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Destino Nacional Destino Nacional Chapada dos Veadeiros e a natureza exuberante do Cerrado Brasileiro

Chapada dos Veadeiros e a natureza exuberante do Cerrado Brasileiro

Juliana Deodoro

Com cachoeiras deslumbrantes e paisagens únicas, a Chapada dos Veadeiros dá a oportunidade de se conectar com a natureza no centro do Brasil

 

Ouvir o barulho da água ao longe e tirar de dentro de si o último impulso para terminar a trilha. Mergulhar os pés cansados e o corpo quente e sentir a pressão natural da queda d’água, geladíssima. Secar ao sol para começar a caminhada de volta, e terminar o dia com uma fome de quem desbravou o mundo. Poucas sensações são tão boas quanto a de mergulhar em uma cachoeira. Na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, todos os dias são assim, de conexão profunda com a natureza.

 

A 230 quilômetros de Brasília, essa reserva natural no meio do Cerrado é um oásis que pode ser visitado o ano inteiro. De maio a outubro, época de seca, as cachoeiras e piscinas naturais estão mais cristalinas, enquanto o ambiente ganha tons terrosos e dourados. De novembro a abril, com as chuvas, corre-se o risco de não conseguir visitar todas as atrações, mas as quedas d’agua ficam mais volumosas e potentes.

 

 

A cidade referência é Alto Paraíso de Goiás, que conta com boa estrutura de hotéis, pousadas e restaurantes. A entrada do parque, no entanto, fica no distrito de São Jorge, a 40 quilômetros de distância. São Jorge é uma vila pacata, com ruas não asfaltadas e clima de interior. Apesar de ter menos opções que Alto Paraíso, é uma boa base para quem quer mais tranquilidade. Há também belas cachoeiras em Cavalcante, a 90 quilômetros de Alto Paraíso. Ainda mais sossegada, a cidadezinha é um pouco fora de mão se a intenção for desbravar toda a área.

 

O Parque Nacional, criado na década de 1960 por Juscelino Kubitschek, é a principal atração da região, mas não a única. Há várias cachoeiras em propriedades privadas, que cobram valores não muito altos para a visitação. E entre todas as opções, há passeios para diferentes tipos de visitantes, dos mais aventureiros aos mais sedentários, dos que querem entrar de cabeça nas quedas d’água aos que preferem só molhar o pezinho. Depois de instalado, calce um tênis confortável, passe protetor solar, encha a garrafinha de água e se prepare para conhecer o paraíso no Cerrado.


MATULA

É impossível passar impune à matula do Waldomiro, que tem um restaurante simples no Km 18 da estrada que liga Alto Paraíso
de Goiás a São Jorge. Servida na folha de bananeira, vem com tutu de feijão engrossado com farinha de mandioca, pedaços de linguiça, carne de sol e de lata. A iguaria sertaneja é ainda acompanhada de mandioca, abóbora, paçoca e arroz. É sustância na medida depois de um dia de caminhada.

 


PARQUE NACIONAL

Aberto das 8h às 18h, o Parque Nacional tem quatro trilhas diferentes, assinaladas no território por setas de cores distintas: Travessia das Sete Quedas; Trilha dos Saltos, Carrossel e Corredeiras; Trilha dos Cânions e Cariocas; e Trilha da Seriema.

 

A Travessia das Sete Quedas é a mais difícil, exige a contratação de um guia e só está disponível na época seca. São 23,5 quilômetros, percorridos em dois ou três dias, com uma ou duas noites de acampamento dentro do parque.

 

 

As trilhas dos Saltos e dos Cânions são as mais tradicionais. Ambas exigem algum preparo físico e levam a cachoeiras belíssimas. A principal diferença entre elas está no caminho. Mais curta, com 11 quilômetros de extensão, a primeira leva ao Mirante do Salto do Rio Preto, um cenário de perder o fôlego. Depois de uma subida íngreme (e difícil) de 800 metros, chega-se a Cachoeira Garimpão e ao Poço do Carrossel.

 

A trilha dos Cânions, por sua vez, é um pouco mais extensa, tem 12 quilômetros, mas o percurso é plano, sem muitas subidas, e passa por lugares com sombra, bicas com água e paisagens bonitas. O caminho leva à Cachoeira das Cariocas, imponente, e a dois cânions, formações rochosas íngremes e surpreendentes.

 

 

Por fim, a Trilha da Seriema é mais tranquila, indicada para pessoas com dificuldade de locomoção, como idosos, grávidas e crianças. Ela leva até Córrego Rodoviarinha, onde é possível tomar banho na época das chuvas.

 

ALMÉCEGAS

Em uma propriedade privada, as cachoeiras Almécegas I e II e São Bento são boas opções para conhecer em um único dia. A trilha para Almécegas I tem cerca de um quilômetro e meio, e não é das mais fáceis, com degraus de pedras íngremes. No caminho, dá para descansar no Mirante e apreciar a cachoeira de longe. Almécegas II tem uma trilha mais tranquila, de 200 metros, que leva até seu topo. Com seis metros de queda e 300 de caminhada, a São Bento completa o passeio. Quem gosta de esportes radicais, encontra no local opções como rapel, tirolesa, trilhas de bicicleta e passeios a cavalo.

 


MÍSTICA

Localizada sobre uma enorme placa de quartzo, Alto Paraíso de Goiás é muito procurada por sua fama de esotérica. A cidade é cortada pelo paralelo 14, uma linha imaginária que também atravessa Machu Picchu, no Peru. Há quem diga que, por causa disso, a cidade está protegida e tem uma energia especial.

 


VALE DA LUA

Um dos lugares mais visitados da Chapada, o Vale da Lua parece não ser deste planeta mesmo. Com formações rochosas que lembram a paisagem lunar, é um local curioso para passear e até tomar um banho nas piscinas naturais que surgem entre grutas e fendas. Na época de chuvas, o cuidado deve ser redobrado com as trombas d’água e o piso escorregadio.

 

 

CACHOEIRA DO SEGREDO

Um lugar que o sol só alcança um mês por ano, em outubro. Essa é a Cachoeira do Segredo, local de difícil acesso, mas recompensador. São 13 quilômetros de carro e outros seis de trilha. O caminho não é particularmente complicado, exceto por um detalhe: é necessário cruzar os rios Segredo e São Miguel mais de uma dezena de vezes. Há vários lugares para banho no percurso e a queda de 115 metros vale o esforço.

 

 

CACHOEIRA DO ABISMO E MIRANTE DA JANELA

São quatro quilômetros de trilha, que te levam a dois cenários bem diferentes. A primeira metade do trajeto, tranquila e relativamente fácil, chega na Cachoeira do Abismo – que só tem água na temporada de chuvas. O banho ali deve preparar para a outra metade do caminho, que exige esforço físico para subir por escadas de madeiras e trechos com cordas. A recompensa é chegar ao Mirante da Janela, uma formação rochosa que emoldura perfeitamente os Saltos do Rio Preto.

 

 

LOQUINHAS

Lindos e fáceis de chegar. Assim são os poços da Fazenda Loquinhas, muito próximo ao centro de Alto Paraíso de Goiás. O caminho é reformado e com corrimão – ideal para quem tem mais dificuldade de locomoção. São sete locais para banho, todos límpidos, com uma água verde esmeralda embasbacante.

 

 

SANTA BÁRBARA

Em Cavalcante, a Cachoeira Santa Bárbara é, para alguns, a mais bonita da região. O caminho começa na comunidade quilombola Kalunga, que fica a cinco quilômetros da portaria da queda d’água – acessível apenas por carros 4×4. A partir dali, pega-se uma trilha levemente acidentada por 20 minutos para chegar ao impressionante poço de água esmeralda. Fique atento, pois esta é uma das únicas atrações da Chapada que exigem a contratação de um guia.

 

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