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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

PROPAGANDA NO LIMITE

Entre a ousadia e a transgressão, a coragem e o descrédito, o humor e o escárnio, uma linha tênue divide a propaganda. O mundo atual, que segue o politicamente correto, às vezes é chato, mas, na maioria dos casos, é justo ao apontar erros cometidos em nome do costume.

Aplausos para uma marca de cerveja que transformou cartazes sensuais em obras de arte. Pintoras e artistas plásticas vestiram as modelos e transformaram as mulheres da publicidade em consumidoras. Afinal, mulher não é prêmio para homens que escolhem determinada marca da bebida.

Com objetivos claros de se mostrar ao público, a propaganda é a grande vitrine dessas incertezas das mensagens. Precisa vender para justificar o investimento. Necessita ser criativa e algumas vezes irreverente. Mas hoje não escapa da atenção redobrada de uma sociedade que luta pela igualdade e contra preconceitos.

Conhecida marca de lingerie brasileira, a Duloren adota há anos uma linha provocativa na sua publicidade. E, assim como as peças da Benetton do início dos anos 1990, é alvo constante de investigação. Mas, da mesma forma como o fotógrafo Oliviero Toscani conseguiu fazer de cada anúncio da grife italiana uma obra de arte, a Duloren sobrevive de cada polêmica, ganhando espaço gratuito na mídia.

Não foi o que aconteceu, porém, com a recente campanha de prevenção de acidentes de trânsito, assinada pelo Ministério dos Transportes, sob o título “Gente Boa Também Mata”. Sob o pretexto de alertar para o uso de celular ao volante, desobediência à sinalização e associar bebida alcoólica com o ato de dirigir, uma série de anúncios expôs pessoas comuns como potenciais assassinos.

O melhor aluno da sala, a moça que resgata animais abandonados ou os médicos que procuram divertir pacientes foram mostrados em fotos como motoristas prestes a provocar acidentes fatais. São todos gente boa, mas podem matar a qualquer instante se não obedecerem às leis de trânsito. Uma infeliz associação de imagens. A ponto de o próprio ministro da Pasta ordenar a suspensão da campanha, pedida oficialmente por um deputado, atribuindo sua responsabilidade a outro órgão do governo, no caso a Secretaria de Comunicação.

Menos mal que o bom senso prevaleceu. Mesmo que o governo tenha sido pressionado pelas redes sociais e por ações no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR). Definitivamente, não era uma publicidade ousada, inovadora, nem mesmo criativa ou irreverente. Apenas uma ideia infeliz.

Adonis Alonso
Adonis Alonso
Colunista
Jornalista, autor do livro "Meus Amigos Publicitários" e titular do Blog do Adonis. alonso.adonis@gmail.com

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