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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

LIDERANÇA PARA MULHERES

NASCIDO NO PERU, CASADO COM UMA EQUATORIANA E COM DOIS FILHOS ESTADUNIDENSES, O DIRETOR-GERAL DA MARY KAY NO BRASIL JÁ VIVEU EM CINCO PAÍSES E GOSTA DE MERGULHAR NAS DIFERENTES CULTURAS. ALVARO POLANCO ESTÁ NO BRASIL DESDE 2009, QUANDO ASSUMIU A OPERAÇÃO BRASILEIRA DA EMPRESA DE VENDA DIRETA DE COSMÉTICOS, FUNDADA EM 1963 POR MARY KAY ASH. NESSA ÚLTIMA DÉCADA, O EXECUTIVO LEVOU O BRASIL DA 20a POSIÇÃO GLOBAL PARA O TERCEIRO LUGAR. “DEVEMOS PASSAR O FATURAMENTO DOS ESTADOS UNIDOS EM UM CURTO PRAZO”, INDICA ALVARO, RESSALTANDO A DESVANTAGEM DA NOSSA MOEDA EM RELAÇÃO AO DÓLAR. PARA ELE, MAIS DO QUE ENTENDER DE CULTURAS, O SEGREDO DO SUCESSO É TRABALHAR COM O “JEITO MARY KAY”, SUA INSPIRAÇÃO DESDE OS TEMPOS EM QUE TRABALHOU LADO A LADO COM A ICÔNICA FUNDADORA.

Lá pelos anos 1960, Alvaro Polanco esperava ansioso pelo barulho do salto alto de sua mãe, que chegava em casa por volta das 22h. Já na cama, ele não dormia enquanto não tinha certeza de que ela voltara do último turno na escola onde dava aulas de alfabetização. A cena se repetia todas as noites na casa onde a família de cinco filhos morava, em Arequipa, cidade metropolitana do Peru localizada a 2.300 metros de altitude, em um vale cercado pelas montanhas desérticas da Cordilheira dos Andes.

“Meu pai morreu muito jovem, quando eu tinha 4 anos. Minha mãe era dona de casa e não trabalhava porque meu pai sustentava bem a família como advogado e professor. Então ela decidiu que manteria o mesmo nível, embora nunca tivesse estudado ou trabalhado”, expõe o atual diretor-geral da Mary Kay no Brasil, lembrando que cresceu rodeado de mulheres. Sem a presença do pai, era ele e três irmãs, além do irmão mais velho que logo saiu de casa para estudar em um colégio militar.

O sonho de criança era ser jogador de futebol, até ele perceber que a carreira não era assim tão fácil. Alvaro sustentou a paixão por anos, jogando inclusive na liga universitária dos Estados Unidos, quando morou por lá. Xadrez era outro hobby, levado a sério em competições nacionais no Peru. Aí veio a vontade de ser médico, subitamente interrompida após um dia de visita em um hospital. Ao chegar em casa depois do “passeio” na companhia do tio, ele avisou em alto e bom som: “Não vou ser médico!”. E tratou de estudar engenharia industrial em Lima, capital peruana. Mas a universidade estatal estava com o calendário atrasado por conta das greves – e um ano inteiro de ócio apareceu de repente.

Durante esse período de vida boa esperando o curso começar, a mãe e o irmão mais velho, que já morava nos Estados Unidos, decidiram que Alvaro seguiria esse mesmo caminho de viver no exterior. “Falei que eu não queria ir e minha mãe respondeu: ‘Não estou perguntando. Estou afirmando.’ E nessa época a gente fazia o que os pais falavam, então fui estudar engenharia na Universidade do Texas”, conta o peruano, rindo. Foram nove anos entre graduação, mestrado e outros cursos, a fim de manter o visto de estudante. “Tive vários empregos temporários. Trabalhei em empresa mexicana de papel, fazendo compras, separando, distribuindo e entregando produtos. Foi uma experiência boa”, lembra.

O executivo aplicou para o visto de residência permanente nos Estados Unidos e, enquanto esperava o processo concluir, voltou para o país de origem. “Tínhamos eleito um novo presidente no Peru e parecia que o cenário era favorável. Mas é incrível porque, se você é peruano e volta de uma experiência no exterior, é qualificado demais e fica difícil conseguir trabalho”, comenta Alvaro, que acabou entrando para uma empresa fabricante e distribuidora de produtos eletrônicos no Peru. Mesmo sem experiências prévias no mercado corporativo, ele foi contratado como diretor logístico, passando a liderar uma grande equipe.

“Eu tinha aprendido o jeito americano, que é mais direto. No Peru, ainda era muito forte aquela postura de ‘chefe’: não fale comigo a menos que eu fale contigo. Todos me chamavam de engenheiro e eu dizia para me chamarem de Alvaro. Meus colegas falavam que eu era louco porque iriam faltar com respeito comigo”, relata o executivo, que ficou cinco anos na posição, até receber a notícia de que o visto dos Estados Unidos havia sido aprovado. “Você precisa tomar uma decisão em três meses”, foi o que ele ouviu. As mudanças com o novo presidente vieram, e o final dos anos 1980 registravam uma hiperinflação tão forte quanto a brasileira.

Alvaro voltou para Dallas, no Texas, para recomeçar a carreira. “Eu estava fora do mercado dos Estados Unidos, e a empresa que eu trabalhava não era conhecida por lá, pois só tinha operações no Equador, na Bolívia e no Peru”, destaca. Logo apareceu uma oportunidade para o time de engenharia da LSG Sky Chefs, na época subsidiária da American Airlines. Um ano e meio depois, a empresa foi vendida, transferindo a sede para o Canadá. “Eu não quis ir. Voltei a procurar emprego e encontrei a Mary Kay”, diz Alvaro, lembrando do anúncio no jornal de domingo, que dizia: “empresa multinacional busca profissional com conhecimento em América Latina para desenvolver novo mercado.” “Sou eu!”, pensou.

A animação não durou muito. Ao investigar sobre a tal empresa, o peruano começou a achar tudo muito estranho. “Fui pesquisar e vi que eles vendiam cosméticos, mas não existia uma loja em shopping. Eu não encontrava o produto. Fui à biblioteca e vi que era uma empresa de capital fechado, mas sem muitas informações”, conta Alvaro, que decidiu não ir em frente com a empresa “fantasma”. Ao explicar a situação para a namorada e atual esposa, Tânia, ela tirou o estojo rosa da bolsa e mostrou vários produtos da Mary Kay. Assim, ele compareceu à entrevista, mas recebeu um feedback claro do vice- presidente internacional: “nós gostamos de você, mas temos a impressão de que você está com muita dúvida.”

A percepção não podia ser mais certeira. Alvaro foi embora com um livro da biografia de Mary Kay Ash embaixo do braço e, alguns dias depois, voltou determinado. “Amei a missão dela”, afirma o executivo, sempre com um brilho nos olhos ao falar da fundadora. Seu primeiro cargo na empresa de venda direta foi coordenador de administração internacional, ajudando na abertura de novos mercados. Era o ano de 1991 e, até então, a companhia estava presente em apenas cinco países. Um mês depois da contratação, Alvaro encontrou com Mary Kay Ash por acaso. “Dei um pulo! Eu só a conhecia por foto”, diz.

A empreendedora texana aproveitou a ocasião para transferir os 10 princípios do seu negócio, criado em 1963 com a missão de enriquecer a vida das mulheres em um mundo ainda dominado por homens. “As frases tinham a ver com as consultoras, as diretoras e as diretoras nacionais, que são a razão de tudo. Aí começaram meus ensinamentos”, aponta Alvaro. Uma vez por semana, eles se encontravam para conversar, sendo que Mary Kay pedia ajuda na tradução de cartas escritas em espanhol por consultoras. “Mas um dia falei para o meu chefe: ‘amo as conversas, mas estou preocupado porque acho que ela pensa que sou tradutor!’”

Na verdade, as cartas faziam parte da estratégia de ensiná-lo sobre o negócio. “Até hoje me lembro da primeira, que era de uma consultora de Honduras que morava nos Estados Unidos”, comenta Alvaro, narrando a história da mulher que chorava de alegria por ter conseguido levar o marido e o filho a um restaurante pela primeira vez. “Era um agradecimento pelo fato de o negócio da Mary Kay permitir que ela pagasse esse passeio. E agora ela sabia que teria uma vida melhor e poderia mandar os filhos para a faculdade. Essa carta me marcou muito”, se emociona o executivo número 1 da Mary Kay no Brasil.

A fundadora deixou o dia a dia da empresa em 1996 e faleceu em 2001. Mesmo assim, a cultura que norteou os primeiros passos da empresa é intrínseca ao negócio até hoje. É o famoso “Mary Kay Way”, o “jeito Mary Kay”. “Ela me ensinou a sempre sonhar, querer mais. Me ensinou que o objetivo não deve ser apenas um cargo, mas algo para você mesmo e sua família. Somente com essa emoção e motivação, você pode planejar sua meta. E assim ela criou uma empresa que oferece uma carreira para que as mulheres ganhem mais dinheiro. Essa é a diferença da Mary Kay para outras empresas de venda direta”, explica.

Ao mesmo tempo em que apoiava as consultoras, Alvaro também subiu os degraus na sua própria carreira corporativa. Quatro anos depois de ter entrado na empresa, ele foi promovido ao cargo de gerente de programas e concursos para o mercado de trabalho. Em vez de focar na expansão para outros países, o executivo recebeu a missão de atuar no consolidado mercado ele assumiu a direção de vendas de toda a América Latina. Os desafios foram aumentando, até a conquista da primeira direção geral de um país, que foi a Argentina, em 2001.

“Era um mercado importante, mas não estava dando certo na época. Meu trabalho foi o de unir o time que já estava lá. Saí a campo, trabalhei com as diretoras e aproveitamos a crise que se instalou no país para fazer o negócio dar certo”, expõe Alvaro, triplicando o faturamento em três anos. O bom resultado fez com que o CEO global enxergasse uma oportunidade para o mercado brasileiro, que patinava mesmo depois de uma década do início da operação. “Vim para cá em 2009, quando o Brasil era o 20o país em vendas”, lembra.

Hoje, a Mary Kay no Brasil é a terceira maior em faturamento. E Alvaro acredita no potencial para crescer ainda mais. Para isso, ele segue a filosofia Mary Kay de valorizar e elogiar o trabalho das consultoras e do seu time, sendo direto e transparente quando necessário. “Não quero que ninguém fique com dúvidas sobre o que acho do trabalho que está sendo feito. Meu avô dizia que mais vale um momento vermelho do que cem amarelos. Isso significa que é melhor abordar assuntos difíceis sem demora, em vez de ficar sofrendo por mais tempo”, observa o executivo, repetindo a regra de ouro da fundadora: trate o outro como você quer ser tratado.

Com quase 60 anos e sem pensar em deixar a empresa tão cedo, ele brinca de sonhar com o futuro. Tudo indica que Alvaro e sua esposa estarão morando em alguma praia paradisíaca, enquanto ele trabalha na produção de livros. “Vou escrever um sobre a mulher, e o título seria algo como ‘Mulher Significa Ser Maravilhosa’. Eu falaria sobre o que aprendi com elas. Afinal, o poder das mulheres me levou a ter sucesso na minha vida pessoal e profissional. Também quero escrever sobre as minhas histórias ao lado da Mary Kay Ash e fazer palestras”, planeja o peruano, deixando claro que seus sonhos pouco se afastam do adorado “jeito Mary Kay”.

Camila Balthazar
Camila Balthazar
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Responsável por todo o entretenimento e mídia de bordo das aeronaves Avianca Brasil, oferecendo diversas plataformas criativas online e off-line para impactar o público alvo.

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