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Terça-feira, 27 de Junho de 2017

AFINAL, A ECONOMIA ESTÁ OU NÃO SE RECUPERANDO?

A divulgação do PIB do último trimestre do ano passado confirmou a tragédia. A economia encolheu 3,6% em relação a 2016, tornando esta recessão a pior da história do Brasil, muito mais severa do que a dos anos 1930. Milhões de pessoas perderam o emprego e a renda anual de cada habitante encolheu quase R$ 3.000,00.

Sob a égide da Nova Matriz Econômica, os investimentos caíram 25% em três anos. Se o estoque de capital do país tivesse produzido de acordo com a média dos últimos 30 anos, o PIB do ano passado deveria ter sido 10% superior ao que foi. A desventura só não foi maior porque o setor externo contribuiu positivamente. Dá para esperar alguma bonança após uma tempestade desta dimensão?

Os indicadores conhecidos autorizam dizer que o fundo do poço provavelmente foi atingido na virada de 2016 para 2017. Com base nesses dados, estimo que a economia tenha crescido algo em torno de 0,5% no primeiro trimestre de 2017. Se os dados de março não tiverem mudado muito o quadro, a direção agora é para cima.

Isto foi possível porque o sentimento econômico apresentou melhora extraordinária ao longo do segundo e terceiro trimestres do ano passado, mas estacionou nos últimos meses. O país não sairá do buraco se as expectativas não voltarem a melhorar. A boa notícia é que, em março, os indicadores exibiram uma pequena reação. O movimento é tímido e precisa ser confirmado, mas o sinal é positivo. O maior obstáculo a ser vencido para que o humor continue avançando é o governo conseguir tocar sua agenda no congresso.

Outro obstáculo muito relevante refere-se à situação estressada do mercado de crédito. Os bancos nunca cobraram tanto para emprestar recursos às empresas que, por esta razão, estão economizando para reduzir dívidas. Este processo, em um primeiro momento, di culta a retomada. Infelizmente, ainda não há sinais convincentes de que o conservadorismo dos bancos e das empresas tenha mudado.

No entanto, é possível vislumbrar alguma luz para o futuro. Os juros ao tomador final estão elevados, mas provavelmente pararam de subir. Como o Banco Central está reduzindo a taxa Selic, é provável que o alívio chegue às empresas – e também às famílias. Se a con ança continuar evoluindo de acordo com o ritmo sugerido em março e a queda do juro básico se transmitir ao restante da economia, como no passado, é provável que a economia encerre o ano registrando crescimento em ritmo anualizado entre 2% e 3%. Não será o “milagre do crescimento”, mas uma ponte para que o futuro seja melhor.

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Celso Toledo
Colunista
Celso Toledo celso.toledo@ e2economia.com.br Doutor em economia pela FEA-USP, sócio-diretor da E2 e da LCA e colunista da revista "Exame".

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