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Com 16 anos de carreira, Thiaguinho conta sobre sua paixão pela música

Thiaguinho é aquele cara que chegou lá. Dono de hits de sucesso e um dos artistas mais populares do país, o cantor fala de como sua paixão pela música e fé inabalável o ajudaram a conquistar tudo que sempre desejou

TEXTO: Júlia Gouveia / FOTO: Jacques Dequeker

Era quase meia-noite do Réveillon de 2001 para 2002, quando um ainda anônimo Thiago André Barbosa esperava animado a chegada do ano novo na praia do Guarujá, no litoral de São Paulo. Em um clima de descontração com ansiedade, típico desta época, o então universitário cantava a plenos pulmões para a câmera da família: “adeus ano velho, feliz ano novo… EU VOU SER FAMOSO!”. Naquele momento, ele nem poderia imaginar que, dali a alguns meses, entraria para o “Fama”, reality show musical da Rede Globo, e, na sequência, assumiria o posto de vocalista do grupo de pagode Exaltasamba – tudo isso aos 19 anos. Sua vida estava prestes a mudar, trazendo, sim, a tal fama, mas também uma das mais consagradas carreiras no meio musical de sua geração.

 

Pretensão? Falta de modéstia? Longe disso. A palavra que move e sempre moveu Thiaguinho é fé. “Sempre fui de pensar positivo e, na minha cabeça, nem havia a possibilidade de não dar certo”, diz de um jeito tranquilo, que faz parecer sua história, digna de mocinho de Hollywood, a mais trivial do mundo.

 

Tamanha era a convicção do garoto que até seus pais ficavam preocupados. “Eles me diziam: ‘Thiago, você fala tanto disso, vive dizendo ‘quando eu for’, ‘quando eu fizer’, mas você precisa ter um plano B’”, relembra aos risos. Durante dois anos, o plano B foi a faculdade de Comunicação Social, enquanto tocava na noite. Porém tudo mudou quando sua fita foi selecionada para a segunda edição do programa de calouros da Rede Globo. “Nem lembrava desse momento no Réveillon, mas revi a cena esses dias em um vídeo caseiro e fiquei arrepiado, pensando em como as coisas acontecem de um jeito mágico na minha vida.”

 

Blazer Balmain, Camiseta Hugo Boss, Calça Tom Ford

 

Hoje com 35 anos, milhares de discos vendidos, quase sete milhões de seguidores no Instagram, diversos hits na ponta da língua do público e querido em todo o país, é difícil não acreditar que a fé, de alguma forma, moveu montanhas na vida de Thiago.

 

De família católica, o altar da igreja foi o primeiro palco em que se apresentou. Sua mãe, Glória Maria, cuidava do coral da igreja de Nossa Senhora Aparecida, em Ponta Porã, cidade do Mato Grosso do Sul onde o cantor cresceu (apesar de ter nascido em Presidente Prudente, no interior paulista). Com 12 anos, já tocava violão e cantava na missa. Porém, foi em uma roda de samba que o garoto sentiu o chamado para este mundo. “Quando vi o cara tocando cavaquinho, eu fiquei completamente maluco e tive a certeza de que queria aquilo para o resto da minha vida”, relembra.

 

Ainda na adolescência, Thiago descobriu que poderia não apenas cantar, mas também compor. Ele já escrevia poesias e as declamava em concursos, e com as aulas de violão, resolveu transformar seus escritos em música. Desde então, as duas coisas nunca mais saíram de sua vida. Seu lado compositor, inclusive, é tão aguçado quanto o de cantor. “Penso em música 24 horas por dia”, confessa. “Vejo até como algo divino, porque os versos simplesmente vêm à minha cabeça a todo o momento”, relata.

 

Em uma apresentação em São Paulo neste ano

 

E se a música é o que o move desde sempre, o palco tem um quê de altar para Thiago. “É um lugar mágico, que respeito muito, pois sei que antes de mim muita gente marcou a história nos palcos fazendo exatamente o que faço”, afirma. Mesmo depois de 16 anos de carreira, o artista confessa ainda esperar ansiosamente pelo fim da semana, momento em que assume o microfone nos mais variados cantos do país. “Amo cantar. Ali em cima não existe cansaço, tristeza, preocupação. Mexemos com os sentimentos das pessoas e isso exige muita responsabilidade”, reflete.

 

“Ainda Bem”, música que Thiaguinho compôs em homenagem à atriz e apresentadora Fernanda Souza, sua esposa desde 2015, é até hoje uma das mais tocadas em casamentos. A enorme popularidade do hit entre os noivos resultou na promoção “Thiaguinho se convida”, em que ele “invade” de surpresa a festa de um casal cuja canção tenha feito parte do relacionamento. “Me emociono demais com essas histórias. Você conseguir conquistar um pedaço da vida de alguém com a sua música é algo sensacional.”

 

Não deixo de fazer nada porque fiquei famoso. Gosto de ir ao barzinho com os amigos, ao cinema com a minha esposa e ir ao estádio ver o Corinthians jogar


UM VÍCIO CHAMADO PAGODE

 

Thiago é completamente viciado em pagode, sobretudo dos anos 1990 e 2000, período em que o estilo dominava as paradas das rádios e os programas de televisão. “Sou obcecado em um nível hard, do tipo que sabe de cor o nome dos compositores, quem fez os arranjos, onde foi gravado, o número da faixa no CD…”

 

Não à toa, desta paixão surgiu, em 2015, o “Tardezinha”, um dos projetos mais bem-sucedidos de sua carreira, desde que saiu do Exaltasamba, em 2012. Trata-se de um show mais intimista, com clima de festa, em que o repertório gira em torno dos clássicos do samba e do pagode – em uma curadoria escolhida a dedo (mas, como fã, não sem certo sofrimento) por Thiago. Sucesso absoluto, a empreitada já deu origem a dois discos, parcerias no palco com ícones do gênero, como os cantores Alexandre Pires e Belo, e mais de cem apresentações com ingressos esgotados pelo país inteiro.

 

Tricô Balmain, Calça Tom Ford, Sapato Salvatore Ferragamo

 

Como em vários momentos da vida de Thiago, a ideia foi concebida de maneira despretensiosa. “Eu era jurado aos domingos à noite do programa ‘Superstar’, da Globo, e tinha o dia todo livre. Aí o Rafael Zulu, um dos meus melhores amigos, sugeriu fazermos um pagode à tarde para a gente curtir.” As- sim, a roda dos amigos se transformou em um show. “Con- fesso que não levei a sério”, entrega Thiago. Porém, logo na primeira apresentação para o público, ele percebeu que que- ria continuar fazendo isso em paralelo ao seu trabalho auto- ral. “O ‘Tardezinha’ sou eu, são minhas referências ao som que me formou. É algo tão natural e gostoso para mim que co horas em cima do palco sem nem perceber”, diz.

 

Minha trajetória pode ter sido rápida, mas não deixou de ser um caminho árduo. Porém, até mesmo diante das maiores adversidades, nunca deixei de acreditar.


RESERVADO

 

Apesar de ser casado com uma atriz famosa e ser um dos cantores mais conhecidos do país, Thiaguinho, acredite, é um cara reservado. Na sua conta do Instagram, por exemplo, a maior parte das postagens é sobre a carreira, com poucas menções sobre a vida pessoal. “Quando você vive intensamente, sobra pouco tempo para dividir com o mundo tudo o que você faz”, desconversa. Essa postura parece aguçar ainda mais a curiosidade dos fãs: um dos vídeos mais assistidos do canal do Youtube de Fernanda, com mais de 4 milhões de visualizações, é ao lado do marido, em que eles revelam as “primeiras vezes” do casal. “Tudo que eu faço vem do coração, então se sinto vontade de postar algo da minha intimidade, não vejo problemas também.”

 

Thiaguinho e Fernanda Souza, casados desde 2015

 

Em tempos de patrulha nas redes sociais, em que os seguidores cobram para que os artistas se posicionem sobre os mais variados temas, Thiaguinho mantém a neutralidade. “Acho que a pessoa só deve falar daquilo que entende”, diz. Foi o caso, por exemplo, quando Titi, filha do ator Bruno Gagliasso e da apresentadora Giovanna Ewbank, sofreu ataques racistas na internet. Na época, o pagodeiro escreveu um post condenando as ofensas e manifestando seu apoio à menina. “Aquilo doeu em mim, como pessoa mesmo”, desabafa. “Você acaba se lembrando de situações que viveu, porque isso, infelizmente, faz parte da nossa realidade.” Sua maneira de lutar contra o preconceito? Por meio de suas músicas. “Gosto de exaltar a figura do negro nas minhas canções, porque sinto muito orgulho da nossa história e de tudo que lutamos para chegar aqui”, afirma.

 

Recém-chegado da turnê europeia de “Só Vem”, seu mais recente álbum de trabalho, não tem como não ficar a dúvida no ar: o que um cara bem-sucedido na carreira, bem casado e rodeado de amigos pode ainda querer para o futuro? “Não falta nada na minha vida que eu queira conquistar, seria até injusto se achasse que falta algo”, diz. “Não sou um cara de planejar muito o futuro, prefiro colocar na mão de Deus”. E, a julgar que não se mexe em time que está ganhando, parece que a estratégia tem dado muito certo até agora.

 

Conjunto Gucci, Bota Saint Laurent Paris


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