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Destino Nacional Destino Nacional Curitiba está hype: uma nova cena desponta no sul do país

Curitiba está hype: uma nova cena desponta no sul do país

Marina Azaredo

Marcas sustentáveis, bares descolados e endereços colaborativos dão nova cara à capital paranaense, destino perfeito para quem busca arte, cultura, consumo consciente e gastronomia de qualidade

 

As noites na Alameda Júlia da Costa, na região central de Curitiba, costumavam ser inóspitas. Poucas pessoas se aventuravam a caminhar no trecho entre a Rua Kellers e a Alameda Cabral. Até que, há pouco mais de três anos, um grupo de cinco amigos se encantou pela casa de número 102, então disponível para locação. Eles viram no simpático imóvel a possibilidade de trabalhar, colocar em prática ideias inovadoras e reunir amigos, artistas e gente criativa.

 

Alameda Júlia da Costa, reduto de restaurantes e espaços culturais

 

Alguns meses depois, o grupo – todos entre 25 e 35 anos – inaugurou a Casa 102, um espaço colaborativo com ateliês, oficina, escritórios, sala de coworking e uma loja de produtos locais. “Era uma necessidade nossa, precisávamos de um lugar para estar juntos e trabalhar, mas a casa é grande e abrimos as portas para outras pessoas ligadas à economia criativa e à sustentabilidade”, conta Daiana Lopes, de 33 anos, uma das fundadoras. A empreitada deu certo e o local logo passou a receber eventos que ocuparam também a área externa, com um charmoso balanço e cadeiras de praia na calçada. Assim, a Alameda Júlia da Costa começou a ganhar vida e, há um ano, o imóvel em frente à casa foi transformado no Soy Latino, um bar com cerveja gelada, música ao vivo e mesas ao ar livre.

 

A Casa 102 abriga ateliês, oficina, escritórios e loja

 

Desde então aquele trecho da rua nunca mais foi o mesmo. Agora as noites são animadas, com a calçada sempre ocupada por uma turma jovem “pero no mucho” – artistas, jornalistas, publicitários e empreendedores criativos na faixa dos 30 anos – que só vai embora quando o bar fecha, nas primeiras horas da madrugada. O movimento é tanto que o Espaço da Zé, coladinho no “Soyla” (os habitués logo trataram de encurtar o nome), deixou de abrir no almoço para fechar as portas mais tarde e aproveitar o burburinho noturno. Perto dali ainda há outros endereços disputados, como os restaurantes Al Sababa, de comida árabe, e o Veg Veg, vegetariano.


EXPLORE A ALAMEDA JÚLIA DA COSTA

O que aconteceu nos últimos anos na Júlia da Costa não é um fato isolado na capital paranaense. Apesar da fama de fechado e caseiro, o curitibano mostra cada vez mais vontade de ocupar as ruas. E não há inverno gelado que o segure – a cidade é a capital mais fria do Brasil, com mínimas em torno dos 10ºC em junho e julho. O resultado é uma profusão de bares, espaços ao ar livre e empreendimentos que favorecem o convívio entre as pessoas. Curitiba está fervendo. E o turista é muito bem-vindo nesse caldeirão de arte e criatividade que tomou conta da cidade.

 

A cena começou com iniciativas individuais e privadas, mas o poder público percebeu o movimento e tem dado a sua contribuição. Em março, foi inaugurado o Cine Passeio, um complexo cultural com duas salas de cinema e espaço de coworking para empreendedores da economia criativa. Fazendo reverência aos antigos cinemas de rua da cidade, os cines Luz e Ritz, o espaço marca a revitalização de uma região que ficou esquecida por algum tempo. A uma quadra dali, o bucólico Passeio Público, parque mais antigo de Curitiba, recebe uma feira de orgânicos todos os sábados.
Alimentos frescos e saudáveis também estão cada vez mais presentes nos restaurantes da cidade. Um dos pioneiros foi o Manu, da jovem Manu Buffara, que serve menus-degustação feitos à base de ingredientes locais. “Não uso nada que tenha sido produzido a mais de 300 quilômetros daqui. E não trabalhamos com nada enlatado, nem mesmo refrigerantes”, conta a chef de 34 anos. A casa, que está em seu sétimo ano, foi escolhida pelo conceituado ranking de gastronomia “50 Best Restaurants” como o restaurante para ficar de olho na América Latina, devido ao seu potencial para fazer parte da lista oficial.

 

A chefe Manu Buffara, do Manu

 

Inaugurado em fevereiro, O Locavorista bebe na mesma fonte do Manu, privilegiando valores como o resgate das tradições locais, o consumo de produtos do entorno, a economia colaborativa e a sustentabilidade. Localizado estrategicamente numa região que fica entre o Mercado Municipal e a Universidade Federal do Paraná, o restaurante serve pratos inteiramente inspirados na cultura paranaense. Mas não pense que você vai encontrar barreado e pinhão: a proposta é agregar valor a receitas típicas. Com o sugestivo nome de Litorina, vagão usado para o transporte de trem entre Curitiba e o litoral do estado, um dos principais pratos da casa leva peixe grelhado e cuscuz de banana da terra, acompanhados de quiabo tostado, acidez das ovas falsas de quiabo e béarnaise de erva-mate.

 

Polenta cremosa com molho de tomate rústico e frango confit de pele crocante do O Locavorista

RESTAURANTES AUTORAIS

A sustentabilidade parece ser mesmo a tônica de muitos dos novos empreendimentos criativos de Curitiba. “Crescemos em uma cidade preocupada com o meio ambiente e com o descarte de resíduos”, justifica Jessica Pertile, de 31 anos, uma das fundadoras da BeeGreen, marca de produtos sustentáveis que foi pioneira no desenvolvimento de canudos de inox em território nacional – antes, outras empresas importavam o produto da China. Fundado em 2016, o negócio cresce junto com a aversão ao plástico. Há meses em que a BeeGreen chega a vender 100 mil canudos, e a empresa já fechou parcerias com grandes marcas, como O Boticário e Electrolux. Para conhecer seus produtos sustentáveis, vá até o Centro Histórico: a loja da marca fica em um casarão da década de 1920.

 

Canudos de inox da BeGreen, primeira marca a produzi-los no país

 

Aproveite a viagem para conhecer um pouco mais da arquitetura curitibana do início do século passado. A região concentra diversos imóveis com valor histórico. Um deles é a Casa Modernista, considerada pioneira nesse estilo na cidade. Projetada em 1929 pelo arquiteto Frederico Kirchgässner, ela foi vista com estranhamento durante muitos anos pelos moradores locais por ter sido a primeira residência da cidade a ostentar uma suíte – o que era considerado intimidade demais na época. Além disso, ficou famosa por aparentemente não ter telhado. O imóvel acaba de ter a fachada revitalizada pelo projeto Rosto da Cidade, da prefeitura, que promete recuperar uma área de 230 mil metros quadrados da região central.

 

Quem se interessa por produtos sustentáveis pode voltar para a Casa 102, que fica a apenas duas quadras dali. Na loja do coletivo, há os sapatos da Gasp, feitos com resíduos de outras indústrias, e as roupas da Farrapo Couture, produzidas artesanalmente com tecidos de reuso e roupas vintage, entre outros itens de artistas e artesãos locais, como os acessórios charmosos da Ciganita.

 

A alguns quarteirões, a Alameda Prudente de Moraes concentra outro importante reduto de endereços autorais de Curitiba. A rua tranquila e arborizada – a impressão é que não se está na região central de uma metrópole de 1,7 milhão de habitantes – tem sorveterias, cafés, bares e lojas de moda. “Os criativos da cidade têm um espírito muito colaborativo, existe essa tendência de formar núcleos”, afirma Heloisa Strobel Jorge, 32 anos, o nome por trás da Reptilia, marca que produz peças sustentáveis com design atemporal e ocupa o número 1282 da alameda. Antes de enveredar pelo mundo da moda, ela trabalhou com o urbanista e ex-prefeito Jaime Lerner, idealizador de algumas iniciativas que renderam à capital paranaense a fama de “cidade verde”.

 

Ateliê da Reptilia, marca de roupas sustentáveis

MARCAS SUSTENTÁVEIS

Curitiba tem hoje 29 parques e bosques e centenas de espaços públicos verdes. Um bom jeito de conhecer alguns deles é sobre duas rodas. A Yellow, plataforma de compartilhamento de bicicletas e patinetes, chegou à cidade este ano, facilitando a vida de moradores e turistas. Uma dica de roteiro acessível na região do Passeio Público é pegar a ciclovia na Rua Euclides Bandeira, margeando o Rio Belém. Após passar pelo Palácio das Araucárias e pelos prédios do Centro Cívico, faça uma parada no Bosque João Paulo II, ou simplesmente Bosque do Papa, onde há sete casas típicas polonesas em forma de aldeia, que remontam ao período da colonização polonesa no Paraná, no século 19. A uma curta caminhada dali, fica o Museu Oscar Niemeyer, também conhecido como Museu do Olho devido à sua arquitetura peculiar, que abriga interessantes exposições de arte contemporânea.

 

Tingui, um dos 29 parques e bosques que renderam a fama de “cidade verde” a Curitiba

 

Entre os parques da cidade, o mais famoso – e o preferido dos turistas – é o Jardim Botânico, que recebe os visitantes com um exuberante tapete de flores. Lá é possível visitar uma estufa metálica que abriga diversas espécies botânicas, além de uma fonte de água. O melhor dia para conhecê-lo é no sábado, quando há sessões gratuitas de yoga – sempre às 9h, com exceção dos dias chuvosos –, oferecidas pelo projeto Yoga no Parque. Mesmo no inverno, as aulas costumam ser bastante cheias, com dezenas de alunos. Mais uma prova de que a capital já não pode ser chamada de a mais fria do Brasil.


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