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Destino Nacional Destino Nacional Rio Histórico: 454 anos de história na cidade maravilhosa

Rio Histórico: 454 anos de história na cidade maravilhosa

Antonio Pita

O Rio de Janeiro é como um samba de Paulinho da Viola – o coração se deixa levar pela cadência das ruas sinuosas do centro, pelo estilo de vida e, sobretudo, pela natureza exuberante. Aos 454 anos, a cidade não apenas continua linda, mas segue como um dos destinos mais procurados do país, tanto por brasileiros quanto por gringos enfeitiçados pela bossa, praias e alegria locais. Neste aniversário, selecionamos lugares espalhados pela capital que carregam um pouco destes quase cinco séculos de história carioca e que continuam se reinventando até hoje.

 

O INÍCIO

 

Procurar por marcos da fundação da vila de São Sebastião – o primeiro nome da capital fluminense – não é uma tarefa fácil. Desde a chegada de Estácio de Sá à Baía de Guanabara, em 1565, a cidade passou por inúmeras transformações e poucas construções permaneceram de pé. Mas um mergulho pelo Rio histórico pode (e deve) começar pela única rua remanescente daquela época. A Ladeira da Misericórdia é uma via de pouco mais de 40 metros e foi a primeira pavimentada da cidade. O local integra o conjunto arquitetônico do Museu Histórico Nacional, que abriga um acervo com mais de 250 mil peças de diferentes períodos.

 

Praça Marechal Âncora, s/n

 

Foto: Alexandre Macieira/Riotur

 

Não muito longe dali, o Morro da Conceição é outra referência de um Rio de Janeiro de outros tempos. Cheio de vielas e casinhas de estilo português, o bairro preserva o clima bucólico em ruas como a Jogo de Bola e a Ladeira João Homem. Aos pés do Morro, fica a área conhecida como Pequena África – nome criado pelo artista plástico Heitor dos Prazeres. A região engloba os sítios tombados pela Unesco do Cais do Valongo, principal e maior porto de tráfico escravagista das Américas, por onde passaram mais de 3 milhões de pessoas. A Pedra do Sal, reconhecida como um quilombo urbano, recebe tradicionais rodas de samba e capoeira, e já contou com a participação de artistas como Donga, João da Baiana, e Pixinguinha.

 

CAIS DO VALONGO
Avenida Barão de Tefé, s/n

 

PEDRA DO SAL
Rua Argemiro Bulcão, s/n

 

Foto: Alexandre Macieira/Riotur

 

Acredite ou não, o Largo da Carioca já foi uma campestre lagoa nos idos do século 16. O local foi o ponto escolhido para a primeira capela franciscana do Rio, que depois se tornou o Santuário e Convento de Santo Antônio. Recém-restaurado, o conjunto arquitetônico começou a ser construído em 1615 e só foi concluído em 1780, após sucessivas paradas. O resultado é uma das mais bonitas igrejas da cidade, de estilo barroco.

 

Rua da Carioca, 15

 

Foto: Alexandre Macieira/Riotur

 

MONARQUIA E REPÚBLICA

 

A chegada da família real ao Rio, em 1808, foi fundamental para a transformação da vila em uma cidade. Para ter um gostinho de como era a vida da corte, a Praça XV é um bom começo. O Paço Imperial, situado ali, foi sede de gabinetes nos períodos colonial e de independência. Atualmente, o edifício abriga um centro cultural e, aos sábados, uma feira de antiguidades e artesanato na praça resgata a memória dos aficionados por objetos históricos.

 

Também na região, o Arco do Teles e a rua do Ouvidor, principal área de comércio da cidade durante o período colonial, são hoje tomados por bares e restaurantes. O mergulho na história pode ser feito de todas as maneiras. Na livraria Folha Seca, há um ótimo acervo de publicações que contam acontecimentos do Rio e de seus personagens. Já no restaurante Rio Minho, um dos mais antigos em funcionamento, a culinária portuguesa encanta os amantes de frutos do mar desde 1884.

 

PAÇO IMPERIAL
Praça XV de Novembro, 48

 

LIVRARIA FOLHA SECA 
Rua do Ouvidor, 37

 

RIO MINHO

Rua do Ouvidor, 10

 

Foto: Alexandre Macieira/Riotur

 

Com espécies trazidas da Europa, o Jardim Botânico é outro legado da presença da família real no Rio. Na época, o terreno era ligado à Floresta da Tijuca por trilhas pavimentadas para carroças – um dos passeios favoritos da realeza. Ainda hoje, duas construções remontam a esse período: a Mesa do Imperador, ideal para piqueniques, e a Vista Chinesa, um dos principais mirantes da cidade. O local ganhou este nome por causa dos agricultores de ervas dos chás tradicionais vindos da Ásia a mando de Dom João VI. Também por ali, o Parque Lage tem vista privilegiada para a Floresta da Tijuca e o Corcovado. O café, instalado na área central, é uma atração à parte, e ótima opção de brunch todos os dias.

 

JARDIM BOTÂNICO
Rua Jardim Botânico, 1008

 

PARQUE LAGE
Rua Jardim Botânico, 414

 

 

ESPLENDOR

O endereço não poderia ser mais apropriado: Rua de Camões. O Real Gabinete Português de Leitura guarda preciosidades da literatura mundial desde 1837, quando foi fundado por comerciantes portugueses. A fachada do prédio é uma ode à memória lusitana, com estátuas de Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões e Vasco da Gama. Por dentro, a arquitetura impressiona pelos vitrais, o mobiliário em madeira e o grandioso acervo, com mais de 350 mil exemplares, entre pinturas e livros raros, como a primeira edição de Os Lusíadas (1572) e manuscritos da obra de Machado de Assis.

 

Rua Luís de Camões, 30

 

Foto: Alexandre Macieira/Riotur

 

Durante o século 19, a Belle Époque deixou sua marca na arquitetura da cidade. Os exemplos estão em diversos lugares, como na Praça Paris e os palacetes e sobrados em bairros como Glória, Catete, Botafogo e Copacabana. A elegância e a inspiração francesas permanecem especialmente vivas na Casa Cavé, a mais antiga confeitaria do Rio, construída em 1860. Os móveis de mármore e madeira, o piso de ladrilhos hidráulicos e os espelhos e vitrais trazidos da França ainda estão por ali. Se prepare para sentar no mesmo salão que Olavo Bilac, Machado de Assis, Lima Barreto e outros intelectuais frequentavam para comentar as notícias da República.

 

Rua Sete de Setembro, 133

 

Foto: Alexandre Macieira/Riotur

 

MODERNIZAÇÃO

Nem só de casarões antigos e heranças imperiais vive o Rio de Janeiro. Símbolo da era da industrialização, a Fábrica Bhering foi a primeira de chocolates e cafés do Brasil, construída em 1930. O prédio preserva o projeto arquitetônico original, e seus cinco andares oferecem vistas incríveis para toda a zona portuária do Rio. Desde 2005, o local ganhou uma nova função: ateliês e coletivos de artistas ocuparam o prédio, que abre as portas nos primeiros sábados de todo mês, das 12h às 20h, com atrações culturais.

 

Rua Orestes, 28

 

 

O Rio glamoroso da TV e dos showbusiness do século 20 também pode ser revisitado na Casa Roberto Marinho, no Cosme Velho. O fundador da TV Globo deixou como legado uma coleção pessoal de arte aberta ao público. Construída entre 1939 e 1943, a residência tem estilo neocolonial e elementos modernistas, como o jardim de Burle Marx. Foi inaugurada ao público em 2018, como um museu de artes plásticas, com obras de Tarsila do Amaral, Lasar Segall, Djanira, Iberê Camargo, Di Cavalcanti, entre outros.

 

Rua Cosme Velho, 1105

 

Foto: Roberto Teixeira/Divulgação

 

PORVIR

Passado e futuro se encontram no Museu do Amanhã. Projetado pelo renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o museu é dedicado a refletir sobre a humanidade e suas intervenções no planeta ao longo da história. Construído na área portuária do Rio de Janeiro, o prédio renova a vocação da cidade de se conectar com a vanguarda. Uma visita aos arredores da Praça Mauá permite ver um mosaico das transformações vividas pela região, composta por grafites contemporâneos, sobrados coloniais e armazéns do antigo porto.

 

Praça Mauá, 1

Foto: Alexandre Macieira/Riotur

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