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CapaCelebridadesDa internet ao Grammy Latino em três anos: o sucesso meteórico de IZA

Da internet ao Grammy Latino em três anos: o sucesso meteórico de IZA

Dona de uma carreira meteórica, Iza celebra o lançamento do primeiro álbum e fala sobre sua trajetória, feminismo e representatividade

TEXTO: Luiza Vieira / FOTO: Jacques Dequeker

Iza é um mulherão. Quando chegou à locação do ensaio desta capa da Avianca em Revista, no hotel Four Seasons, em São Paulo, não houve uma só pessoa que não tenha parado o que estava fazendo para admirá-la. De moletom pink, camiseta branca e cara lavada, sua postura por si só já foi impactante. E quando ela soltou o vozeirão para falar sobre sua trajetória de sucesso e autoaceitação, foi impossível ficar indiferente à sua presença.

 

“Dona de mim”, seu primeiro álbum, lançado recentemente, reflete exatamente a personalidade desta carioca de 28 anos, que transmite uma segurança inabalável. De casamento marcado (a essa hora, já terá dito o “sim” ao marido, o produtor musical Sérgio Santos), ela esteve na capital paulista para a prova do vestido de noiva, e abriu um espaço na concorrida agenda para atender à nossa reportagem.

 

A correria se deve ao sucesso que, depois de três anos na estrada, a consagrou em 2018. Neste último ano, lançou o disco, saiu em sua primeira turnê, foi indicada ao Grammy Latino e encabeçou projetos, como o programa “Música Boa”, que apresenta no Multishow. Isso sem mencionar as inúmeras capas de revista que estampou e as parcerias que a projetaram para o mundo em grandes apresentações, como com o cantor CeeLo Green, no Rock in Rio, e o show de abertura da banda Coldplay, em novembro de 2017.

 

 A gente fala sobre empoderamento e feminismo, mas é importante explicar que as coisas não acontecem de uma hora pra outra, não é tão simples assim. É uma construção. É importante ter paciência com a gente também.

 

De desenvoltura invejável, é de se pensar que ser artista sempre foi natural para Iza. De certa forma, ao conhecer a história da família, cheia de musicistas, fica até a dúvida do porquê ela não se lançou mais cedo ao estrelato. “Eu soube que gostava de música aos seis anos. Mas só tive coragem de cantar para os outros aos 14, quando comecei a me apresentar na missa, aos domingos, onde eu não era o centro das atenções”, relembra. Nessa época, o palco era na Paróquia São Sebastião de Olaria, região norte do Rio de Janeiro, local em que passou parte da infância – Iza também morou no Rio Grande do Norte, dos 6 aos 12 anos, quando o pai, militar da marinha, foi transferido para Natal. Ele, instrumentista de samba, e a mãe, professora de artes e música, foram os responsáveis não só por incentivá-la, mas por manter a musicalidade sempre presente na vida da filha.

 

No entanto, no auge da adolescência, o que ela menos queria era estar em evidência. “Acredito que eu tive as mesmas inseguranças que todos nesse período. Mas minhas questões também passavam pelo racismo, pelo amor próprio e pela aceitação. E quando você enfrenta todo o terror da adolescência junto disso, fica complicado. Mas hoje sou grata, pois posso falar com propriedade e me aproximar de quem enfrenta algo semelhante”, reflete. Foi aos 12 anos, por exemplo, que passou a alisar o cabelo. “Não tinha alguém que dissesse que ele era bonito, que havia uma forma de cuidar. E não que seja um problema alisar o cabelo, não é isso. É sobre se conhecer, entender o que te faz feliz, independentemente dos outros.”

 

Crooped Fabiana Milazzo
Saia Amir Slama
Joias Lica Vicenzi

 

Hoje, ela quer ser – e é – referência para meninas, mulheres e quem mais buscar um modelo para se inspirar. Basta uma pesquisa rápida online para dar de cara com Iza disposta a debater os possíveis caminhos para a busca pelo amor próprio. Mais do que cantar para multidões, suas letras são carregadas de mensagens sobre como chegou a este lugar de segurança.

 

Na sua trajetória, a faculdade foi um divisor de águas. Formada em publicidade, ela percebeu nos corredores da PUC-Rio que poderia ser ela mesma. “Percebi que não seria feliz e plena tentando agradar a todos. Passei a entender quem eu gostaria de ser, o que eu achava bonito, e comecei a olhar para mim com mais carinho – e não só no espelho, mas para minhas características e personalidade.” Ela ressalta, no entanto, que tudo faz parte de um processo, construído a doses homeopáticas e paciência.

A regra é ser feliz e verdadeira com você mesma. É importante se permitir olhar no espelho como você é.

Foi neste movimento de autoconhecimento, inclusive, que descobriu a carreira que estava destinada a seguir. Aos 25 anos, Iza trabalhava em uma agência de publicidade e constatou que a realização não viria de uma rotina batendo cartão. Já em uma fase em que pulava de um emprego a outro, passando pelos mais diversos setores, como produção, marketing, mídias sociais, recursos humanos e edição de vídeo, se perguntou o que gostaria de fazer, mesmo que de graça, para o resto da vida.

 

Foi no happy hour da empresa que recebeu dos colegas o toque de “por que você não canta?”, durante uma palhinha ao fim do expediente. Saiu do escritório e começou seu canal no Youtube (hoje com mais de 1,5 milhão de inscritos), fazendo covers de artistas nacionais e internacionais que admira. Basta ouvir sua versão de “I put a spell on you”, clássico de Nina Simone e uma de suas canções preferidas, para ter certeza de que a escolha foi certeira.

 

Conjunto T Jama
Joias Tifanny
Aneis Lica Vicenzi Sapato Le Lis Blanc

 

Do alto de seu 1,76m e de tantas possibilidades que se abrem à sua frente, a cantora pop ainda tem muitos sonhos a realizar. Ela já tem uma porção de músicas prontas, e em um estilo diferente do que apresentou até o momento. E parar não é uma opção sequer para uma cirurgia no joelho, que está adiando há meses. “Rompi um ligamento, mas a recuperação exige uma semana de cama e pelo menos um mês de muletas. Agora não dá.”

 

Virginiana focada que é, Iza entende a importância de acompanhar de perto todas as etapas do trabalho, que passa também pela escolha dos profissionais com quem dividirá o dia a dia. E o machismo presente no mercado não a intimida – pelo contrário, só a fortalece. “Priorizo contratar pessoas talentosas. Muitas mulheres estão chegando ao mercado, e óbvio que tenho muitas na equipe, porque somos muito competentes.”

 

E se antes a cantora de covers no Youtube não sonhava com a fama, hoje lida com um currículo repleto de colaborações e apresentações com músicos, como Marcelo Falcão (parceria no single “Pesadão”), Martinho da Vila, Alcione, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Sandy.

 

Com tanto sucesso, pode até ser que ela vislumbre uma carreira internacional, mas isso não é uma prioridade no momento. “Calma, gente! Eu acabei de chegar”, diverte-se. “Eu nem considero ainda que tenho uma carreira nacional, imagina internacional.” Se com três anos de estrada Iza já é dona de si, difícil duvidar que o próximo passo não seja ser dona do mundo.

 

  • “A Iza é uma potência de preciosidade, é querida, sensata, linda e talentosa. Seu nome deveria ser adjetivo.”
    Karol Conka
  • “Cantora de voz bonita e performance vocal fundada na black music, a Iza tem desenvoltura que se destaca entre cantoras de sua geração. Seu canto flui com a mesma energia no soul, jazz, samba e funk de modo natural, indicando ser esse o universo musical com o qual sempre conviveu.”
    Djavan
  • “Iza é uma mulher lindíssima e cantora excelente. Com sua figura, seu jeito e sua voz, representa muito da essência da nova geração.”
    Caetano Veloso
  • “Iza é o talento que procurávamos há um tempão: tem atitude por ser negra, tem representatividade e canta muito. Que venham cada vez mais repertórios que reforcem a plasticidade e a sagacidade que ela tem para a interpretação.”
    Marcelo Falcão

MAKE
MARY SAAVEDRA

 

STYLIST
BIANCA JAHARA

 

ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA
RAFAEL MATTAR

 

TRATAMENTODE IMAGENS
IMAGE TOUCH PRODUÇÃO DE MODA ALAN GOMES

 


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