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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017



ADVOGADA CRIMINALISTA EM ASCENSÃO NA CIDADE DE ITABUNA, SUL DABAHIA, MÔNICA BURGOS EMBARCOU PARA O RIO DE JANEIRO COM TRÊS FILHOS A FIM DE SE REINVENTAR NA ÁREA DA MODA. DURANTE DOIS ANOSCARIOCAS, MÔNICA DESCOBRIU O MARKETING OLFATIVO, VOLTOU PARA ABAHIA COM 50 LITROS DE AROMATIZANTES E COMEÇOU A VENDER DEPORTA EM PORTA. COMEMORANDO 15 ANOS DA EMPRESA BATIZADA DEAVATIM, “CHEIROS DA TERRA”, EM TUPI-GUARANI, A EMPREENDEDORAREGISTRA NÚMEROS EXPRESSIVOS: TEM LOJAS EM 22 ESTADOS, PRODUZ40 TONELADAS DE PRODUTOS POR MÊS E FATUROU QUASE 50 MILHÕES DEREAIS EM 2016. E AINDA ARREMATA MUITOS PRÊMIOS QUE RECONHECEM AFORÇA DA MULHER EMPREENDEDORA.


Já no final da nossa conversa de quase três horas, Mônica observa que seu positivismo é o grande legado de sua trajetória. “Reclamar não resolve. As pessoas precisam ter coragem e iniciativa para avançar. O que mais surpreende a todos que me conhecem é a minha autoestima. Não importa o que você faz. Tem que fazer acreditando que está dando o seu melhor e amando a si mesmo. Assim você consegue ir além, empreender e sustentar o que conquistou”, empolga-se a mineira criada na Bahia, ou “baianeira”, como ela mesma se define.

A infância em Itabuna, região do cacau vizinha de Ilhéus, foi uma mistura de muitas paixões. Os dias eram divididos entre campeonatos estaduais de judô, esporte que praticou por 15 anos, a leveza do balé, como integrante do corpo de baile da cidade, e o batuque da caixa, instrumento de percussão que tocava na banda da escola. Mônica também se envolvia nos cursos em que a mãe a matriculava, como bordado, cerâmica e porcelana. “Minha mãe achava que a mulher tinha que ser elegante, educada e prendada”, comenta Mônica, aproveitando para agradecê-la por isso.

Nesse meio-tempo, o sonho de virar oceanógrafa – curso oferecido em Florianópolis, no Rio de Janeiro e no Recife – ganhava força. Porém, aos 17 anos, o interesse pela vida marinha foi substituído pela faculdade de direito pertinho de casa. “Eu não queria me afastar daqui. Acabei dando essa alegria a meu pai, que havia feito um nome como o melhor criminalista da Bahia”, lembra Mônica, que estagiou os últimos dois anos no escritório dele. A construção da carreira e da família foi acontecendo em paralelo. “Eu queria ser mãe cedo. Casei com o primeiro namorado e me formei com o primeiro filho no colo”, diz.

Como exemplo de sua filosofia focada no poder do pensamento positivo, a notícia de que o primeiro filho nasceria com síndrome de Down foi recebida com alegria para encarar o novo desafio. “As situações sempre vêm para mim de forma positiva”, afirma Mônica, comparando a característica com a vida profissional. “Isso é um ponto importante para o empreendedor, que precisa estar preparado para tudo: uma crise, uma decepção, um projeto dos sonhos que não concluiu. Avanço muito na vida por conta disso. Não tenho medo. Estou sempre aberta a aprender e a recuar se não der certo.”

Foram oito anos intensos como advogada e mãe, reservando pequenos intervalos entre o nascimento de cada um dos filhos. Até Mônica dar à luz o terceiro e se deparar com uma crise balzaquiana, em 1995. “Quando meu último filho nasceu, eu já estava em crise pessoal. Era a crise dos 30. Entrei em um processo de insatisfação com a profissão e com o casamento. Aí resolvi mudar de vida. Não gosto de demorar para tomar uma decisão porque acabo sofrendo mais”, reflete.

Mônica assinou o divórcio, empacotou o passado em algumas malas e se mudou para o Rio de Janeiro com os três filhos e “um” babá. “Mãe, divorciada e com babá homem. Meus vizinhos achavam que eu era louca! ‘Como que eu deixava as crianças com um rapaz?’, me perguntavam”. Com a ajuda financeira dos pais e uma mãozinha de uma pessoa conhecida da família que estava montando o Senac Moda Rio, ela se matriculou em três cursos de uma só vez e passou a frequentar as aulas de segunda a sexta-feira, entre as 13h e as 23h.


Foi lá que Mônica conheceu o professor que a introduziu no mundo do marketing dos cinco sentidos. “Tive um professor maravilhoso, o Alexandre Nunes. Ele sabia que eu estava sempre correndo atrás de bicos, então me fez uma proposta para eu trabalhar em seu projeto dos cinco sentidos com lojistas de shopping centers”, explica. Entre as estratégias para encantar o consumidor, estavam mudar o visual da vitrine, estudar a cartela de cores, ligar o radinho ou uma fita cassete com uma boa música, oferecer um café, uma água gelada e uns docinhos, e perfumar a loja com um aroma próprio.


“Descobri a dificuldade de encontrar e indicar um aromatizante. Aí 
começou minha busca por lugares que vendessem cheiros bons”, conta Mônica, que até então nunca havia se interessado por esse mundo. Quando os cursos chegaram ao fim, dois anos depois, a “baianeira” precisou decidir se continuava no Rio para ser consultora de moda ou voltava para casa. “Era a época em que começaram a falar de personal stylist”, lembra a apaixonada por mudanças, optando por viver em Salvador e ficar mais perto da família.

O plano para facilitar sua entrada no mercado da capital baiana era vender aromatizantes para lojistas e, a partir daí, oferecer seu serviço completo de assessoria. Faltando dois dias para o voo de partida, Mônica estava louca atrás de um fornecedor quando recebeu a indicação de uma fábrica em Teresópolis (RJ). “Marquei um encontro no estacionamento do Barra Shopping e me surpreendi com um homem descendente de turco de quase dois metros de altura!”, ri Mônica, lembrando-se da cena. “Ele abriu o carro e mostrou aquele monte de frascos com cheiros maravilhosos. Foi a minha realização e salvação. Comprei 50 litros de 20 variedades.”

O teste foi feito em Itabuna com suas amigas empresárias, donas de lojas. “Foi uma festa! O povo não sabia muito de mim. A advogada filha do criminalista, que se separou e sumiu, estava de volta vendendo aromatizantes”, conta. Ao chegar em casa e encontrar a família reunida ao redor da mesa, a explicação sobre sua experiência com vendas foi a de que ou o produto vendia mais fácil do que água, ou as amigas tinham comprado em um gesto de piedade por sua situação. “Liguei para o turco e encomendei mais cem litros”, relata.

“Minha estratégia era vender o conceito de identidade olfativa, em vez de um simples aromatizante. Isso deixava as pessoas enlouquecidas”, explica Mônica, garantindo ser pioneira em marketing olfativo no mercado brasileiro. Ela seguiu com o plano de se mudar para Salvador e, poucos meses depois, já era a maior compradora da empresa de aromatizantes de Teresópolis. “Eu vendia tanto que comecei a contratar meninas para me ajudar. Sem perceber, montei uma rede de cinco vendedoras, comprei um sistema de gestão para me ajudar com os números e aluguei uma sala simples para guardar o estoque.”

Quem a fez enxergar seu negócio dessa maneira foi o amigo e atual sócio, Cesar Fávaro. “Tomamos um café que durou uma manhã inteira e ele me deu uma aula de venda direta”, conta Mônica, sem ter ideia de que já estava diante de um negócio de venda porta a porta. Na sequência, Cesar emendou a proposta: estabelecer uma sociedade e fabricar o próprio produto com um visual muito mais atraente. “Ave Maria! Eu ia vender dez vezes mais”, diz Mônica, repetindo o pensamento da época. “A embalagem era feia, mas tinha qualidade. Imagina se eu tivesse um produto bom que também fosse bonito!”

Com oito mil reais de investimento aportados pelos dois sócios, a Avatim nasceu em Ilhéus, em meio a uma plantação de cacau e a flores tropicais, em 2002. “Começamos em uma sala com 40 metros quadrados, onde fazíamos a produção, o envase e o encaixotamento. Apenas adaptamos essa sala com todas as exigências da Anvisa”, diz a empreendedora, contando com a ajuda da irmã, formada em farmácia bioquímica, para assinar a formulação dos produtos. Mônica continuou cuidando da parte de vendas, enquanto Cesar entrou para as áreas de produção e finanças.

Dois anos depois, a Avatim já estava em um grande galpão, e Mônica percebeu que era hora de deixar sua base em Salvador e voltar para Itabuna, a 30 quilômetros de Ilhéus, para montar a central de vendas e expandir o negócio para todo o Brasil. “Aí aconteceu a grande explosão de crescimento. De 2004 para cá, crescemos em média 40% ao ano. Só nos últimos três anos de crise que ficamos abaixo disso”, expõe a empreendedora, ainda assim crescendo 35% em 2014, 25% em 2015 e 34% em 2016.

Com 210 colaboradores diretos, mais de mil revendedores e alguns poucos e bons distribuidores, que concentram sua própria rede de revendedores, o perfume Avatim pode ser sentido em vários lugares que nem imaginamos. A empresa assina a experiência aromática de lojas como Água de Coco e Ellus do Brasil, além do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O sucesso está sempre levando a dupla a inventar novos projetos. Desde 2009, além de formar a rede de vendas diretas, Mônica começou a aplicar seu conhecimento como consultora de moda nas lojas físicas da própria Avatim, exibindo seus produtos em espaços cheirosos de grandes shopping centers.

“Menos de seis meses depois, já havíamos franqueado três lojas”, conta Mônica, animada. “Nossos distribuidores quiseram correr o risco conosco. Nem esperaram ter o modelo 100% certo e já quiseram abrir loja. Mais loucos fomos nós, que concordamos!”, ri a empreendedora, acrescentando que seis lojas abriram em 2010. Atualmente, já são quase cem, além de um processo inicial de expansão para os Estados Unidos e a Espanha. “Começamos nosso trabalho porta a porta lá. Estamos indo com cautela, adequando a formulação para exportação. Quero estabelecer essa sementinha lá fora”, almeja.

Além da previsão oficial de crescimento de 30% para 2017 (Mônica está focada na meta pessoal de 40%), a Avatim comemora 15 anos da fabricação de seu primeiro aromatizante. “Tenho clientes que acompanharam todo o meu crescimento. Hoje eles veem minhas entrevistas e enviam relatos que me emocionam”, afirma Mônica, orgulhosa da própria história. Da pequena sala inicial de 40 metros quadrados na fazenda de cacau, a empresa está prestes a inaugurar uma nova fábrica de 6.500 metros quadrados, no mesmo endereço de sempre, entre o verde da Mata Atlântica baiana.

A última novidade da empresa foi a criação de um cheiro especial para Salvador. A ideia foi aprovada pelo prefeito, e Mônica já pode comemorar o fato de a capital baiana ser a primeira cidade do mundo a ter uma identidade olfativa própria. Além de ser espalhado por vários pontos de Salvador, o cheiro também estará presente no Sambódromo de São Paulo no sábado de carnaval (25 de fevereiro), quando Mônica desfilará pela escola Unidos do Peruche, cujo samba-enredo homenageia Salvador. “Vou ficar lá em cima do carro abre-alas!”, afirma Mônica, ainda incrédula, mas aos risos. Agora é que os clientes antigos vão morrer de amor por essa história.

Camila Balthazar
Camila Balthazar
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