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Quinta-feira, 29 de Junho de 2017

O sonho de infância que Rodrigo Hilbert Alberton tinha de cursar informática ou agronomia foi interrompido aos 17 anos por um olheiro no calçadão de Laguna (SC), enquanto ele comia um x-salada com os amigos nas férias de verão. Desde o episódio, já faz duas décadas que aquele adolescente de ascendência alemã e italiana deixou sua cidade natal, a pequena Orleans, com malas cheias de salame, queijo e pão de milho, rumo a São Paulo e ao glamour das passarelas e capas de revista.

Mas o mundo luxuoso da moda e de grifes como Gucci e Versace não combinava com o jeito simples de Rodrigo (ou Dito, para os conterrâneos). Ele, então, resolveu mudar de rumo mais uma vez. “Fui para o Rio de Janeiro, procurei um curso de teatro e comecei a estudar. Em um ano, peguei meu primeiro papel na Globo (“Desejos de Mulher”, de 2002). Mas estava muito despreparado. Aceitei porque precisava de grana, tinha contrato”, lembra ele, em entrevista na suíte royal do Hotel Santa Teresa Rio MGallery By So tel – mesmo quarto onde se hospedou Amy Winehouse, em 2011.

O catarinense de 1,92 metro,  lho de uma professora e de um radialista, atuou em outras nove novelas da Globo, na série “Louco por Elas”, em três  lmes e uma peça de teatro. Contracenou com Antonio Fagundes, Marília Gabriela, Giovanna Antonelli, e não cansa de se reinventar como pro ssional.

Para Rodrigo, porém, a primeira grande virada na carreira veio em 2007, quando ele se arriscou em passos de tango, forró e lambada, e venceu o quadro Dança dos Famosos, do “Domingão do Faustão”. O troféu, segundo o próprio Faustão, serviu para quebrar o tabu de que homem alto não tem gingado. Mas o resultado foi fruto mais do empenho do que da habilidade de Rodrigo: “Cheguei lá sem saber nada, zero. Quase fui eliminado no primeiro dia, mas o Carmo Dalla Vecchia foi desclassi cado por usar relógio e aí  quei até o  m.”

Naquela época, o ator também gravava a novela “Pé na Jaca” com Fernanda Lima, e foi a partir daí que eles não se desgrudaram mais. Econômico quando fala da esposa, “para não fazer propaganda”, Rodrigo diz que se inspira demais em Fernanda e conta com a ajuda dela também nas questões profissionais. “Ela é dedicada, estuda muito, tenho orgulho disso. E sempre me diz que, se quero alguma coisa, devo fazer de verdade, sabendo o que estou fazendo”, afirma o pai dos gêmeos João e Francisco, de 9 anos. Seguindo esse conselho, há quatro anos veio a segunda grande guinada no destino de Rodrigo: o programa “Tempero de Família”, no GNT.

SABORES FAMILIARES

Sempre muito ligado às suas origens e à terra, Rodrigo voltou os olhos novamente para Santa Catarina e gravou lá, em 2013, a primeira temporada do programa. “Cresci vendo as mulheres da minha família cozinharem cuca, pão, bolinho de chuva. Com 12 anos, eu trabalhava como soldador na o cina do meu avô Haine, mas também  nalizava o almoço que minha mãe havia deixado pré-pronto na noite anterior. Fritava os bifes, fazia arroz, amassava purê, colocava os pratos no forno. Meio-dia em ponto, tinha que estar tudo na mesa”, recorda.

A cozinha de Rodrigo não é nada gourmet. A ideia é preparar refeições caseiras, regionais, com gosto de infância e ingredientes frescos e fáceis de encontrar. “A gente tirou um pouco dessa coisa da di culdade, do medo de fazer um prato chique, muito arrumadinho.” Para ele, comida boa é aquela terminada em “ada”: macarronada, galinhada, churrascada. Aliás, macarrão com galinha ensopada é seu prato favorito, hoje adaptado com o “toque do chef”. “Tento sempre colocar o meu temperinho. Nunca repito nada”, diz Rodrigo, que no início se inspirou no inglês Jamie Oliver e hoje é fã do francês Claude Troisgros.

A primeira receita que ele fez na vida foi uma maionese caseira com cheiro-verde, para colocar no x-salada e no misto-quente que levava para a escola. Já nos tempos de modelo, desde quando não tinha nem colchão para dormir até depois de montar uma república com amigos, os pratos foram  cando mais elaborados: macarronada com salsicha ou sardinha, risoto, feijoada. Hoje, concluídas 11 temporadas do “Tempero de Família”, Rodrigo já se dedicou às culinárias árabe, japonesa, italiana, tailandesa, africana, alemã, romena e mexicana, entre outras.

A 12a temporada, com 13 episódios, estreou no dia 9 de março e se concentra nos temperos da Paraíba. “Percorremos desde o sertão, o agreste, até o litoral. Falamos sobre as mulheres fortes do estado, rendeiras, crocheteiras e a fabricante de uma das principais cachaças do Nordeste”, conta Rodrigo, que rejeita o rótulo de apresentador, pois diz que é ele mesmo, fazendo o que sabe e se divertindo. O programa já rendeu um livro, publicado em 2014, e deve sair outro em breve.

Sua agenda com o GNT já está fechada até 2019, com duas temporadas regulares por ano, mais a de férias. “A próxima, que vai ao ar no segundo semestre, será sobre os temperos de Portugal, só que dentro do Rio de Janeiro. Também faremos outra ‘ferro e fogo’, pois tenho uma oficina no meu sítio, em Teresópolis, onde aplico os conhecimentos de ferraria passados pelo meu avô”, explica ele, que conta com a assistência do irmão do meio, Charles (ou Tatai, para manter a tradição dos apelidos na família), na direção de arte.

É nesse sítio, na região serrana do Rio, que Rodrigo passa vários de seus finais de semana com a
família. Lá,  ca recluso, faz suas experiências e tem ideias novas. “É o meu lugar preferido, onde plantamos tangerina ponkan, chuchu, alface. Também criamos galinhas e gado”, conta. Em suas casas, nunca faltam cuca de banana, nata e pão de milho. Tudo saído de um livro de receitas da mãe, Suzete, e da avó Eda, o qual ele guarda em uma caixa, a sete chaves. “É uma relíquia”, aponta ele, sugerindo que será passada para a próxima geração.

A infância que os filhos João e Francisco têm hoje no Rio de Janeiro é muito parecida com a que Rodrigo passou em Orleans, na opinião dele. “Eles vivem muito na rua, jogam bola, nadam, andam a cavalo. Apesar de morarmos em apartamento, vamos à praia, ao sítio, ao Sul três ou quatro vezes por ano. “Nas últimas férias de verão, ficamos dez dias no Farol de Santa Marta, em Laguna. Só praia deserta, dunas, estradinhas de terra e umas dez casas. Lá pelas 23h, eles iam sozinhos para a casa da minha tia, pelo meio do bosque, coisa que eu fazia quando era pequeno. Eu disse para um deles: ‘Tá com medo de quê, cara? Só se o vaga-lume te pegar. Vai e aproveita, que no Rio tu não vai’”, lembra, aos risos.

A natureza é cenário cotidiano de Rodrigo. Quando não está cozinhando ou construindo espetos e churrasqueiras, ele pedala – e muito. “O ciclismo virou um vício nos últimos três anos. Participo de algumas competições, mais de mountain bike.

Em setembro, viajo a Cunha (SP) para fazer pela terceira vez a L’Étape Brasil do Tour de France, que inclui 120 quilômetros de muita subida”, a rma. Os preparativos para os torneios incluem treinos quase diários, assim que o sol nasce. Rodrigo sobe o Cristo Redentor e a Vista Chinesa, até a Mesa do Imperador.

SEM MACHISMO

Criado sempre muito próximo da mãe, o caçula de quatro irmãos destaca que nunca foi machista, mas convivia com homens que eram, só que não percebia. “Hoje me incomodo. Com a Fernanda em casa, não tem isso, e meus  lhos são criados dessa forma. Estamos indo bem. Eles são comportados, inteligentes e entendem que não deve haver diferença entre gêneros ou cores”, diz Rodrigo, que fez uma participação especial no programa “Amor & Sexo”, da Globo, no dia 3 de março, vestido de drag queen. “Todo mundo tem que lutar por essa causa.”

Sobre ele e Fernanda serem considerados um casal-modelo, Rodrigo diz que os dois têm problemas como qualquer um. Mas que a receita para um relacionamento longo e feliz é ter companheirismo, parceria, respeito e amor. “Se você seguir essas simples regras, seu casamento vai durar. O problema é que as pessoas não respeitam isso. Qualquer tropeço ou di culdade, já vai cada um para um canto. A gente opta por tentar resolver e seguir a vida em frente, juntos, porque o amor entre nós é muito grande”, ressalta.

Para o futuro, ele pretende continuar com seu programa no GNT (“Deus me livre de acabar!”) e não descarta atuar novamente. Da primeira temporada de 2016 no GNT, Rodrigo tirou algumas lições, principalmente quando foi envolvido em uma polêmica sobre o abate de uma ovelha, mostrado em detalhes. “O episódio contava a história de um pequeno produtor que ganhava a vida daquela forma. Em duas horas, recebi 800 mensagens de gente me chamando de assassino, ameaçando minha família. A internet dá voz para muitos destilarem ódio”, enfatiza ele, que também recebeu muitas palavras de apoio.

O ocorrido serviu para deixar Rodrigo mais cauteloso com o que faz. Na avaliação geral, porém, ele acredita que, após 20 anos de sua mudança do Sul para o Sudeste, tem tomado as decisões corretas. “A gente tem milhões de caminhos a seguir, e muitos são errados. Posso dizer que acertei nas minhas amizades e escolhas”, analisa ele, cujo lema de vida é ser feliz, sem estrelismos.

POR. D'ALAMA
FOTOS. JORGE BISPO
STYLIST. ALÊ DUPRAT

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redação

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