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BiografiaO insight de Ygor moura, fundador da maior rede de depilação do mundo, a Espaçolaser

O insight de Ygor moura, fundador da maior rede de depilação do mundo, a Espaçolaser

Com a vaidade dos outros, o cuiabano Ygor Moura fez fortuna. Fundou a Espaçolaser, hoje a maior rede de depilação do mundo, virou sócio da Xuxa (sim, a rainha dos baixinhos) e cresceu também por meio do fundo de investimentos L Catterton, de Bernard Arnault, o quarto homem mais rico do mundo. “Dá para dizer que a Espaçolaser está no mesmo patamar que a Louis Vuitton”, brinca ele, numa rara demonstração de vaidade. Com planos concretos de expansão para 2019, o empresário espera chegar à impressionante marca de mil lojas e se prepara para inaugurar uma vertente inédita de seu negócio.

TEXTO: Daniel Salles / FOTO:

O médico de 44 anos não parece gostar de se vangloriar de seus feitos. Discreto, passa a semana contando os minutos para sair de São Paulo, onde mora e fica a sede da companhia, e se enfurnar na sua casa de praia, em Maresias, no litoral paulista. “Gosto de ficar descalço, perto da natureza. Em São Paulo é só trabalho, trabalho”, diz Ygor Moura, cujo passatempo preferido é se cercar de amigos munidos de violão para cantorias de música sertaneja. A cada três meses faz questão de viajar para Cuiabá, onde a maior parte de sua família continua morando. “É onde consigo passar os dias de bermuda, sem ninguém me tratando como um CEO”, conta.

 

Foi bem quando começou a deixar a barba crescer, no final dos anos 1990, que Moura resolveu apostar na medicina estética – ele prefere “estética na medicina”, por não se tratar de uma especialidade, como a pediatria e a psiquiatria, por exemplo. Filho de um renomado radiologista, cursara medicina com o intuito de seguir os passos do pai. Mas só até se dar conta de que a radiologia, cujos procedimentos se dão nos bastidores dos hospitais e demandam pouco contato com os pacientes, não era exatamente a melhor escolha para alguém comunicativo como ele.

 

Decidiu-se pela dermatologia por pragmatismo, depois de participar de um congresso da área no Rio de Janeiro. “Como muita gente na época, achava que boa parte dos procedimentos estéticos não passava de charlatanismo. Ali descobri que havia seriedade nesse meio e resultados concretos. E percebi que era um segmento que seguramente ia crescer”, lembra. “Os brasileiros são muito vaidosos.”

 

A especialização em dermatologia ele cursou em São Paulo, onde mora desde 2000. Como todo médico da área, passou a oferecer procedimentos como peeling, preenchimento e aplicação da toxina botulínica em seu consultório, em Moema. A máquina para depilação a laser, tecnologia disponibilizada comercialmente a partir de 1995, foi comprada usada de outro dermatologista. Custou R$ 180 mil. A quantia foi paga com os R$ 100 mil que Moura pediu emprestados ao avô – que acabara de vender uma de suas fazendas em Mato Grosso – e com empréstimos semanais da máquina ao antigo proprietário, sempre às terças, por quarenta vezes.

Como muita gente na época, achava que boa parte dos procedimentos estéticos não passava de charlatanismo. Descobri que havia seriedade nesse meio e resultados concretos

Não dá para dizer que o cuiabano se apaixonou pelo equipamento. Mas foi quase isso. “Diferentemente de todos os outros procedimentos estéticos, a depilação a laser oferece resultados incontestáveis”, garante ele, que decidiu apostar todas as fichas no negócio. Com Paulo Morais, advogado de formação, e o empresário Tito Veiga, fundou a Espaçolaser em 2002. A companhia se resumia ao consultório de Moura em Moema e a uma unidade no MorumbiShopping. “Levamos três meses só para convencer o shopping a aceitar nossa presença. Alegavam que um estabelecimento daquele não combinava com as demais lojas”, lembra Paulo Morais, que hoje divide a presidência da companhia com Moura.

 

Eram duas unidades, mas uma única máquina a laser, que precisava ser transportada às pressas de um endereço a outro dentro de um furgão, conforme a demanda (o equipamento, que lembra uma antiquada máquina de xerox, foi aposentado no ano passado e agora decora a sala de espera da sede da Espaçolaser, em Pinheiros). No início, todo mundo estranhava o novo inquilino no shopping. Certo dia, uma mulher irrompeu na unidade com um carrinho de bebê decidida a deixá-lo por ali, com o rebento e tudo. “Ué, mas não é espaço de lazer?”, protestou, até compreender qual era o serviço oferecido pelo novo estabelecimento.

 

O trio deve muito ao boom dos sites de compras coletivas, caso do Groupon e do Peixe Urbano, que oferecem promoções tentadoras e se mostraram o principal canal de vendas das sessões de depilação. Quando virou febre, por volta de 2010, a Espaçolaser somava sete unidades. Cinco anos depois, quando essas plataformas já estavam em baixa, a rede tinha 33 endereços. Em razão do declínio dos sites e da Copa do Mundo, o ano de 2014 foi o mais temerário da história da companhia. “Na mesma época em que fomos obrigados a explorar novos canais de venda, como as redes sociais, os brasileiros ficaram dois meses só pensando em futebol”, lembra Morais.

 

Sufoco debelado, a empresa deu início a uma expansão de arrepiar o cabelo. Para 2016 a meta era inaugurar 40 unidades. Foram 120. Hoje a maior rede de depilação do mundo, a Espaçolaser se espalha por 428 endereços no país e a meta para este ano é abrir mais 139 filiais – boa parte delas são franquias. Em setembro do ano passado, surgiu o primeiro ponto internacional, em Buenos Aires, que foi batizado como Definit. Chile e Colômbia devem ganhar suas lojas no segundo semestre.

 

Se no início a companhia penou para se estabelecer no MorumbiShopping, hoje só três centros de compras do gênero não têm uma Espaçolaser para chamar de sua: JK Iguatemi, Higienópolis e Anália Franco. Em 2017, a rede montou uma segunda marca, a Estúdio Face, especializada em procedimentos como peeling e aplicação de botox®. A meta é passar das três unidades atuais, todas em São Paulo, para até 250 Brasil afora. No ano passado, o faturamento do grupo foi de R$ 800 milhões.

No começo achávamos que 100 unidades já seria um número excepcional. Vamos chegar a mil

Duas mudanças societárias foram fundamentais para a multiplicação. A primeira foi a que trouxe para o time José Carlos Semenzato, fundador da rede de cursos profissionalizantes Microlins, e ela, Xuxa, em 2015. Convidada por Semenzato, a apresentadora disse que só se manifestaria sobre sua participação depois de testar uma daquelas máquinas a laser. “Ela mora no Rio de Janeiro e eu não tinha nenhuma disponível na cidade”, lembra Moura. “Precisei convencer um concorrente a emprestar uma e levá-la na casa de Xuxa com uma de nossas profissionais.” O médico conta que o tratamento foi testado e aprovado tanto por ela quanto pela filha, Sasha Meneghel, e Mônica Muniz, a empresária da apresentadora. “É uma sócia superatuante”, elogia Morais. “Faz questão de visitar novos franqueados e de participar das comemorações da empresa.”

 

Dois anos atrás, o fundo de investimentos L Catterton, que controla a rede americana de spas médicos Ideal Image e os supermercados St. Marche, entre outros negócios, abocanhou cerca de 30% da empresa de Moura. A injeção de capital resultante da transação permitiu que a Espaçolaser chegasse ao tamanho atual. “No começo achávamos que 100 unidades já seria um número excepcional. Vamos chegar a mil”, gaba-se o médico.

 

Na sede da companhia, ele divide a mesma mesa de madeira usada por Morais. Só há uma curiosa diferença. Enquanto o outro presidente dá expediente em frente a um computador, como a maioria das pessoas, Moura trabalha com absolutamente nada à frente. “Computador para quê?”, questiona, diante da incredulidade do repórter. “E-mails eu leio por aqui”, emenda, apontando o smartphone. Lê, mas não com muito entusiasmo. “Estou sempre lendo os e-mails de três dias atrás. Se for algo urgente, o Paulo me avisa”, explica.

 

Para ele, o sucesso do negócio se deve a uma simples matemática. “Com depilação a cera, uma mulher vai gastar quase R$ 80 mil durante a vida. Conosco, perto de R$ 4 mil”, garante. Os homens ainda são minoria e correspondem a 6% da clientela. Essa proporção a rede começou a tentar diminuir no ano passado com a abertura de uma Espaçolaser masculina, no bairro paulistano dos Jardins. Moura já fez sua parte. Recorreu aos serviços da empresa para retirar os pelos do peito e definir os limites da barba.

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