Banner Top
Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

DEU ONDA

PRIMEIRO SURFISTA BRASILEIRO CAMPEÃO DO MUNDO, GABRIEL MEDINA QUER MAIS: AOS 23 ANOS, O GAROTO DE MARESIAS (SP) TREINA PARA TRAZER OUTRO TÍTULO AO PAÍS E INVESTE NA FORMAÇÃO DE NOVOS ATLETAS.

Gabriel Medina é um dos poucos campeões que não se rendem à fama. Primeiro brasileiro a conquistar o título mundial de surfe, em 2014, o atleta de Maresias, no litoral norte de São Paulo, mantém o mesmo jeitão simples e tranquilo de quando suas manobras começaram a chamar a atenção do público e da imprensa esportiva. De fala mansa, ele parece não se dar conta de ser, aos 23 anos, um ídolo nacional. Não há mídia, patrocinadores e seguidores no Instagram (são mais de 5,4 milhões) capazes de tirar o foco de seu ob- jetivo de vida: pegar ondas perfeitas.

É assim desde os 7 anos, quando Gabriel — Biel para a família — caiu no mar pela primeira vez. Com uma prancha dada por Charles Saldanha, padrasto considerado pai, apaixonou-se pela coisa. “Eu passava o dia na água. Saía para comer um negócio e logo voltava”, lembra ele. Aos 14, foi incentivado pelo próprio pai, o primeiro a notar seu potencial, a encarar o surfe profissionalmente. Não hesitou. Partiu para os torneios e enrijeceu sua rotina, que ainda hoje consiste em pesados treinos dentro e fora d’água, alimentação balanceada e horários controlados para dormir e acordar.

Também deixou de lado dois outros esportes dos quais gostava, o futebol e o skate, para evitar lesões. Quer dizer, ainda encara uma pelada de leve com os amigos e arrisca manobras no skate. No dia da produção destas fotos, ele mostrou-se bastante à vontade no bowl indoor da Bowlhouse, na Vila Mariana, em São Paulo, e confessou curtir o radicalismo e a atmosfera do esporte, cuja correspondência com o surfe é enorme.

Ansioso convicto, como tantos jovens de sua geração, o atleta conversa com o celular sempre à mão. Dá uma olhadinha no Instagram (única rede social que curte atualmente) e outra no WhatsApp enquanto lembra de tudo aquilo que teve de abrir mão para dar o pontapé inicial na carreira. “Eu não saía como meus amigos, não ia a festas. Tive uma adolescência diferente. Estava focado em ser campeão mundial”, diz, com o tom tranquilo de quem não se arrepende das escolhas feitas. “Sempre fui competitivo. Se eu jogar bolinha de gude, vou querer ganhar. É uma coisa que vem lá de dentro”, completa.

Tamanha determinação e esforços realizados logo renderam frutos. Em 2009, aos 15 anos, o então desconhecido Gabriel Medina revelou-se para o mundo com um incrível repertório de manobras aéreas no King of the Groms, na França, evento que reúne os principais surfistas mirins. Os aéreos, aliás, não tardaram a se tornar sua marca registrada. “Gosto de fazer manobras novas e diferentes, muito por influência dos vídeos que assisto. Prefiro o surfe que você não sabe o que vai acontecer, acho mais bacana de ver do que o básico.”

Dois anos depois veio mais uma conquista, quando garantiu sua vaga no seleto grupo dos 36 melhores atletas do esporte e foi competir de igual para igual com alguns de seus ídolos. Dividir o mar com as maiores estrelas da elite do surfe o intimidou, mas também o fez desejar ainda mais se tornar um dos grandes. “Os caras que têm nome, que estão no tour há muito tempo, assustam, claro. Mas, apesar do respeito e da admiração que tenho por eles, eu sempre quis bater de frente. Ser melhor do que eles”, diz Gabriel, que de fato fez uma estreia memorável: saiu vitorioso em duas provas do Mundial de 2011, batendo os australianos Julian Wilson e Joel Parkinson.

FAMÍLIA SEMPRE POR PERTO
Para seguir na trilha do título, o atleta aprimorou sua equipe técnica — nesta época já havia fechado acordo com seu principal patrocinador, a Rip Curl Brasil — e contou com o apoio incondicional da família para se transformar no melhor surfista do mundo. Enquanto Charles, que é triatleta, monitorava de perto todos os seus treinos, a mãe, Simone, que também pega onda, cuidou de seu psicológico. Isso explica algumas características fortes da personalidade de Gabriel, como a religiosidade, a valorização da família, que está sempre por perto, e o jeito simples de levar a vida.

Tal divisão de tarefas permanece assim até hoje: a família o acompanha no dia a dia e na maioria dos campeonatos. Pai, mãe e outros parentes estavam presentes no circuito de 2014, quando Gabriel abriu os olhos do país do futebol para o surfe. Manteve-se na liderança durante quase toda a temporada, algo bastante raro de acontecer, e ganhou três das 11 etapas: Austrália, Fiji e Taiti. A última atraiu os holofotes não só do Brasil, mas do mundo inteiro: ele derrotou Kelly Slater, uma lenda do surfe, dono de 11 títulos, no mar favorito do norte-americano. “O Kelly domina este tipo de onda, todos apostavam nele. Depois que saiu o resultado da contagem de pontos, eu não acreditava que havia ganhado. Foi um sonho realizado.”

O sonho, na verdade, terminaria de se realizar alguns meses depois. Na última etapa do campeonato, em Pipeline, no Havaí, o garoto de Maresias sagrou-se o primeiro surfista brasileiro campeão do mundo, ainda nas quartas de final. Não deu para os monstros Kelly Slater e Mick Fanning, que brigavam pelo troféu, mas não conseguiram bater sua pontuação. Prestes a completar 21 anos, Gabriel comemorou com a família, como gosta de fazer, e começou a mudar a percepção do esporte no Brasil. “Foi o dia mais feliz da minha vida”, resume.

PRÓXIMAS ESTRELAS
Passado mais de dois anos do grande feito, Gabriel diz enxergar uma considerável evolução na cena do surfe nacional. “Nossa geração é uma das melhores que existem atualmente. Fico feliz de fazer parte dela. Antes as pessoas ficavam satisfeitas em ver um brasileiro passar uma bateria, terminar um campeonato em quinto lugar. Hoje, se você não ganha um torneio, elas reclamam bastante.”

A fim de compartilhar suas experiências e deixar um legado para os amantes do esporte e próximos atletas do país, teve sua trajetória compilada numa biografia, escrita pelo jornalista e surfista Tulio Brandão, com prefácio do ídolo-adversário Kelly Slater. “Lembrei de cada momento especial que já passei lendo o livro. Foi muito irado. Aliás, este é o único livro que consegui chegar até o final”, conta, achando graça.

Outra contribuição por ele idealizada, em acordo com a família, vai ajudar os futuros surfistas de maneira mais prática. Inaugurado em janeiro, em Maresias, o Instituto Medina, que busca recursos pela Lei de Incentivo ao Esporte e conta com apoio da Avianca Brasil, já auxilia 38 crianças, entre 10 e 16 anos. “Nós usamos o surfe como ferramenta para capacitar. A partir dele, que é o que essas crianças mais gostam de fazer, ensinamos disciplina, compromisso, responsabilidade. Ainda que nem todos virem surfistas profissionais, vão precisar dessas habilidades em qualquer atividade que venham a exercer”, explica a mãe de Gabriel, presidente do Instituto.

Estrategicamente localizado à beira da praia, no mesmo cantinho em que o surfista começou a pegar onda, o Instituto tem um corpo docente formado por muitos dos profissionais que cuidam do próprio atleta, do preparador físico às pessoas que o ajudam a buscar patrocínios. A grade dos alunos, que se dividem entre os turnos da manhã e da tarde, também inclui aulas de informática e inglês. “Quando eu fui para a Austrália pela primeira vez, aos 14 anos, não sabia nada de inglês. Ficava com o dicionário na mão tentando falar com a família que me hospedou. Foi um sufoco! Eu ligava para minha mãe chorando. Vejo as crianças no Instituto aprendendo tudo isso e penso: ‘Quem dera naquela época eu pudesse ter todo esse suporte para me desenvolver’”, diz Gabriel.

Quando está em Maresias — somente três ou quatro meses por ano, no restante tem de viajar para competir —, ele consegue acompanhar um pouco o desenvolvimento das crianças. Responde a todas as dúvidas e dá atenção especial a uma aluna de 11 anos: Sofia, sua irmã caçula, que já esbanja talento e aproveita a estrutura do Instituto para também se desenvolver no surfe.

Gabriel, porém, não perde nem por um minuto o foco em sua carreira. Atualmente na décima posição do ranking mundial, dá duro para aprimorar ainda mais o desempenho dentro d’água. Seu desejo é que o título de 2014 seja só o primeiro de muitos. “Quero ganhar uma etapa no Brasil. Competir em casa é sempre muito bom, com a companhia da família e dos amigos e com o carinho da torcida. E, claro, quero trazer mais e mais títulos.”

Há poucos meses morando sozinho (mas a dois minutos de caminhada de seus pais) e solteiro depois de quase dois anos de namoro, ele assume fazer o tipo caseiro. Gosta de ficar deitado no sofá vendo TV ou jogando videogame, mas só pode curtir esses luxos nas folgas. Atualmente, compromissos com patrocinadores — além da Rip Curl, Guaraná Antarctica, Coppertone e Audi são as algumas das marcas que o apoiam — e com a imprensa ocupam boa parte de sua agenda. Se não se rendeu à fama, o garoto que mudou o rumo do surfe no Brasil teve que ao menos aprender a lidar com ela.

Mas é no mar, em cima da prancha, que ele se sente completo. Não reclama da rotina militar de treinos e tem se dedicado totalmente a estar bem preparado para cada fase da temporada 2017. Fez um bom início na Austrália – onde sofreu uma lesão no joelho direito e teve que por uma pesada bateria de fisioterapia – e foi o 9o colocado na etapa de Saquarema, no Rio de Janeiro. Agora totalmente recuperado e exalando confiança, afirma estar pronto para fazer bonito neste mês no mar de Fiji, aquele que Slater adora. “Quero ganhar por mim, não é para provar nada para ninguém. Me dedico, treino, dou o melhor de mim porque amo surfar.” Gabriel, afinal, só quer pegar outras ondas perfeitas.

CONFIRA O MAKING OF

POR · BY BRUNA TIUSSU
FOTOS · PHOTOS FERNANDO TOMAZ
MAKE ·  PATRICK GUISSO

Bruna Tiussu
Bruna Tiussu

Últimas edições

Grazi Massafera
Mateus Solano
Klebber Toledo
Patrícia Poeta
Gabriel Medina
Juliana Paes
Rodrigo Hilbert
HUGH JACKMAN
Carol Castro
Débora Falabella
Paulo Gustavo
Dan Stulbach
Letícia Spiller
Camila Queiroz
Glenda Kozlowski
Maria Casadevall
Olivier Anquier
Camila Coutinho
Fernanda Lima
Pedro Andrade
Preta Gil
 Jaqueline Carvalho
Taís Araújo e Lázaro Ramos
Cleo Pires
Mauricio de Sousa
Carol Trentini
Star Alliance
Fábio Porchat
Marília Gabriela
Fernanda Paes Leme
Paolla Oliveira
Flávio Canto
Bruna Markezine
Marina Ruy Barbosa
Ingrid Guimarães
 Malvino Salvador
Isabelli Fontana
Deborah Secco
Meninos do vôlei
Miguel Falabella
Daniel Alves
Luiza Valdetaro
Giovanna Antonelli
Wagner Moura
Revista Giovanna Ewbank
Antonio Fagundes
Reynaldo Giane
Fernanda Motta
Paulo  Gustavo
Cláudia Raia
Maria Fernanda
João Paulo Diniz
Tatá Werneck
Fernando Torquatto Avianca
Junior Cigano
Max Fercondini
 Isis Valverde
 Robert Scheidt
Glória Maria
Alessandra Ambrósio
 Alinne Moraes Luiz Tripolli
Sabrina Sato
Tiago Abravanel

Media Onboard

Responsável por todo o entretenimento e mídia de bordo das aeronaves Avianca Brasil, oferecendo diversas plataformas criativas online e off-line para impactar o público alvo.

anuncie
  • Vencemos o 30º prêmio Veículos de Comunicação como revista customizada de 2016
RegistrationLogin
Sign in with social account
or
Lost your Password?
RegistrationLogin
Sign in with social account
or
A password will be send on your post
RegistrationLogin
Registration