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Quinta-feira, 24 de Maio de 2018

O SOM E A FÚRIA DE DANIEL BOAVENTURA

EM MARÇO, O ATOR LANÇA SEU TERCEIRO DVD AO VIVO E ESTREIA NOS TEATROS COMO O VILÃO CAPITÃO GANCHO, NO MUSICAL “PETER PAN”

Quando Daniel Boaventura subiu ao palco da casa de shows Bourbon Street, em São Paulo, o inevitável aconteceu. Homens aplaudiram, algumas mulheres suspiraram, outras soltaram gritinhos agudos, chamando o artista de “lindo” e “gostoso”. “Vocês é que são lindas”, respondeu ele, com seu tom de voz barítono, esbanjando charme e um certo sex appeal, enquanto cantava clássicos de Frank Sinatra e Tom Jobim, dois gênios da música.

Cada vez mais à vontade como cantor, Daniel comemora a boa fase na carreira. Em março, ele lança seu terceiro DVD ao vivo, gravado na Cidade do México, onde se apresentou para quase três mil pessoas. No mesmo mês, estreia “Peter Pan”, seu novo musical. E, paralelamente, vê crescer o projeto com o xará Daniel Jobim, neto de Tom Jobim, com quem homenageia o álbum histórico “Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim”, de 1967.

“Sempre fui conhecido como ator”, conta Daniel, com duas décadas e mais de 20 papéis na televisão. “Mas vejo que o público já me reconhece como ‘aquele cara que canta’. Isso me enche de alegria. É uma conquista para mim”, diz, sorrindo. Durante o bate-papo no salão do Bourbon Street, horas antes do show, ele escancarou sua paixão pela música. “É cantando que me sinto pleno. Nasci para cantar mesmo, não tem muita explicação.” Versatilidade é uma das marcas de Daniel. Ele é ator da Globo, protagoniza musicais de sucesso no teatro, como “A Bela e a Fera”, “Chicago” e “Família Addams”, e ainda se dedica à carreira de cantor. “Quando eu falei para um amigo que queria arriscar e gravar um disco em inglês, ele duvidou: ‘Será que vai dar certo? Músicas em inglês no Brasil?’”, relembra. “Mas a aceitação foi fantástica e isso me deu forças para continuar.”

O primeiro disco, “Songs 4 You”, lançado em 2009, vendeu mais de 45 mil cópias. Trazia no repertório baladas românticas, como “I'm in the mood for love”, tema do casal Maya e Raj em “Caminho das Índias”, e clássicos, como “Hello, Detroit” e “Fly me to the moon”. Na sequência vieram um álbum em italiano (2010), aproveitando o gancho da novela “Passione”, e o primeiro DVD ao vivo (2011), que vendeu mais de 50 mil unidades.

O amigo desconfiado estava mesmo enganado. Também em março, Daniel Boaventura lança o terceiro DVD ao vivo e, nos dias 4 e 5 de maio, abre sua nova turnê no Teatro Castro Alves, em Salvador. “Gosto de começar uma turnê sempre por lá, para quase 1.600 pessoas. É uma energia que vem da minha terra natal e que me motiva a rodar o Brasil inteiro”, conta o soteropolitano de 47 anos.

CARREIRA INTERNACIONAL

O que chama a atenção é o sucesso expressivo do cantor no México. Em seu canal no Spotify, o número de ouvintes mexicanos já é quase 40% maior que o de brasileiros. As músicas dele tocam mais na Cidade do México que em São Paulo. “Lá eu nasci só como cantor. Eles não têm outro parâmetro. Talvez seja uma das explicações. É algo genuíno deles”, analisa. “Eles gostam do meu repertório, da minha interpretação. É algo impressionante.”

Tudo começou em 2015, quando ele se apresentou em solo mexicano pela primeira vez. Daniel Boaventura virou uma celebridade instantânea na terra de Luis Miguel. “Tinha até caneca com o meu nome no camelô”, brinca. Por isso, a Cidade do México foi escolhida para sediar as gravações do novo DVD, em outubro de 2017. “Os mexicanos me tratam com um carinho enorme. Lotamos um teatro para três mil pessoas, bem no meio da temporada de terremotos. Foi uma energia fora de série.”

No novo trabalho ele mostra, mais uma vez, uma poderosa extensão vocal e afinação impecável. Canta sucessos em espanhol, como “Besame mucho” e “Corazón partío”, além de músicas de Elvis Presley e Frank Sinatra. Vai do clássico da dance music “Celebration” (Kool & the Gang) ao hino pop “Freedom” (George Michael), hits dos anos 1980. Ainda interpreta músicas mais recentes, como “Locked out of heaven”, de Bruno Mars, e até toca saxofone.

“Quando o show acabou e eu voltei para o bis, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Eles ficaram urrando sem parar. Jogaram várias bandeiras do México. Foi uma emoção que não consigo nem explicar”, relembra.

BOSSA NOVA

Foi de uma participação especial em seus shows que surgiu o projeto “Sinatra & Jobim”. Ele convidou Daniel Jobim para cantar as músicas “Garota de Ipanema” e “Wave” em algumas apresentações. A sintonia foi tanta que surgiu a ideia de homenagear os 50 anos do histórico álbum de 1967. “Quando nos encontramos, foi uma coisa meio ‘love at the first time’, uma sinergia total”, conta.

“O interessante é que um show do Sinatra e do Jobim nunca aconteceu. Eles se encontraram para gravar, mas nunca fizeram um show juntos. Tem um teaser de alguns minutos no Youtube, mas isso não é um show”, destaca. Juntos, os xarás interpretam sucessos da bossa nova, como “Samba de uma nota só”, “Corcovado” e “Água de beber”, em um dueto bilíngue que faz jus às lendas da música internacional.

O projeto paralelo lotou as casas de jazz por onde passou e tem tudo para virar algo maior. “Tenho certeza que vamos levar essa ideia adiante. É um projeto feito de uma maneira muito verdadeira”, afirma Boaventura. Quando pergunto se um novo disco vem aí, ele se diverte. “O plano é esse. Virar disco daqui um ano. Acabamos de falar nisso! Rapaz, você está nos mapeando, né? Quer trabalhar pra gente?”, brinca, mostrando seu conhecido bom humor.

FORMAÇÃO MUSICAL

A música sempre esteve presente na vida de Daniel. Quando morou com os pais durante a infância nos Estados Unidos, ele começou a estudar trombone. “Eu fazia aulas na escola e tocava de ouvido em casa”, relembra. “Foi lá que eu ouvi rock pela primeira vez. Me apaixonei por Queen. Comecei a ouvir Dire Straits, Led Zeppelin, Pink Floyd”, conta. Ele ainda estudou flauta e aprendeu a tocar saxofone sozinho.

Na volta à Bahia, Daniel participou de duas bandas com os amigos: Horas Vagas e Os Tocáveis. “Os nomes das bandas eram esdrúxulos, mas eles eram muito talentosos”, diz. Nessa época, Daniel conheceu virtuoses da guitarra, como Joe Satriani e Steve Vai, além de mergulhar no jazz de Joe Coltrane e Charlie Parker. “A gente fugia do espectro comum da Bahia dos anos 1990, no boom do axé. Éramos uma banda de baile-chique totalmente fora do contexto.”

Ele até tentou uma carreira mais convencional, como Administração, Jornalismo e Publicidade. Mas seu destino estava nos palcos. Em 1991, uma das bandas foi convidada para participar de uma peça chamada “Cinema Cantado”, em Salvador. Daniel interpretou o clássico “On Broadway”, de George Benson, e foi um sucesso. Dali, foi chamado para atuar no musical “Zas Trás”, engatando uma série de peças na capital baiana.

A partir de 1994, ele chegou ao Rio e a São Paulo com o espetáculo “Os Cafajestes”. E, em 1998, estreou na televisão com a minissérie “Hilda Furacão”, da Rede Globo. Aí a carreira como ator decolou, tanto nos espetáculos musicais quanto nas telenovelas. Até que, em 2009, Daniel decidiu voltar às origens e apostar em sua faceta como cantor em carreira solo. Já são mais de 500 shows em sua faceta como cantor em carreira solo. Já são mais de 500 shows em pouco menos de uma década.

CAPITÃO GANCHO

Mas não pense que o foco na carreira de cantor roubou Daniel Boaventura do teatro. Em março, ele estreia no espetáculo musical “Peter Pan”, sucesso da Broadway, que chega ao Brasil pela primeira vez. Além de emprestar seu vozeirão para o Capitão Gancho, ele é coprodutor do espetáculo ao lado de Renata Borges. “É a minha primeira coprodução. Não é fácil, temos que correr atrás de tudo, mas estou muito esperançoso. Acho que esse musical vai arrebentar”, diz.

A peça entra em cartaz no dia 8 de março no Teatro Alfa, em São Paulo, com direção de José Possi Neto e cinco sessões semanais. Já os voos e efeitos especiais foram coordenados por uma equipe da Broadway. O musical é uma adaptação da peça do britânico J. M. Barrie, de 1904, “absolutamente nada a ver com a versão da Disney”, alerta Daniel. O papel-título será interpretado por Mateus Ribeiro, 24 anos, selecionado entre quatro mil candidatos. “Estou adorando fazer o Capitão Gancho. Adoro fazer um antiherói”, vibra Daniel. “Ele vai mais para o histriônico. É agressivo, ‘over the top’, ‘larger than life’, mas ao mesmo tempo é sensível, carente. Alterna momentos violentos e doces”, detalha. “Ele é o maior vilão dos contos infantis de todos os tempos. Estou dando o meu máximo para fazer jus a esse personagem!”

No primeiro semestre, Daniel também volta aos cinemas com o filme “Mulheres Alteradas”. A comédia dirigida por Luis Pinheiro é baseada na obra da cartunista argentina Maitena. No elenco estão Deborah Secco, Mônica Iozzi, Maria Casadevall e Alessandra Negrini, par romântico do personagem de Daniel. “Foi divertidíssimo gravar o filme. É uma comédia que fala da vida da mulher moderna. Foi uma experiência muito feliz.”

Ator e cantor, cantor e ator, ele não para. Está nos palcos, no teatro, no cinema e na TV. Abençoado por Sinatra e Jobim, nos braços do povo mexicano, com um novo DVD a caminho e em breve na pele do temido Capitão Gancho em um musical que promete. O trocadilho é infame, mas o horizonte de Daniel Boaventura parece mesmo bem-aventurado.

FOTOS · PHOTOS MARCOS HERMES
MAKE ·  ÁTILA TEMPORIN

Felipe Seffrin
Felipe Seffrin
Colaborador

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