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Destino Nacional Destino Nacional 24 horas em Brasília pelo olhar do fotógrafo César Ovalle

24 horas em Brasília pelo olhar do fotógrafo César Ovalle

César Ovalle

Para comemorar o Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto, a Avianca Brasil levou cinco fotógrafos para cinco capitais brasileiras. A missão deles era lançar um olhar para cada uma destas cidades. Coube aos nossos seguidores do Instagram escolher a melhor foto e, consequentemente, o destino nacional deste mês. A preferida foi Brasília, cidade que o fotógrafo César Ovalle apresenta em imagens e palavras.

 

O relógio marcava meio dia em uma quarta-feira de agosto quando recebi uma mensagem com a proposta de um desafio: fotografar uma capital do Brasil em 24 horas. E não era apenas isso. Eu poderia escolher para onde ir. Curitiba, Brasília, Belém, Rio de Janeiro ou Salvador? Decidi por Brasília, cidade que me marcou desde a primeira vez que lá estive e que foi palco de momentos únicos e marcantes da minha vida

 

Pisei na capital federal pela primeira vez aos 28 anos. Já tinha rodado boa parte do país como fotógrafo de várias bandas e nada, até então, tinha me chamado tanta atenção quanto essa cidade. Fui para fotografar um show do NX Zero, que reuniu mais de 450 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, e foi amor à primeira vista. Não era apenas o fato de estar na maior cidade construída no século 20, mas também poder ver de perto o trabalho de nomes como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Burle Marx e Athos Bulcão.

 

Digo, sem medo, que Brasília é a cidade mais fotogênica do Brasil. Ao mesmo tempo pragmática e subjetiva, minimalista e simétrica, com um dos pores do sol mais bonitos que já vi. Uma cidade que é complexa, mas fácil de entender. Brasília é tão particular que tem até um vocabulário próprio: superquadra, eixo monumental, asa norte e asa sul. Uma organização que faz sentido visualmente, mas que para assimilar por completo precisaria de muito mais que 24 horas.

 

Para realizar o desafio proposto pela Avianca Brasil, cheguei na cidade por volta das 10 horas da manhã de uma sexta-feira nublada. Primeira parada: Ponte Juscelino Kubitschek. Eu já tinha na cabeça a imagem da ponte, mas queria muito vê-la por outra perspectiva. Por isso levei um drone e pude contemplar do alto a estrutura de três arcos parabólicos que liga um lado ao outro do Lago Paranoá. Em 2003 essa ponte foi eleita pela Sociedade de Engenharia do Estado da Pennsylvania, dos Estados Unidos, como a mais bonita do planeta. Mérito do arquiteto Alexandre Chan, que, em um momento de inspiração, imaginou que os arcos desenhassem algo semelhante a uma pedra que quica em um espelho d’água.

 

Ponte JK: Arcos parabólicos lembram pedra quicando em espelho d’água

 

Saindo de lá, segui para o Teatro Nacional, um lugar que ainda não tinha visto nem por fora – única perspectiva possível, já que o local, que parece uma pirâmide asteca e é revestido lateralmente por um painel de Athos Bulcão, está fechado desde 2014. Com 125 metros de base por 27 metros de altura, esse painel é considerado o maior exemplar de uma obra de arte integrada a uma edificação no Brasil, e é realmente incrível.

 

Painel de Athos Bulcão enfeita lateral do Teatro Nacional

 

Meu próximo destino foi a Catedral de Brasília, que eu nunca havia visitado com a calma necessária. A catedral foi o primeiro monumento a ser criado na cidade, projetada por Oscar Niemeyer e com os cálculos estruturais do engenheiro Joaquim Cardozo. Seus vitrais, uma das partes mais lindas da igreja, são da artista plástica Marianne Peretti. Ali pude explorar a visão pelas bordas da catedral, uma perspectiva completamente diferente.

 

Catedral de Brasília merece ser visitada com calma

 

Logo ao lado, foi a vez do Museu Nacional, inaugurado em 2006, no aniversário de 99 anos de Niemeyer – e projetado pelo mesmo. Com uma arquitetura moderna, foi onde eu fiquei mais tempo fotografando. Para mim, um adorador de simetrias, curvas e minimalismo, foi um prato cheio. E eu tive também uma motivação pessoal: em 2015, uma foto minha foi exposta e projetada na área externa do museu, durante uma exposição organizada pelo Instagram. Uma das coisas mais malucas que já me aconteceram e uma lembrança que eu guardo com carinho até hoje.

 

Museu Nacional foi projetado por Niemeyer e inaugurado no 99o aniversário do arquiteto

Simetrias, curvas e minimalismo são elementos principais do Museu Nacional

 

O que me fascina em Brasília é a capacidade que a cidade tem de se subverter, mesmo dentro da ordem imposta pelo Plano Piloto. Por isso, já no fim do dia, fiz questão de ir conhecer a famosa quadra Babilônia Norte (205/206), que foge do padrão estabelecido por Lúcio Costa. A arquiteta Doramélia Marra da Motta, responsável pelo projeto, propôs que estas quadras fossem administradas pelo mesmo síndico e interligadas por duas passagens subterrâneas. Saindo dali, para ter ideia do contraponto que ela criou, fui até a superquadra 308 Sul, para ver como uma “quadra modelo” deveria ser. É lá que fica a famosa igrejinha – a Igreja Nossa Senhora de Fátima – cuja fachada é decorada por azulejos de Athos Bulcão.

 

Já no fim da tarde, aos 45 do segundo tempo, o sol resolveu dar as caras para dizer tchau. Eu estava passando ao lado do estádio Mané Garrincha, e resolvi parar e registrar o momento. Mesmo em um dia nublado, é sempre um charme à parte a despedida do dia no cerrado.

 

Minha última exploração na capital federal aconteceu na manhã seguinte. Fui até as “ruínas da UnB”, um lugar que muita gente não conhece e que poucos realmente já foram explorar. Às margens do Lago Paranoá, essa construção deveria ter sido a Escola Superior de Guerra, mas foi abandonada nos anos 1970. Quis ver com meus próprios olhos (ou melhor, com a lente do drone) e descobri uma paisagem bem enigmática, simétrica e curiosa.

 

De cima, as “ruínas da UnB” revelam formato simétrico e enigmático

 

Depois dessa aventura, meu tempo em Brasília chegou ao m. Na volta para São Paulo, ao ver os registros que fiz, percebo que tentei fugir dos clichês, mas ao mesmo tempo, não quis ignorá-los. Fotografar essa cidade foi uma baita de uma experiência. A sensação, no entanto, é de que 24 horas foi pouco tempo para captar tudo. Mas um dia ainda retorno, Brasília… e aí te fotografo por inteira.

 

Brasília: cidade que é, ao mesmo tempo, pragmática e subjetiva

 

Brasília em números

 

  • População: 2,9 milhões de habitantes
    Hoje com 58 anos, a cidade foi erguida em 4 anos
    É a capital do Distrito Federal, território autônomo dividido em 31 regiões administrativas
    Destino Avianca desde 2003, já recebeu mais de 160 mil voos e 15,8 milhões passageiros*
    Todos os dias, 63 aeronaves Avianca chegam ou partem de Brasília para todas as regiões do país

 

* Dados Avianca Brasil

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