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Terça-feira, 27 de Junho de 2017

DESDE PEQUENO, O ATUAL CEO DAS AMÉRICAS DA ATLAS SCHINDLER VIVE A PLURALIDADE DE SUAS FAMÍLIAS ITALIANA E LIBANESA. SÃO COSTUMES E PESSOAS TÃO DIVERSAS QUANTO AS QUE FORMAM UMA GRANDE CORPORAÇÃO. ESSES FORAM OS PRIMEIROS ESTÍMULOS PARA ANDRÉ INSERRA GOSTAR DE FOCAR NA GESTÃO DE PESSOAS E DOS CLIENTES, ALÉM DE INCENTIVAR A MOBILIDADE E A GLOBALIZAÇÃO DOS EXECUTIVOS. FORMADO EM ENGENHARIA MECÂNICA PELA FAAP E COM MESTRADO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO PELA CHALMERS UNIVERSIDADE DE TECNOLOGIA, EM GOTEMBURGO, NA SUÉCIA, O EXECUTIVO JÁ FOI EXPATRIADO PELA MULTINACIONAL ABB, VOLTOU PARA O BRASIL PARA ASSUMIR A OPERAÇÃO DA EMPRESA LÍDER DE ELEVADORES E DÁ UMA LIÇÃO DE COMO NÃO PARAR DE SUBIR NA CARREIRA.


Seis meses depois de André Inserra assumir a operação global de mineração e cimento da empresa ABB, em 2008, e se mudar para Houston, nos Estados Unidos, o filho mais velho, de 8 anos, lançou a seguinte pergunta no jantar: “Pai, por que a gente se mudou para cá se você viaja o tempo todo?” Voando mais do que piloto profissional, como o executivo mesmo compara, metade do ano era vivida em outros países. “Não foi um momento fácil da minha vida”, comenta Inserra, sorrindo ao lembrar da pergunta do filho. “E agora estou fazendo isso de novo.”


Depois de uma carreira de quase 20 anos na ABB e de acreditar que se aposentaria na empresa suíça, o executivo aceitou o desafio de assumir a presidência da Atlas Schindler, em 2012. Quatro anos depois, Inserra passou a cuidar de toda a região Américas, acumulando a presidência da operação no Brasil e realizando duas viagens internacionais por mês. “Para ter sucesso na carreira, o executivo precisa ter mobilidade para explorar as melhores oportunidades”, garante o paulistano, compartilhando uma de suas principais filosofias. “Precisa ser global, se internacionalizar.”


A vontade de buscar experiências internacionais começou a dar os primeiros sinais cedo. Acostumado às constantes festas e encontros das famílias italiana por parte de mãe e libanesa por parte de pai, Inserra cresceu em um ambiente multicultural. “Qualquer lanche na casa do meu avô libanês começava com 60 pessoas”, brinca. “A família me deu a oportunidade de socializar bastante e de conviver com pessoas muito diferentes”, reflete o executivo, que acabou não seguindo o caminho artístico de alguns dos primos e 
optou por engenharia mecânica na FAAP.


O núcleo familiar só aumentava sua paixão por viajar e conhecer novas culturas. Uma mochila nas costas e a companhia de alguns amigos para rodar a América Latina havia sido uma pequena amostra do que estava além das fronteiras brasileiras, e Inserra sentia que precisava de uma vivência mais intensa em outro país. Depois de um estágio de dois anos na companhia Bardella, que atua no setor de indústria mecânica, e de dois anos como contratado da Villares, a “empresa dos sonhos” dos engenheiros da época, o executivo partiu para a Suécia para estudar o idioma e desbravar o mundo.

“Fui dar um break. Larguei tudo. Claro que meu pai, que passou a vida inteira esperando o filho se formar como engenheiro, não gostou. Eu trabalhava numa indústria de ponta. Mas sentia que precisava me internacionalizar, que isso era importante para o meu futuro”, expõe. Depois de um ano estudando sueco, o paulistano emendou uma graduação em Business Administration e um mestrado em engenharia de produção na Chalmers Universidade de Tecnologia, considerada uma das melhores escolas de engenharia da Suécia.

Nessa época, a escolha de seguir uma vida corporativa já havia sido feita. “Grandes empresas têm muita gente, e meu ponto mais forte é gostar de trabalhar com gente. Uma das coisas que sempre me atraíram no mundo corporativo é que você atua com todo tipo de perfil, desde uma pessoa muita técnica até uma que só trabalha com finanças e outra que desenvolve produtos”, relata. Falar a mesma língua de todos os elementos que formam uma grande corporação sempre foi um desafio que estimulou Inserra – e até o remete aos tempos da “torre de babel” dos encontros de família.

Passados quatro anos de sua história escandinava, com um currículo de dar inveja e com uma tese de mestrado que comparava como a ABB Suécia e a ABB Brasil desenvolviam a cadeia de fornecedores, Inserra precisava decidir qual rumo tomar: começar uma carreira no país europeu ou aceitar o convite da ABB Brasil. “Na época, eu tinha um sentimento meio idealista de que a Suécia já era perfeita. Tudo funcionava de forma impecável. E aí eu me questionava: O que vou agregar aqui? Já está tudo organizado. Vou voltar para o Brasil”, relembra Inserra, que aterrissou em São Paulo em 1994.

Mas, em vez de entrar para a rotina de terno e gravata no ar- condicionado, o executivo começou no chão de fábrica, trabalhando como assistente de gestão da qualidade. “Percebi que eu tinha muito conceito, mas faltava experiência prática. Às vezes, ficamos com a visão glamorosa do escritório, quando na verdade é dentro da fábrica que o coração da empresa bate”, aponta Inserra, sem demorar a alçar novos voos. Sua visão global em um período em que a empresa pouco transitava além das fronteiras do Brasil o levou a ganhar exposição no grupo.

Da divisão de transformadores de força para usinas hidroelétricas, ele foi para a área de petróleo, como gerente da área de qualidade e supply chain (a cadeia de fornecedores). Sua paixão por empolgar as pessoas também chamou a atenção, e logo Inserra tinha uma operação sob sua responsabilidade. “Se você pilha as pessoas, gera engajamento, motivação e acaba conseguindo resultados fantásticos”, aconselha o executivo, que até hoje leva essa missão a sério. Em 2016, no meio da crise, a pesquisa de engajamento da Atlas Schindler no Brasil, empresa que preside atualmente, foi a mais alta da história do grupo no mundo inteiro. E o quadro de colaboradores cresceu 10%, saltando de 5.000 para 5.500.

A dedicação para a gestão de pessoas demanda bastante trabalho e tempo. “Mas percebi que, se não fizesse isso, não conseguiria trazer as melhores pessoas para trabalhar comigo. Para ter resultado de alto desempenho, é preciso ter os melhores”, afirma o paulistano, que trabalha a gestão de alguns talentos há décadas, como é o caso de uma ex-diretora da ABB que hoje está na Atlas também. “Gosto de ver gente crescer. Não gosto de crescer sozinho”, expõe Inserra, que subiu cada degrau da carreira na ABB ao longo de quase 20 anos, até chegar à presidência mundial de mineração e ser expatriado para Houston, no Texas.

Além de muito trabalho, o caminho exigiu uma boa dose de ousadia. Em 2006 e há alguns anos atuando como diretor de operação da indústria de processos da ABB, que contemplava clientes de setores como petróleo, siderurgia, papel e celulose, o executivo deixou a operação para cuidar apenas da pequena operação da Vale do Rio Doce. “Foi um movimento ousado, porque minha conta como  diretor de operações representava US$ 400 milhões, enquanto a Vale gerava US$ 20-25 milhões por ano. Fui cuidar desse relacionamento porque o presidente da Vale reclamava que a ABB não conseguia se estruturar para atendê-los.”

A troca do certo pelo duvidoso abriu as portas para um dos momentos mais intensos da vida profissional de Inserra. “A Vale demandava soluções completas, não apenas equipamentos”, comenta o executivo, exemplificando que a solicitação de automatização de uma mina na remota Nova Caledônia, arquipélago a 1.500 km da costa australiana, requeria um time internacional alocado na ilha. “Onde você arruma 20 pessoas para colocar numa ilha do Pacífico? Montamos uma equipe com colaboradores indianos, chineses, australianos e brasileiros e levamos para lá. Movimentei a companhia inteira.”

A estratégia de todos os países onde a Vale possuía operação era pensada por ele. “Foi uma mudança de carreira muito forte para quem estava acostumado a ser dono da operação, ter uma hierarquia definida e reuniões semanais. De repente, eu estava fazendo estratégia global”, lembra o executivo, que aproveitou a ocasião para aprofundar sua habilidade de ouvir a demanda do cliente. “Esta é outra paixão que tenho: entender o que o cliente realmente precisa. Esse foi o momento em que mais desenvolvi isso”, explica Inserra, deixando essa operação após dois anos, para chegar ao ponto da história em que assumiu o cargo de presidente mundial de mineração da ABB.

A mudança para os Estados Unidos veio acompanhada de muitas viagens e reuniões semanais via conferência com 35 países, com o objetivo de acompanhar os resultados. “Começávamos na segunda-feira e íamos até sexta, adaptando para o fuso horário de cada país”, observa. Mais do que isso, era preciso adaptar a abordagem da reunião para cada cultura. “No início, usávamos o mesmo protocolo com China, Índia e Suécia, por exemplo. Começamos a perceber que isso não funciona. Para tirar o melhor resultado das pessoas, fui entendendo que você precisa se adaptar um pouco à cultura delas. Não dá para impor sempre a sua.”

Foram cinco anos de trabalho nos Estados Unidos. Após um longo “namoro” de nove meses, Inserra aceitou o convite para presidir a Atlas Schindler no Brasil – e voltar com a família para São Paulo. “Foi uma decisão acertada. Cheguei no final de 2012. A empresa estava precisando chacoalhar um pouco, principalmente no quesito pessoas e clientes. Além disso, a missão era manter a empresa como líder. O mercado brasileiro de elevadores mudou bastante com o boom imobiliário e a descentralização das construções”, analisa o primeiro brasileiro a ocupar o cargo de CEO das Américas, comentando sobre o desafio de oferecer o mesmo atendimento e serviço para um cliente que está na Avenida Paulista e para outro que está no interior do Pará. “Tem que ser igual.”

Em 2016, a venda total de elevadores e escadas rolantes no Brasil, somando todas as empresas do setor, foi de quase oito mil unidades. “Caiu bastante. O ano de 2012 foi recorde, com 14 mil elevadores. Agora estamos vagarosamente subindo”, diz Inserra, de olho no futuro. O terreno ao lado da Atlas Schindler já está em obras, para a construção de uma ampliação da sede, inspirada em empresas do Vale do Silício, na Califórnia. “Decidimos isso no meio da recessão. Estamos no Brasil há cem anos e queremos ficar mais cem (pelo menos). Não estamos pensando apenas no resultado de 2017. O mercado vai voltar a crescer”, acredita.


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Camila Balthazar
Editora

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