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Sexta-feira, 20 de Abril de 2018

AS QUATRO PAIXÕES QUE MOVEM O EXECUTIVO FRANCÊS

NATURAL DA PEQUENA CHANTILLY, CIDADE FRANCESA FAMOSA POR DAR ORIGEM AO CREME AÇUCARADO, FRÉDÉRIC DROUIN SOUBE DESDE CEDO QUE QUERIA IR ALÉM DA FRONTEIRA QUE O SEPARAVA DE OUTROS PAÍSES. INSPIRADO PELAS AVENTURAS NARRADAS EM CLÁSSICOS DA LITERATURA, ELE FOI ATRÁS DO SONHO, DESCOBRIU SUAS PAIXÕES E FOI TRABALHAR EM VÁRIOS LUGARES FORA DA FRANÇA, COMO ALEMANHA E SUÍÇA. DEPOIS DE MAIS DE 25 ANOS DE CARREIRA NA PEUGEOT, FRÉDÉRIC ASSUMIU A PRESIDÊNCIA PARA AMÉRICA LATINA DA JAGUAR LAND ROVER EM MARÇO DE 2017, AOS 52 ANOS. “EU NÃO PODERIA ME ACOSTUMAR COM A IDEIA DE ME APOSENTAR TRABALHANDO NA MESMA EMPRESA A VIDA INTEIRA.”

Um castelo do século 16 rodeado por lagos artificiais e jardins tão bem planejados como os de Versalhes e uma elegante competição anual de éguas movimentam a pequena cidade francesa de Chantilly, 50 km ao norte de Paris. Entre histórias de reis e rainhas que se mantém vivas nos pomposos chapéus vistos na hípica local, o município de 11 mil habitantes se orgulha de ser o local de origem do creme branco e adocicado usado há quase quatro séculos na confeitaria mundo afora.

“Nasci lá”, diz Frédéric Drouin, atual presidente para América Latina da Jaguar Land Rover, hoje com 52 anos. “É um lugar muito bonito, mas que não vivia uma situação econômica forte nos anos 1960.” Viajando com os clássicos do escritor e piloto Antoine de Saint-Exupéry desde criança, ele percebeu que existia um universo muito mais interessante além das fronteiras de Chantilly. “Aprendi a enxergar o exterior lendo autores aventureiros. Quis estudar línguas para sair da cidade onde eu estava”, diz o executivo, em português quase fluente, com um toque do sotaque francês.

O aluno dedicado, e também apaixonado pelo pai da psicanálise Sigmund Freud e sua densa obra “O Mal-estar na Civilização”, gostava de esquiar montanhas cobertas de neve – hobby queherdou dos pais quando tinha apenas quatro anos de idade. “Teve um momento, acho que com uns 15 anos, que me acidentei esquiando e fiquei duas semanas parado”, lembra Frédéric. “Aí comecei a ler livros e revistas de carros e me apaixonei.” Nessa mesma época, o francês também descobriu a música que, segundo ele, era algo pouco acessível até então. “Hoje um menino de três anos já tem um iPhone cheio de músicas, mas 40 anos atrás as crianças não tinham essa facilidade”, explica.

Esses amores à primeira vista até hoje formam suas quatro grandes paixões – esquiar, carros, música e arte – e orientam sua carreira profissional. “Nesse período da adolescência, percebi que eu tinha que trabalhar por uma paixão”, diz Drouin, que já acumulava experiências em diferentes “métiers”, como ele diz, trazendo o francês para a conversa ao se referir aos empregos temporários em fábricas da região. “Não eram minha paixão, mas pagavam bem. Assim eu conseguia viajar”, lembra.

Chantilly ficou para trás quando Frédéric começou a estudar no Instituto de Estudos Políticos de Paris, mais conhecido como “Sciences Po”, uma das universidades mais disputadas e conceituadas da França. “É uma escola muito famosa. Se você olhar, todos os políticos dos últimos 50 anos estudaram lá”, comenta o aluno da turma de 1986, que pegou o diploma 15 anos antes do atual presidente francês, Emmanuel Macron.

Mas começar a carreira ainda não estava nos planos. Assim que soube da primeira parceria internacional da Sciences Po – hoje já são mais de 400 –, Frédéric se candidatou à vaga para o mestrado em marketing e relações internacionais na Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. “Cheguei lá com uma mala e poucos dólares”, diz Frédéric, lembrando dos tempos em que uma cama e uma bicicleta eram quase todo seu patrimônio. “O apartamento não tinha televisão, cadeira, nada. Eu cozinhava arroz e fazia compras de bicicleta. Foi um período bem divertido”, diz ele, que mais uma vez conciliou estudo com trabalho - agora como garçom e sommelier.

De volta à França, ele recebeu duas propostas: uma para trabalhar com marketing na Peugeot da Holanda e outra com salário mais alto, porém em uma indústria diferente da automotiva. “Preferi seguir a paixão. Eu não teria o mesmo prazer em outro setor”, diz. Dois anos depois, Frédéric voltou para Paris contratado pela Porsche. “Eu estava gostando dos carros com velocidade”, comenta o executivo, que retomou sua carreira na Peugeot e a estrada de expatriado apenas um ano eseis meses depois. “Trabalhei fora do meu país desde o início porque eu queria descobrir outro mundo”, diz.

Foram quase 15 anos morando em diferentes cidades da Alemanha, até chegar ao cargo de diretor regional da Peugeot. “Você consegue aprender o idioma com certa facilidade”, comenta Frédéric, ao ponderar o que faz a diferença em uma carreira internacional. “O complicado é aprender a cultura do país. Vou dar um exemplo: na Alemanha, você trabalha 20 anos com uma pessoa e não sabe se ela é casada ou se tem filhos. Aqui no Brasil, desde o primeiro dia você já sabe tudo. Gosto desse lado emocional forte do brasileiro. Tem um espírito de eterno adolescente.”

Seu primeiro contato com essa cultura tão distinta da europeia foi em 1997, quando morou em São Paulo por três anos para assumir a direção de marketing da Peugeot no Brasil. Frédéric manteve o ritmo de chegadas e partidas, voltando para mais uma temporada alemã seguida de um novo desafio na sede francesa do Banco PSA, braço financeiro do Grupo PSA, dono das marcas Peugeot e Citroën.

À frente da área de financiamento de veículos, ele assumiu o primeiro cargo de diretor geral em 2008, no Banco PSA do Brasil. “Foi uma passagem interessante liderar pessoas que têm conhecimento técnico - no caso, financeiro - maior do que o meu”, diz o francês, lembrando que decidiu migrar de área para se desafiar, sair da rotina e aprender mais. Em 2012, toda a operação da Peugeot no Brasil ficou sob sua responsabilidade. “Ser presidente não era um objetivo quando eu era mais jovem. Eu não sonhava com isso”, lembra. “No começo da carreira, você tem um chefe que está lá, tem muito privilégio, mas você não entende muito o papel.”

Na décima mudança de país, de casa e de cultura, Frédéric deixou o Brasil para trabalhar na Suíça, em 2014, a fim de ficar mais perto da família da esposa e das montanhas com neve. “Eu queria aproveitar os anos em que poderia esquiar mais. Quando você vai ganhando idade, cada ano fica mais complicado”, brinca. Mas, depois de três invernos curtindo os Alpes Suíços, ele percebeu que não queria passar a vida inteira na mesma empresa. “Fiquei muito feliz de receber o convite para assumir como presidente para América Latina da Jaguar Land Rover porque eu gostava dos produtos, do lado aventureiro da marca e do Brasil”, conta.

Trinta anos depois do primeiro emprego no setor automotivo,ele já entende muito bem o papel de um presidente – e acredita que o mais importante é inspirar as pessoas. Fazer com que elas tenham vontade de trabalhar, de dar o seu melhor e de progredir. “Um presidente precisa construir uma história positiva, trabalhar com valores, princípios e objetivos claros, ser motivador”, observa Drouin, compartilhando os grandes aprendizados dos últimos anos como diretor geral. “Assim que você identificar suas habilidades, fortaleça isso. Forçar uma pessoa a corrigir suas fraquezas não é muito eficaz. Leva muito mais tempo e energia.”

Para ele, mais uma vez, isso tem a ver com as paixões. “Quando você gosta de algo, sempre tem vontade de aprender mais”, diz. “Eu não sabia que gostava de música e carros. Por isso é preciso estar sempre aberto para se identificar o que mais gosta de fazer. E viajar, descobrir o mundo”, aconselha Frédéric. Ele lembra da emoção ao ver um Land Rover Defender pela primeira vez, pintado de branco e preto, como uma zebra, e cruzando a savana africana na série de televisão “Daktari”, que foi ao ar nos anos 1960.

Hoje ele dirige seu carro de casa ao escritório ouvindo suas playlists de música no SoundCloud. “O sistema de som é tão fantástico que parece uma sala de concerto”, diz o executivo, sem perder a oportunidade de fazer o marketing da marca. Já no escritório, com uma rotina de trabalho que costuma seguir das 7h30 até as 19h – além de muitas viagens –, ele se concentra nos principais objetivos das marcas britânicas. “Temos uma participação bem significativa no Brasil. Mas, fora, temos que crescer, principalmente no México, na Colômbia e na Argentina, que são países com muito potencial.”

Para isso, o executivo busca preservar a tradição da Jaguar Land Rover no mercado de luxo com constantes inovações. “É muito agradável trabalhar em uma empresa que tem uma herança tão grande e participar da construção dessa história”, diz. Já o exemplo que ele deixa de herança para os quatro filhos – e para todos à sua volta – é essa certeza de que tudo o que for feito com amor resulta em sucesso. “Minha filha mais velha está fazendodoutorado em oceanografia física e estudando as correntes marítimas. Essa é a paixão dela”, conta Frédéric, cheio de orgulho.

Camila Balthazar
Camila Balthazar
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