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Destino Internacional Destino Internacional Um dia de história, arte e música no Harlem, em Nova York

Um dia de história, arte e música no Harlem, em Nova York

Juliana Deodoro

Com uma história que remonta ao século 17 e reduto da cultura afro-americana em Manhattan, o Harlem está constantemente se reinventando. Para quem conheceu o bairro anos atrás, muitas novidades podem parecer surpreendentes. Mas passear pelas ruas que carregam tanta tradição e homenageiam nomes como Martin Luther King Jr. e Malcolm X é uma experiência sem igual, e uma Nova York muito diferente daquela de Midtown se revela aos visitantes. Novo e velho, moderno e tradicional, e música, muita música.

 

ABERTURA

 

Para se preparar para um dia de descobertas e muita caminhada é essencial começar com um café da manhã reforçado. No Lee Lee’s Rugelach, o rugelach é a estrela. A iguaria de origem judia, com massa folhada e inúmeros recheios, é feita há mais de 50 anos por Lee Lee, um personagem conhecido no bairro. Já os amantes de um vigoroso brunch encontram na Maison Harlem a mistura da França com o soul. A cozinha oferece clássicos franceses, como tartines, quiches e ovos benedict (foto), e a decoração não deixa o visitante esquecer nem por um minuto onde está: seja pelos cardápios em vinis antigos ou pela trilha sonora animada.

 

 

PRIMEIRO ATO

 

Barriga cheia, é hora de explorar as galerias de arte e museus que estão no bairro. Sim, o Harlem tem muitos deles. Por ali, é possível conhecer a cultura e a história da população negra dos Estados Unidos no Schomburg Center for Research in Black Culture e descobrir novos artistas afro-americanos no Studio Museum in Harlem. Também há interessantes galerias de arte em espaços diversos, de casas históricas a galpões industriais. Um ótimo exemplo é a Gavin Brown’s Enterprise (foto), que já esteve instalada no SoHo, no Meatpacking District e no West Village. Desde 2015, a galeria ocupa uma antiga fábrica de cerveja do Harlem, e recebe ex-posições temporárias de artistas contemporâneos.

 

 

CORO

 

Estar no mesmo lugar onde James Brown, Ella Fitzgerald e Billie Holiday se apresentaram desde o início de suas carreiras já é, por si só, uma experiência inesquecível. Construído em 1913, o Apollo Theater permanece como uma das mais importantes casas de shows de Nova York. Um tour diário conta a história do teatro, um dos primeiros a abrir o palco para artistas negros, além de levar os visitantes para conhecer os bastidores e as coxias. Às quartas-feiras acontece um dos eventos mais importantes: na noite dos amadores, cantores iniciantes se apresentam e é a plateia que decide o vencedor.

 

 

ÁRIA

 

Passear pelas ruas do Harlem é como estar no cenário de diferentes filmes. Não se espante se de repente cruzar com alguém carregando uma caixa de som nos ombros – um clássico dos anos 1980. Ou com famílias muito bem vestidas saindo de um culto religioso. Com uma tradição política forte, especialmente nas questões de igualdade racial, também é comum se deparar com protestos e ativistas divulgando suas causas. No bairro, há uma infinidade de salões de beleza e muitas igrejas, como a Catedral São João, o Divino, a maior de estilo neogótico do mundo. E as vitrines das lojas são uma experiência à parte: é impossível não ficar hipnotizado pelas perucas, chapéus e artigos de decoração expostos.

 

 

SEGUNDO ATO

 

Não é à toa que a soul food (comida da alma, em inglês) tem esse nome. A sensação de dar a primeira mordida em um pão de milho quentinho é a mesma de voltar a lugares da infância esquecidos na memória. E o Harlem é um reduto de restaurantes que oferecem e resgatam essa cozinha tão tradicional do sul dos Estados Unidos. O Sylvia’s, por exemplo, está no mesmo endereço desde a década de 1960. Entrar lá é como chegar na casa de alguém: o chão de carpete, os quadros pendurados na parede e as grandes mesas lotadas de famílias parecem uma sala de estar. A poucos metros dali, o Red Rooster Harlem (foto) tem uma pegada mais moderna. Comandado pelo premiado chef Marcus Samuelsson, o restaurante é animado durante o dia, com DJs e mesas pela calçada e, à noite, a música toma conta do ambiente com a abertura do Ginny’s Supper Club, bar que ocupa o subsolo e tem apresentações de jazz quase a semana toda.

 

 

GRAND FINALE

 

Ir ao Harlem é ouvir música a todo momento: na rua, nos bares e restaurantes ou em apresentações na calçada. Mas ver um show de jazz é um programa obrigatório. Há casas famosas, como o Showman’s Jazz Club (abaixo), que já foi palco de Sarah Vaughan e Duke Ellington. Nenhuma experiência, no entanto, se compara ao Parlor Jazz at Marjorie Eliot’s (foto). Há 25 anos, Marjorie, uma senhora que não revela a idade, recebe músicos convidados em sua casa todos os domingos para um show intimista. Sentada ao piano, ela comanda com uma energia incomum a apresentação, que dura pelos menos três horas. Espalhado pelos cômodos (cozinha, sala, corredores), o público ca absorto com a música e a sua presença – uma prova de que a alma, o coração e a poesia do Harlem continuam vivos.

 

 

LIBRETO

 

Fundado no século 17 como entreposto dos holandeses, o Harlem já foi uma região agrícola, um refúgio de férias e distrito dormitório. Mas sua história recente está diretamente ligada à população afro-americana. O bairro começou a ser ocupado ainda na época da segregação racial, quando negros não podiam morar ou frequentar os mesmos lugares que os brancos. Na década de 1920, viveu sua renaissance cultural, com o surgimento de diversos artistas e casas musicais, ao mesmo tempo em que, com a quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929, foi atingido pela falta de empregos e altos alugueis. Por ali, movimentos importantes da luta pelos direitos civis constituíram suas bases, como os Panteras Negras. E, até hoje, o Harlem é um dos epicentros da cultura afro-americana.

 


PARA CONHECER

  • SCHOMBURG CENTER FOR RESEARCH IN BLACK CULTURE
    515 Malcolm X Boulevard

    STUDIO MUSEUM IN HARLEM
    144 W 125th Street

    GAVIN BROWN’S ENTERPRISE
    439 W 127th Street

    CATEDRAL SÃO JOÃO, O DIVINO
    1047 Amsterdam Avenue

 

PARA COMER

 

  • LEE LEE’S RUGELACH
    283 West 118th Street

    MAISON HARLEM
    341 Saint Nicholas Avenue

    SYLVIA’S
    328 Malcolm X Boulevard

    RED ROOSTER HARLEM
    310 Lenox Avenue

PARA OUVIR

 

  • APOLLO THEATER
    253 W 125th Street


    SHOWMAN’S JAZZ CLUB

    375 W 125th Street

    PARLOR JAZZ AT MARJORIE ELIOT’S
    Todo domingo, às 15h30
    555 Edgecombe Avenue, apto 3F

 

Fotos: C. Koga e Flavio Terra

 

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