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Destino Nacional Destino Nacional João Pessoa acolhe visitantes com suas praias urbanas exuberantes

João Pessoa acolhe visitantes com suas praias urbanas exuberantes

Eduardo Vessoni

Praias urbanas deslumbrantes, com vida marítima e corais preservados, além de um centro histórico rico fazem da capital da Paraíba um destino incontestável

 

Desembarcar na capital da Paraíba é como chegar à casa de mainha e de painho. Peixe fresco que acabou de chegar do mar, queijo coalho recém-frito e suco de cajá gelado em jarra. Com um litoral discreto de apenas 24 quilômetros, João Pessoa é acolhedora e a praia sempre parece uma extensão de casa.

 

A cidade nasceu de costas para o mar, às margens do rio Sanhauá, e levou alguns séculos para ocupar a orla marítima. E, desde então, nunca mais deixou de olhar, orgulhosa, para a sequência de praias urbanas de tons esverdeados que hoje lhe são tão características.

 

É tanto orgulho deste cenário que, diariamente, das 5 às 8 da manhã, as avenidas entre as praias de Cabo Branco e a do Bessa fecham para automóveis e se transformam em uma espécie de academia ao ar livre – e com vista para o mar. O litoral urbano inclui ainda as praias de Manaíra e Tambaú, Praia do Bessa, um paraíso urbano que nos fazem esquecer que estamos em uma capital de mais de oitocentos mil habitantes.

 


Praia de Coqueirinho, em Conde, município a 30 quilômetros da capital

 

 

A área urbana da cidade abriga também o Farol do Cabo Branco, uma construção triangular de 19 metros de altura, única do gênero em todo o país. Ao lado fica a Estação Ciência do Cabo Branco, cujo mirante tem vista da orla. Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o local recebe eventos de música, cinema, atividades físicas, como ioga e tai chi chuan, e até observação astronômica. Há ali ainda um atrativo geográfico: a Ponta do Seixas, considerado o ponto mais oriental das Américas.

 

Outro destaque do litoral sul pessoense são as piscinas naturais de Picãozinho, a um quilômetro mar adentro da praia de Tambaú. Com acesso por catamarãs, esse conjunto de corais forma piscinas naturais, mas apenas durante a maré baixa.

 

Seguindo ainda mais para a parte meridional da cidade,a viagem vai assumindo ares selvagens em praias mais isoladas, como as do Sol e Barra de Gramame. Mas é nas extremidades, na região metropolitana de João Pessoa, que se revelam as imagens mais conhecidas do estado.

 

Espremida entre o Rio Grande do Norte e Pernambuco, a Paraíba tem 130 quilômetros de litoral e qualquer viagem por ali é sempre em ritmo de escapada. Dá para tomar café da manhã em João Pessoa, seguir para praias mais distantes e ainda terminar o dia em algum dos restaurantes beira-mar de Jampa, como a cidade também é conhecida.

 

Em Conde, município a 30 quilômetros da capital, um pequeno cânion multicolorido se debruça sobre o mar, na praia de Coqueirinho, cujo nome é uma referência à baía em forma de ferradura e rodeada por coqueirais. A cidade também é endereço de Tambaba, a primeira praia de naturismo de todo o Nordeste. As regras por ali são bem claras: quem segue vestido fica do lado de cá da praia; e os que preferem estar como vieram ao mundo, cruzam uma pequena trilha em mata fechada até uma faixa curta de areia, onde só se permite entrar sem roupa.

 

Entre o Atlântico e o rio Paraíba, Cabedelo é outro município dos arredores de João Pessoa que vale o bate e volta para quem fica na capital. A apenas 10 quilômetros ao norte da cidade, o destino ficou conhecido pelas apresentações do músico Jurandy, que toca o Bolero de Ravel e a Ave Maria no sax durante o pôr do sol.


No centro histórico de João Pessoa, casas coloridas ornam a paisagem

Mas a melhor atração da re- gião, que vale mais do que títulos em livros de recordes, é Areia Ver- melha, uma ilha de tons averme- lhados que fica a dois quilôme- tros da orla. A 15 minutos de navegação a partir da Praia do Poço, em Cabedelo, o banco de areia tem piscinas naturais rasas, acessíveis apenas na maré baixa. A ilha faz parte do Parque Esta- dual Marinho de Areia Vermelha, que, recentemente, passou a ter restrições para a atuação de co- merciantes ambulantes e uso de cadeiras – um alento para os sen- síveis corais que a formam.

 

Nem só de belezas naturais, no entanto, se faz João Pessoa. Considerada uma das capitais mais antigas do Brasil, a cidade também tem talento histórico. Com mais de 500 construções, que vão do estilo barroco ao art déco, o centro do município foi tombado pelo Iphan em 2009. Afastada do mar e em um labirinto de ruas sinuosas, a região é muito mais do que uma sequência de casinhas coloridas, prontas para selfies de turistas cansados do mar.

 

Igreja de São Francisco, no centro histórico de João Pessoa, é uma das construções barrocas mais importantes do Brasil

 

 

Entre as cidades Baixa e Alta, há exemplares da história do Brasil, como o Centro Cultural São Francisco, considerado um dos complexos arquitetônicos barrocos mais importantes do país, formado pela Igreja de São Francisco e pelo Convento de Santo Antônio. Erguido a partir do final do século 16 por frades franciscanos, o local abriga exposições permanentes do acervo que inclui desde peças dos séculos 17 e 18 a arte popular paraibana.

 

Ali perto, o quarteirão entre a rua Duque de Caxias e a praça Dom Adauto segue contando história, em construções como o Casarão dos Azulejos, um dos mais belos exemplares da arquitetura colonial paraibana; a Academia Paraibana de Letras, onde funciona o Memorial Augusto dos Anjos; e o Casarão 34, que recebe exposições de arte contemporânea. Do outro lado da praça, fica a Igreja Nossa Senhora do Car- mo, construção barroca do século 16.

 

Com 19 metros de altura, o Farol do Cabo Branco é único do gênero no país

 

O passeio pode continuar no Parque da Lagoa Solon de Lucena, exemplo da João Pessoa que deu as costas para o mar. Localizada em pleno centro da cidade, a área de 35 mil m2 tem 12 praças (não à toa, Jampa é considerada uma das cidades mais verdes do Brasil) e área esportiva com pista para caminhada e ciclovia. No centro do parque, há ainda uma lagoa rodeada por antigas palmeiras imperiais, um projeto paisagístico originalmente desenhado por Burle Marx. Em uma de suas extremidades, um totem de 8,5 metros de altura homenageia um dos paraibanos mais famosos, o dramaturgo Ariano Suassuna. O monumento “A Pedra do Reino”, feito pelo artista plástico Miguel dos San- tos, é uma referência a uma das passagens do romance escrito por Suassuna.

 

Depois de tanto caminhar, não desanime. Junte suas últimas energias para subir a Ladeira de São Francisco, a primeira rua de João Pessoa, que leva até o centro cultural da Casa da Pólvora e ao clássico Hotel Globo. Ali, aprecie mais uma vez o pôr do sol, com a certeza de que faz isso antes de qualquer outra pessoa em todas as Américas. Como se não bastasse, João Pessoa é o endereço que vê o sol nascer (e se pôr) primeiro no continente.


Todas as manhãs, avenidas da orla fecham para a prática de esportes

  • JOÃO PESSOA EM NÚMEROS
    Idade: 433 anos – é a terceira cidade mais antiga do Brasil
    População: 811 mil habitantes 12 municípios fazem parte da região metropolitana
    Desde 2011, é destino da Avianca Brasil
    Mais de 10.400 voos realizados
    1,2 milhão de passageiros transportados

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