes. A propriedade particular abre as portas para os visitantes percorrer, por dentro, as cavernas Aroe Jari e Kiogo Brado e conhecer a gruta Lagoa Azul. O percurso total de 13 quilômetros mistura a vegetação típica do Cerrado com a exuberante Mata Atlântica. A longa distância pode ser encurtada para quatro quilômetros pegando uma carona de trator adaptado.

Aroe Jari, cuja tradução na língua dos índios Bororos quer dizer “morada das almas”, é a maior caverna de arenito do país, com 1,5 quilômetro de extensão. Em época de seca, é possível percorrê-la a pé, sempre utilizando perneiras, um material de couro sintético que envolve as pernas para protegê-las de cobras. É difícil não se imaginar nos filmes de Indiana Jones ao andar no escuro, dar passos bem pensados – às vezes, pulando de pedra em pedra para evitar pisar nas poças d’água – e enxergar apenas com o auxílio de lanternas. A emoção e o friozinho na barriga são embalados pelo som de uma pequena cachoeira que se forma ali dentro.

A segunda atração é a gruta Lagoa Azul, que tem todo o seu interior preenchido por água. Como o nome sugere, quando o sol bate, vemos uma cor azul forte. Não é permitido nadar, mas a vista já compensa. Por último, encontramos a Kiogo Brado, com paredes estreitas de mais de 30 metros de altura, lembrando antigas catedrais e nos fazendo sentir minúsculos. Também é possível percorrer seus quase 300 metros a pé, sem encostar nas paredes que afunilam a cada passo.

RUMO ÀS ÁGUAS DE BOM JARDIM

Percorremos os 180 quilômetros que separam a Chapada dos Guimarães do município de Nobres, mais precisamente o distrito de Bom Jardim, que alinha os restaurantes, as lojas e as pousadas simples ao longo da rua principal. É aqui que deixamos as trilhas de lado para mergulhar em flutuações em rios e nascentes de águas azuis cristalinas.

Bom Jardim está perto dos principais atrativos de ecoturismo da região. A comparação com Bonito, no Mato Grosso do Sul, é frequente por conta das diversas experiências embaixo d’água. Nosso dia começou com 12 quilômetros de estrada de terra até chegar ao Aquário Encantado, onde fomos equipados com sapatos de borracha, colete salva-vidas, snorkel e máscara de mergulho. Uma pequena trilha de 500 metros permitiu a observação de macacos que pulavam de galho em galho à nossa volta.

Assim que chegamos ao fim do caminho, entendemos o nome do local. Uma lagoa de 90 metros quadrados parece ter luzes no fundo de tão azul e transparente. Já com a máscara de mergulho, descobrimos a água repleta de peixes como dourados, piraputangas e piaus. Para quem tiver uma câmera à prova d'água, esse é o momento de usá-la. O passeio segue por quase um quilômetro descendo pela correnteza do Rio Salobra.

Também fizemos flutuação em um segundo lugar, que fica a cinco minutos do Aquário. A Fazenda Reino Encantado, que é pousada e restaurante, oferece estrutura mais elaborada e equipamentos modernos pelo mesmo valor. Embora seja a mesma atividade, o ambiente diferente garante uma nova experiência. Andamos por um deck acessível até chegar à lagoa, onde peixes enormes ficam aglomerados perto da escada. Ao mergulhar, notamos que o lado de fora não faz jus à sua beleza, que, por baixo d’água, exibe tons azuis ainda mais vibrantes.

Nosso último passeio nos levou a uma subida de 470 degraus – seguida de uma surpresa cheia de adrenalina para voltar. Dentro do Sesc Serra Azul, uma cachoeira maravilhosa de 46 metros de altura é recompensa perfeita para a caminhada cansativa que exige muito dos joelhos. O cenário, também preenchido por vários peixes, pede por um mergulho de snorkel, permitido no local. A volta é feita pelo mesmo caminho, mas pode contar com um atalho inusitado: uma enorme tirolesa de 700 metros de extensão e 50 de altura. E foi assim que fechamos nossa viagem, sobrevoando essa paisagem deslumbrante e deslizando no extenso cabo de aço.

ONDECOMER

Morro dos Ventos
Além de apresentar a típica culinária mato- grossense, como o prato Maria Izabé, preparado para três pessoas, com carne seca, arroz carreteiro, feijão e farofa (R$ 136), o estabelecimento tem vistas incríveis para os paredões da Chapada.
www.morrodosventos.com.br

Pomodori
Com o slogan "A melhor empada do Mato Grosso", o restaurante da Chapada oferece um cardápio extenso, com opções que vão desde o delicioso salgado até saladas, bruschettas e pratos mais elaborados, como linguado ao molho de cupuaçu e banana da terra (R$ 49,90).
www.pomodorichapada.com.br

Bistrô da Mata
O restaurante conta com música ao vivo, além da incansável vista da Chapada. Entre opções de massas, risotos, carnes e peixes, uma boa pedida é o prato Penne da Mata, com iscas de filé mignon gratinadas com queijo (R$ 35).
www.bistrodamata.com.br

ONDE FICAR

Bosque da Neblina 
A charmosa pousada possui oito sofisticadas e aconchegantes suítes na Chapada dos Guimarães. As salas de estar são espaçosas, com muitos sofás, e há um gramadão com espaço para deitar e curtir a natureza ao redor. O café da manhã, incluído na diária, écaprichado. 
www.bosquedaneblina.com.br

Bom Jardim
O estabelecimento é simples, mas conta com uma boa estrutura para os hóspedes no município de Bom Jardim. Os 14 quartos são confortáveis, com wi-fi, ar- condicionado e rede na varanda. O café da manhã também está incluído na diária.
www.pousadabomjardim.com

POR. GUIOMAR BARBUTO
FOTOS. FLAVIO TERRA

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