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Quinta-feira, 29 de Junho de 2017

O MERCADO PARECE IGNORAR AS NUVENS NO HORIZONTE

Há um claro descompasso no mundo entre a incerteza econômica e o apetite ao risco. Apesar dos perigos conhecidos, os ativos financeiros estão “bombando”. Ocorre algo parecido no Brasil. Os mercados descontam os riscos como se o caldo não pudesse entornar.

É verdade que há música animando a festa global. A atividade econômica e o comércio entre os países estão avançando e, finalmente, a inflação começa a exibir alguns sinais de reversão. A despeito desses sinais favoráveis, há ainda buracos profundos na estrada. O maior deriva do fato de que Trump está tendo dificuldade em entregar o que prometeu. O magnata patina no relacionamento com o congresso e sua popularidade é muito baixa para cem dias de mandato.

Ele foi derrotado na tentativa de mudar o Obamacare, e o esboço da proposta de reforma tributária não ataca os problemas atuais, agrava a desigualdade, é deficitário e corre o risco de coxear diante do conservadorismo de alguns republicanos. Falta dinheiro para a infraestrutura. No frigir dos ovos, tem prevalecido o lado protecionista – e mais negativo – de sua política.

Neste contexto politicamente conturbado, o desempenho da economia tem decepcionado. A produtividade está baixa e não há evidências muito sólidas de que todo o otimismo das sondagens esteja se transformando em atividade.

O quadro não deveria causar receios não fosse pelo fato de que as bolsas andaram muito. É sempre difícil saber se as ações estão “caras” ou “baratas”, mas valorizações como as atuais normalmente antecedem “correções” – especialmente com os juros em alta, como é o caso.

No Brasil, os grupos de interesse estão bombardeando com eficácia a reforma da previdência. O jogo está sendo jogado por quem conhece as regras, mas a contabilidade dos votos é apertada. A chance de dar zebra não é desprezível.

A recuperação da economia depende, em parte, da normalização dos mercados de crédito que, até o momento, tem ocorrido em velocidade bem mais lenta do que a que seria de se esperar dada a queda da taxa de juro básica. O cenário é de retomada, mas a chance de frustração é razoável.

Olhando o balanço de riscos, fica a impressão de que os mercados escolheram uma posição e estão em busca de um cenário compatível, descontando a sequência de notícias ruins, como se elas não alterassem em nada as premissas originais. Se for isso, potenciais soluços de segunda ordem poderão provocar volatilidade de primeira ordem. Tomara que não.

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Celso Toledo
Colunista
Celso Toledo celso.toledo@ e2economia.com.br Doutor em economia pela FEA-USP, sócio-diretor da E2 e da LCA e colunista da revista "Exame".

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