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Terça-feira, 27 de Junho de 2017

É HORA DE APOSTAR NO DÓLAR?

O dólar cai por dois motivos. Primeiro: a obsessão “America First” de Donald Trump tem se sobressaído às promessas de uma política fiscal expansionista, enfraquecendo a moeda americana. Segundo: a visão sobre o Brasil tem melhorado à medida que a perspectiva de avanço das reformas e a queda da inflação transformam nosso juro em um dos mais atraentes do planeta. Além disso, o real é beneficiado pela alta das cotações de com modities.

Dona Elvirinha pergunta: “Seria o caso de aproveitar a oportunidade para comprar uns dólares?” Em meados dos anos 1980, a revista The Economist pediu projeções econômicas de longo prazo para alguns ex-ministros da Fazenda, presidentes de multinacionais, alunos de Oxford e lixeiros de Londres. No final, os lixeiros apresentaram a melhor pontuação (ao lado dos empresários).

Na mesma época, os economistas Richard Meese e Kenneth Rogo  mostraram que previsões cambiais baseadas em modelos tradicionais perdiam para  uma regra simples, segundo a qual o preço amanhã deverá ser igual ao de hoje. No jargão, diz-se que taxas de câmbio descrevem um “passeio aleatório”.

Em princípio, a resposta à nossa amiga é não. O dólar está barateando, seu futuro é imprevisível e o juro doméstico é elevado. Ademais, o presidente Michel Temer parece estar, aos trancos e barrancos, endireitando a economia. Tudo isso torna a nossa moeda mais atraente que a do Tio Sam, certo?

Sem dúvida, mas resta saber a dosagem. Os mais propensos a riscos podem abraçar a história do “passeio aleatório” e apostar todas as fichas em reais. No entanto, as pessoas tendem a ser avessas ao risco. A incapacidade de prever com acurácia o futuro não significa que o dólar custará amanhã o que custa hoje.

O que poderá despertar novamente a verdinha? A política econômica sugerida por Trump durante a campanha tem um viés inflacionário e será favorável ao dólar se o FED (banco central americano) apertar a política monetária mais do que esperam os mercados – não é preciso muito para que isso ocorra. Além desse, há outros riscos pró-dólar no cenário externo: avanço do populismo na Europa, Grécia, China etc.

Na frente doméstica, é provável que a economia continue entrando nos trilhos, mas nada garante que a normalização será isenta de idas e vindas. A reforma da Previdência é impopular, a Lava Jato é fonte de incertezas e a estratégia seguida por Temer precisará ser sancionada pelas urnas em 2018. Tudo muito complicado.

O dólar está em baixa e o real em alta. Não dá para saber o que vai acontecer lá na frente. Mas quem não gosta de emoções fortes pode aproveitar a calmaria para garantir o sono se os ventos soprarem para o outro lado.

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Celso Toledo
Colunista
Celso Toledo celso.toledo@ e2economia.com.br Doutor em economia pela FEA-USP, sócio-diretor da E2 e da LCA e colunista da revista "Exame".

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