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Fenômeno Paulo Gustavo: direto de Nova York, ator fala sobre novo filme

Há treze anos em cartaz com “Minha Mãe é uma Peça” e com carreira consolidada em teatro, cinema e televisão, Paulo Gustavo mostra como fazer sucesso desafiando todos os paradigmas

TEXTO: Juliana Deodoro / FOTO: Fabio Bartelt

Em um sábado frio do outono de Nova York, Paulo Gustavo liberou a agenda para ir até o Queens visitar a tia, Lucia Helena, que há décadas mora na cidade. No caminho, se deparou com ruas e trajetos conhecidos, lugares pelos quais passou e que fizeram parte da sua rotina há 20 anos, quando morou – brevemente – na cidade. “Chegou a cair uma lágrima do meu olho. Que loucura pensar que, em 1998, eu estava aqui sem um real, hospedado no quartinho do terceiro andar da casa da minha tia, trabalhando como garçom em um restaurante em Nova Jersey”, conta. A ideia era estudar inglês, mas a experiência não deu muito certo: Paulo Gustavo ficou apenas um mês. “Eu sofria muito bullying dos colegas de trabalho. Depois de uma semana, parecia que eu estava aqui há um ano. Decidi voltar para o Brasil para estudar teatro, que era o que eu queria. Foi assim que entrei na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) e a minha vida mudou.”

 

Existe o sucesso mais imediato, e tem aquele mais sólido, mais substancioso, que é o que eu quero. Meu sonho é ser como Paulo Autran, que viveu do teatro até morrer.

 

Hoje, Paulo Gustavo é um dos artistas de maior sucesso do Brasil. Está há 13 anos em cartaz com o espetáculo “Minha Mãe é uma Peça”, que já foi adaptado duas vezes para o cinema – juntos, os filmes foram vistos por mais de 14 milhões de pessoas. Na televisão, lidera o humorístico “A Vila”, no Multishow. E no dia 27 de dezembro, estreia em mais de mil salas de cinema de todo o país como Aníbal no filme “Minha Vida em Marte”, ao lado de Mônica Martelli. “É uma loucura pensar em como a vida de uma pessoa pode mudar em 15 anos. Minha mãe, se começa a falar sobre isso, só chora. E eu também me emociono muito.”

 

O mais impressionante de sua carreira, no entanto, não é o tamanho do sucesso, mas o caminho que percorreu para chegar até ele. Nascido e criado em Niterói, o ator vem de uma família simples: o pai trabalhou a vida toda como funcionário da prefeitura na área de urbanismo, enquanto a mãe, professora do Estado, fazia bicos à noite cantando em bares e restaurantes para complementar a renda da família – os pais de Paulo se separaram quando ele tinha 3 anos. Nos quatro anos em que estudou na Casa das Artes de Laranjeiras, depois da temporada frustrada em Nova York, Paulo Gustavo trabalhou em uma loja de sapatos. Seu expediente ia das 8h às 16h, enquanto as aulas na CAL eram das 18h às 23h. “Até voltar de ônibus para Niterói, já eram 3h40 da manhã. No dia seguinte, às 8h, eu estava na loja de novo.”

 

Casaco Diesel by Nicki Minaj
Maxi camisa xadrez e jeans Dsquared2
Camisa Top Man Tênis Golden Goose

 

Na escola, uma das mais tradicionais de teatro no Rio de Janeiro, Paulo também enfrentou dificuldades logo no início. “Meu primeiro professor disse que eu não ia ser ator, mas travesti. Respondi que se fosse assim, seria a maior travesti do Brasil.” Anos depois, quando a avassaladora Dona Hermínia, de “Minha Mãe é uma Peça”, era um sucesso absoluto, o mesmo professor foi vê-lo no teatro e disse ao fim da apresentação: “Eu não disse que você ia fazer uma mulher?”. Ao que Paulo Gustavo não deixou barato: “Eu não disse que ia arrasar?”. “Foi uma lição para nós dois”, lembra. “A princípio, eu tinha tudo para dar errado. Eu não tenho um corpo incrível, sou careca, afeminado, tenho a voz aguda, não estou dentro de nenhum padrão. Mas transformei tudo isso em solução.”

 

TEATRO, UMA PAIXÃO

Ao contrário da grande maioria das carreiras exitosas, a de Paulo Gustavo nunca esteve atrelada à TV aberta. A partir do teatro, o ator construiu um caminho próprio, que o levou muito mais longe do que poderia imaginar. “Às vezes eu digo que nada foi muito pensado na minha carreira, mas foi sim. Eu fiz muitas escolhas difíceis ao longo da vida, algumas até pareciam loucuras, mas sabia que, lá na frente, isso poderia dar resultados”, conta.

 

O monólogo “Minha Mãe é uma Peça” estreou em maio de 2005 no Teatro Candido Mendes, no Rio de Janeiro, para uma plateia de 80 pessoas. Dez anos depois, os 10 mil ingressos para uma apresentação no HSBC Arena, no Rio, esgotaram em apenas sete horas. Até hoje, o espetáculo já passou por mais de 30 cidades, com um público estimado em 3 milhões de espectadores. Mais que viver de comédia, Paulo Gustavo mostrou que era possível fazer muito sucesso neste mundo.

 

Eu não sou ativista ou militante, mas sou um ser político. Não sou assumido, eu sou essa pessoa. Nunca saí do armário porque nunca estive em um.

 

O trabalho nos palcos também rendeu frutos em outras áreas: o ator é um fenômeno na televisão e, especialmente, no cinema. Sua mais nova aposta é “Minha Vida em Marte”, filme com a amiga e parceira Mônica Martelli, no qual, além de atuar, é também roteirista e produtor. “Me sinto um privilegiado porque posso trabalhar com a Mônica, alguém que admiro muito como artista e ser humano”, diz. O longa é uma continuação de “Os Homens São de Marte e é Pra Lá que Eu Vou”, de 2014. Na história, a protagonista Fernanda vive uma crise no casamento e Aníbal, seu amigo fiel, vai ajudá-la a passar por essa fase. “Ficar solteira com 50 anos é difícil, né? Porque você não pode ir para a ‘chopada’. Alguém tem que apresentar alguém interessante. Você tem que achar a pessoa interessante e ela tem que te achar interessante também. É a prova do líder!”, brinca, em alusão às provas do programa Big Brother.

 

Algumas cenas do filme foram gravadas em Nova York, cidade que, depois da primeira experiência, há 20 anos, se tornou um dos lugares preferidos de Paulo Gustavo no mundo – tanto que ele acaba de comprar um apartamento em Tribeca, bairro de moradores ilustres, como Beyoncé, Justin Timberlake e Robert De Niro. “Eu não pretendo morar aqui. Amo o Brasil, amo o meu trabalho e quero ficar perto da minha família. Mas em Nova York eu saio do lugar de observado para observador, que é muito importante para que eu possa criar meus personagens”, explica. “É um sonho que eu realizei, entre tantos outros que ainda tenho.”

 

Jaqueta Santa Monroe
Sweater Top Man
Calça Diesel

 

Nova York por Paulo Gustavo
  • Comer bem
    “O Blue Ribbon Sushi é um japonês cool e bem local, ideal para um almoço ou para quem sai da balada, já que a cozinha ca aberta até 2h da manhã.”
    119 Sullivan Street
  • Curtir
    “Já assisti o musical Kinky Boots três vezes, e indico muito. A peça tem direção de Jerry Mitchell e músicas de Cyndi Lauper. Muito divertida. Amei!”
    Al Hirschfeld Theatre, 302 West 45th Street
  • Passear
    “O SoHo é um dos meus bairros preferidos da cidade. As ruas são charmosas, as pessoas são bacanas e tem lojas transadas. Ideal para compras.”

 

CASA CHEIA

O sonho mais importante do momento é aumentar a família. Casado desde 2015 com o dermatologista Thales Bretas, Paulo quer ter filhos. “Thales mudou a minha vida. Nunca conheci alguém tão especial. Ele é muito simples, agregador e estudioso”, derrete-se. “Ele é uma âncora, assim como a minha mãe, que, no meio do furacão do sucesso, me puxa para o chão, para a realidade.”

 

Os dois se conheceram por intermédio de amigos e nunca mais se separaram. O casamento, notícia em veículos do país todo, foi outro passo importante para o ator. “Eu não quis casar quieto. Queria que todos soubessem que nós somos uma família e a reação foi incrível. Sinto que, apesar de tudo, o mundo está caminhando e que contribuo para isso com as minhas atitudes e com a minha arte.”

 

Além dos planos familiares, Paulo Gustavo tem outros tantos para a carreira. Logo depois do carnaval deve estrear uma temporada de “220 Volts” no teatro, com novos personagens. Ele também quer criar uma peça com a mãe, na qual ela possa cantar as mesmas músicas que faziam parte de seu repertório quando o ator era criança. “Ela disse que topa, que vai ser o último desafio de sua vida”, conta, emocionado. Além disso, está previsto para o fim de 2019 o lançamento do filme “Minha Mãe é uma Peça 3”, que, adianta, terá Juliano casando com um homem.

 

Com tantas perspectivas pela frente, é impossível não perguntar como o ator encontra tempo para fazer tudo isso – e a resposta, claro, vem em forma de piada. “Eu morro de medo de acordar de noite para ir ao banheiro. Entre levantar da cama, fazer xixi e voltar, eu já inventei mais três peças, dois filmes e um programa de televisão!”


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